Empreendedores refugiados em meio à crise de COVID-19

Em cada semana, cinco diferentes casos de pessoas refugiadas empreendedores serão apresentados.

Foto de mulher negra com trajes africanos ensinando grupo de mulheres a preparar um prato em cozinha.
Esses casos mostram histórias de resiliência, adaptação e inovação. (crédito da imagem: Benjamin Loyseau/Acnur)

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) lança página Refugiados Empreendedores para dar visibilidade a negócios dessas pessoas que seguem empreendendo no país e contribuindo com o desenvolvimento de suas comunidades e da economia local, mesmo com as dificuldades da pandemia COVID-19.

As inovações implementadas pelos refugiados empreendedores para manter ativo seus negócios são derivadas de capacitações técnicas implementadas pelo ACNUR e seus parceiros, como o projeto Empoderando Refugiadas (parceria entre ACNUR e Rede Brasil do Pacto Global) e Raízes da Cozinha (implementado pela ONG Migraflix).

Além das formações , o conhecimento prévio das pessoas refugiadas, mesmo em outras áreas de formação profissional, contribui para que comportamentos de consumo e tendências de mercado sejam absorvidos pelo redesenho estratégico dos negócios.
Na primeira semana da iniciativa, estão listados cinco negócios empreendedores no segmento de gastronomia em São Paulo. São eles:

Congolinária – comida congolesa vegana
O proprietário do Conglolinária, Pitchou Luamba, de 38 anos, veio da República Democrática do Congo para o Brasil em 2010. Assim que chegou, atuou como professor de francês e, em 2014, fundou o Congolinária. Hoje, ele divide seu tempo entre o restaurante e o mestrado em Relações Internacionais. O serviço de entrega contempla os pratos tradicionais, preparados de forma artesanal, como as sambusas (uma espécie de esfirra), couve na mwamba (um refogado de couve com pasta de amendoim), pilao (arroz com vegetais e gengibre), pomme soute (batata temperada frita inteira), choux (refogado de repolho) entre outros.

Muna Cozinha árabe
Muna Darweesh, natural da Síria, cozinha para festas, buffets e empresas, mas com a proibição de aglomerações, ela teve que se adaptar para servir porções menores. Muna chegou ao Brasil em 2013 fugindo da guerra na Síria com o marido e os quatro filhos. Com dificuldade de conseguir uma posição como professora de literatura inglesa, profissão que exercia em seu país, ela e o marido, um engenheiro naval, começaram a fazer doces para vender na região central de São Paulo. Atualmente, Muna oferece uma variedade de opções que envolve quibes, esfirras de diferentes recheios, falafel e charutos de folha de uva.

Talal Culinária Síria
O casal Talal e Ghazal Al-Tinawi chegou ao Brasil em dezembro de 2013 com seus filhos. Talal começou a trabalhar com gastronomia porque não conseguiu atuar em sua área de formação profissional, engenharia mecânica. O que à época foi uma decisão emergencial para gerar renda, transformou-se em uma grande paixão. A família já teve um restaurante na zona sul de São Paulo, mas decidiu trabalhar com entregas individuais ou para eventos (casamentos, aniversários, etc).

Tentaciones da Venezuela
A venezuelana Yilmary de Perdomo e sua família vivem no Brasil há quatro anos, em São Caetano do Sul (SP). Terapeuta ocupacional de formação, Yilmary enxergou na cozinha a possibilidade de trabalhar e ficar em casa com os filhos pequenos. Ela começou a empreender depois do sucesso de um prato feito para uma celebração na escola da filha. O carro chefe do cardápio é a Cachapa, um prato típico, feito à base de milho, que Yilmary traduz como ‘tapioca venezuelana’. As famosas arepas também fazem sucesso.

Limar Comida Árabe
Omar e Kenanh Suleibi fugiram da guerra na Síria em 2014, onde ela trabalhava como farmacêutica e ele como supervisor em uma empresa também do ramo farmacêutico. Ao chegar a São Paulo, Omar começou a vender doces árabes de um amigo, como forma de gerar renda para sustentar sua família. Vendia os doces antes mesmo de saber falar português. Com o tempo, o casal passou a preparar maámul, harissa e outras delícias sírias para vender.

Conheça aqui os empreendedores refugiados no site da Acnur: https://www.acnur.org/portugues/refugiadosempreendedores/

Informações pelo e-mail: brabrpi@unhcr.org