Empreendedores compartilham suas experiências de negócios sustentáveis

12427Um engenheiro desenvolveu uma técnica para construir casas de plástico, uma dupla de designers falou sobre compartilhar acervo de materiais, serviços e tecnologias, uma jovem empreendedora contou a história de sua fazenda de produção de flores comestíveis e um analista de empreendedorismo do Sebrae ajudou a traçar o cenário do impacto dos pequenos negócios para o movimento de sustentabilidade. Assim foi a apresentação da segunda palestra intitulada Empreendedorismo Sustentável: de pequenos a grande negócios, no segundo dia do Green Nation (9 de setembro), no Museu da República, no Catete, no centro do Rio de Janeiro. A ideia dessa conversa foi apresentar de que forma os negócios podem ser porta-vozes do empreendedorismo e alinhados com a biodiversidade.

Joaquim Caracas, engenheiro civil e fundador da Impacta Protensão – empresa focada no desenvolvimento de sistemas construtivos de lajes prediais, iniciou sua fala com sua trajetória profissional e a criação de sua empresa. Após anos na área da construção, decidiu trabalhar para substituir a madeira utilizada na estrutura de concreto. Para isso, usou o plástico e comentou que apenas 15% do plástico é reciclado e o restante fica no meio ambiente. Para desenvolver essa tecnologia, contou com estudantes e pesquisadores do ITA, Universidade Federal do Ceará, IME e outros órgãos educacionais.

12428Numa viagem de Recife para Maceió, o cearense observou as casas de palafitas. Joaquim teve a ideia de construir casas de plástico reciclado e comercializar esse produto. Para ilustrar essa tecnologia, ele mostrou vídeos mostrando como foi o processo de desenvolvimento da ideia inicial e nos dias de hoje, locais que receberam essas casas e até quanto tempo demora para construção de um banheiro feito de plástico reciclado.

O empreendedor ainda desenvolveu um hotel com conceitos e tecnologias sustentáveis na cidade de Guaramiranga, no Ceará. Criado em dezembro de 2012, mostrou como foi investindo na área, oferecendo diferentes serviços e opções de lazer. Usa sistemas de energia eólica e solar, sua estrutura é feita de plástico reciclado, a telha é de madeira de reflorestamento, tratamento de até 80% dos resíduos. “Transformei o lixo em luxo”, definiu Joaquim, que ainda mostrou o vídeo em que foi reconhecido com o Prêmio Finep de 2011.

Beleza no prato

Já a jovem Deborah Gaiotto trouxe a história da Fazenda de Maria, uma empresa de família em que ganhou destaque nos últimos 10 anos com a produção de flores comestíveis e brotos para decoração de pratos de chefs renomados. Recentemente ela ganhou o prêmio Mulher de Negócios pelo Sebrae.

A fazenda possui 40 anos, porém nos 10 anos está voltada para produção de flores frescas e comestíveis. A empreendedora e publicitária comentou que durante o processo dessas flores e a relação com seus funcionários veio a sustentabilidade de seus negócios. Explicou como é a produção dessas flores, materiais utilizados para não impactar o solo nem lençóis freáticos da região. “Uma coisa interessante é que nossa equipe da Fazenda planta, higieniza e comercializa”.

Deborah distribui diferentes flores ao público para experimentarem os sabores. Explicou ainda que em geral muitas flores são comestíveis e possuem o saber suave. “Cerca de 85% das flores são comestíveis e qual a diferença? É a forma de plantio. Se você ver muitas flores são produzidas com repelentes químicos, que não podem ser ingeridas”. Informou ainda que as flores são ricas em vitaminas A e D.

Para respeitar o ecossistema, ela comentou que em sua fazenda é utilizada a água usa de poços artesiano, nem há inserção de repelente químico. “No futuro, temos que ser criativo, inusitados no óbvio e incentivar sustentabilidade em novas gerações”, opinou a publicitária.

Cenário dos pequenos

Renato Santos, consultor de Sebrae, comentou que atualmente o Brasil possui oito milhões de empresas, sendo que 900 mil são pequenos negócios, 51% estão concentradas em São Paulo, 50% atuam no setor de comércio e representam 27% do PIB brasileiro. A previsão é que em 2022 haverá um crescimento de 12 milhões.

