Em sua 4ª edição, a pesquisa Retratos da Leitura mostra este hábito na população brasileira

14782A sociedade brasileira ainda lê pouco, apesar de alguns avanços. Atualmente há 104,7 milhões de leitores (56%), porém 44% responderam como não leitores. Lançada no dia 18 de maio, a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil é organiza pelo Instituto Pró-livro (IPL), com apoio das entidades fundadoras – Associação Brasileira de Editores de Livros Escolares (Abrelivros), Câmara Brasileira do Livro (CBL) e Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL).

A pesquisa é nacional e quantitativa. O público-alvo é a população brasileira residente com cinco anos e mais, alfabetizada ou não. O período de consulta foi entre 23 de novembro e 14 de dezembro do ano passado. Foram realizadas 5012 entrevistas. A média de idade foi de 35 anos. O perfil da pesquisa foi do sexo masculino (48%) e feminino (52%). A maioria dos entrevistados é da região Sudeste com 42%, em seguida Sul com 14%, depois Centro-Oeste com 8%, Norte com 8% e Nordeste com 28%.

De acordo com o Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), apesar do percentual da população alfabetizada funcionalmente ter passado de 61% em 2001 para 73% em 2011, somente um em cada quatro brasileiros domina plenamente as habilidades de leitura, escrita e matemática. Isso mostra que o aumento da escolaridade média da população possui um caráter mais quantitativo (mais pessoas alfabetizadas), do que qualitativo (do ponto de vista do incremento na compreensão leitora).

As principais finalidades desse estudo são: avaliar impactos e orientar políticas públicas do livro e da leitura, com o objetivo de melhorar os indicadores de leitura do brasileiro; promover a reflexão e estudos sobre os hábitos de leitura do brasileiro para identificar ações mais efetivas voltadas ao fomento à leitura e o acesso ao livro e promover ampla divulgação sobre os resultados da pesquisa para informar e mobilizar toda a sociedade sobre a importância dessa agenda e sobre a necessidade de melhorar o retrato da leitura no Brasil.

O objetivo central é conhecer o comportamento leitor medindo a intensidade, forma, limitações, motivação, representações e as condições de leitura e de acesso ao livro – impresso e digital – pela população brasileira.

Para avaliar esse hábito, eles usaram o seguinte conceito para classificar o leitor e não leitor: o primeiro é aquele que leu, inteiro ou em partes, pelo menos um livro nos últimos três meses; e não leitor é aquele que declarou não ter lido nenhum livro nos últimos três meses, menos que tenha lido nos últimos 12 meses.

E qual a principal motivação para ler um livro? A maioria respondeu que o gosto (25%), atualização cultural ou conhecimento geral (19%), distração (15%), crescimento pessoal (10%), motivos religiosos (11%), entre outros. E o estudo já indica nesse quesito: “quanto maior o nível de escolaridade do respondente, maiores são as menções a atualização cultural ou conhecimento geral. Por outro lado, menores são as menções a motivações para leitura ligadas a motivos religiosos entre os respondentes com maior nível de escolaridade”.

E quando os fatores influenciam na escolha de um livro? O tema ou assunto liderou nas respostas com 30%, depois autor 12%, dicas de outras pessoas com 11%, capa 11%, dica de professores 7%.

Em relação a locais que costumam ler livros, casa está no topo com 81%, depois sala de aula com 25%, em seguida bibliotecas em geral com 19%. O trabalho está em 15% e ônibus, trem, metrô ou avião com 11%.

Entre dificuldades para ler, 24% disseram que não têm paciência para ler, 20% lê muito devagar, 17% tem problemas de visão, ou outras limitações físicas, 11% sem concentração suficiente para ler e 8% não compreende a maior parte do que lê. Por outro lado, o hábito da leitura não aparece nos primeiros itens de respostas nas atividades que gosta de fazer em seu tempo livre: assiste televisão (73%), escuta música ou rádio (60%), usa a internet (47%), reúne-se com amigos ou família ou sai com amigos (45%) e assiste vídeos ou filmes em casa (44%).

Nos últimos três meses, 74% responderam que não compraram livros e 26% sim. E quem compra? Dentro do grupo de estudantes, 38% responderam que compraram e 62% não compraram; já entre os que não estão estudando, 21% é comprador e 79% não comprador.

Os principais fatores que influenciam a escolha de um livro para compra: tema ou assunto (55%), recomendações de amigos ou familiares (20%), autor (19%), título do livro (17%), preço (16%) e recomendações de professores (12%).

Em relação ao gênero, do sexo masculino, 52% é composto de leitores e 48% não lê; entre as mulheres, 59% são leitoras e 41% não lêem. Em relação a faixa etária, a maior taxa de leitores está entre 11 e 13 anos de idade com 84% e 75% entre 14 e 17 anos, 67% entre 18 e 24 anos, e 59% entre 25 e 29 anos. Por outro lado, há uma alta taxa entre os idosos que não lêem: 73%.

O número de livros lidos em 2015 foi de 4,96 livros por habitante/ano: 2,43 inteiros e 2,53 em partes. Foi possível observar que os resultados do ano passado reforçam uma tendência percebida desde 2007: “quanto maior a escolaridade e a renda, maior é o hábito de leitura de livros, assim como também é maior entre aqueles que ainda são estudantes. Estes últimos, sobretudo pela leitura de livros indicados pela escola, didáticos ou literatura”.

Entre as pessoas que influenciaram o gosto pela leitura, 67% responderam que não houve influência de alguém para gostar de ler e 33% sim. A figura da mãe é bastante importante nesse quesito, especialmente quando comparada a influência do pai ou de algum parente – mãe ou responsável do sexo feminino com 11%, algum professor ou professora com 7%, pai ou responsável do sexo masculino com 4% e algum outro parente com 4%.


Serviço:

Acesse aqui para estudo na íntegra: http://goo.gl/NiOcko


Texto: Susana Sarmiento, com informações da apresentação do estudo
Imagem: Divulgação
Data original de publicação: 09/06/2016