O administrador de empresas questiona como torná-las sustentáveis e levanta três razões: primeiro, a classe média demanda por produtos e serviços de qualidade e com baixo impacto ambiental; aumento da escolaridade do empregado, com uma mão de obra qualificada; e uma parcela cada vez maior de fornecedores que aceitam pagar por um produto/serviço sustentável.

O consultor explicou cinco fases importantes para um negócio: o primeiro é de implementação, em que há grande possibilidade de mortalidade do empreendimento, porque possui capitalização baixa de recursos e pouca experiência do empreendedor; a segunda é de melhorias de processo, com busca por equilíbrio financeiro; a terceira é de especialização, com segmentação de mercado; na quarta é de diferenciação, como se diferencia de seus concorrentes; o quinto conhecido como sofisticação com tributos complementares. Ele ainda sinalizou que a sustentabilidade pode ser esse diferencial, que atrai mais consumidores que tendem a ser cada vez mais exigentes, por outro lado, a fidelização dos clientes é a busca dos empreendedores.

Acervo compartilhado

Anne Karoline Mello, mestre em design e sociedade e sócia da FibraDesign, empresa fundadora da MateriaBrasil em parceria com a empresa Sistema Ambiental SP, e Bruno Temer, mestre em engenheiro de materiais, sócio daFibraDesign, explicaram a criação de um negócio voltado para compartilhar conhecimento de materiais, processos e tecnologias responsáveis. A MatériaBrasil oferece 177 materiais de 117 fornecedores responsáveis.

Os quatro eixos principais são: saber, sustentabilidade, lab e design. Possuem duas sedes uma em São Paulo, no bairro da Vila Madalena, e outra no Rio de Janeiro, na zona portuária. Oferecem espaços para cursos, uma materioteca, salas de reuniões e estações de trabalho compartilhada e até uma oficina de marcenaria.
Anne explicou que desenvolveram um acervo em uma plataforma aberta com todas as informações disponíveis gratuitamente, tanto de projetos internos, quanto os cursos e formações. “Acredito que o Brasil tem muito potencial para isso. Há muita riqueza para ser investigada”, ressaltou.

Monitorar é preciso

Com o palestrante internacional, Topher White, fundador e CEO da Rainforest Connection (RFCx), organização sem fins lucrativos e startup de tecnologia do Vale do Silício que atua com soluções em escala contra a extração de madeira e caças ilegais, o público conheceu um disposto que ajuda a monitorar regiões desmatadas. O jovem é físico e procura impulsionar os efeitos da criatividade técnica por meio da cultura open-source e da infraestrutura moderna global.

Em uma viagem para Indonésia, ele observou a caça de macacos e de árvores. A partir daí, pensou em criar um sistema que ajudasse o guarda florestal para chegar a tempo no corte ilegal e na caça a espécies em extinção. Com base no som da motosserra, conseguiu desenvolver um dispositivo para identificar esse som a quilômetros de distância com ajuda do sinal de celular. A ideia é contar com o local possui de tecnologia e com a comunidade local, além dos órgãos públicos que atuam na defesa da floresta.

“A proteção dessas florestas é bem importante, preservá-las corresponde a retirar 300 carros da rua”, ilustra o jovem com gráfico explicativo. Topher comentou que procuram diferentes profissionais como parceiros. No Brasil, pretendem trabalhar com o povo indígena Tembé. Mas será um processo longo, já que precisam formar a comunidade local para usar o dispositivo. A África é outro continente que o grupo pretende atuar.

Organizado pela Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro por meio da Secretaria Municipal de Cultura, e o Sebrae, o Green Nation é um evento gratuito que ocorrerá até 14 de setembro, com diversas atividades, de competições de futebol, passando por oficinas, ecostore, atividades socioculturais para crianças, mostra de filmes, exposições, instalações interativas que permitem ao público experimentar a sustentabilidade na prática. No Seminários de Economia Verde e Criativa, serão mais de 20 especialistas nacionais e internacionais e sete eixos temáticos.

Serviço:

Confira aqui toda programação: www.greennation.com.br
MatériaBrasil: http://materiabrasil.com/
www.valedasnuvens.com.br
www.fazendamaria.com.br