Educadores do Senac São Paulo falam de métodos e tecnologias nos desafios da educação

No 3º dia de Fórum Internacional de Educadores, dois educadores do Senac São Paulo falam sobre o desafio constante de buscar novas formas e estratégias contemporâneas.

Aluna acompanha curso on-line em seu computador em casa e abre nuvens com ícones de programas tecnológicos.
Três desafios de aptidões atuais, levantados pelos educadores:: capacidade de planejar, mediar a aprendizagem, de avaliar e competência digital. (crédito da imagem: elenabsl/AdobeStock)

A pandemia acelera o uso de ferramentas tecnológicas estratégicas e assertivas para o docente e estudante, como conciliar a habilidade e demanda de cada um deles em diferentes realidades? Quais são os novos métodos e tecnologias nos desafios da educação hoje? Essas são algumas das questões esclarecidas pelos coordenadores do Senac São Paulo sobre o uso de metodologias ativas e diferentes ferramentas educacionais no processo de ensino-aprendizagem e a avaliação.

Para mostrar o Jeito Senac de Educar, o encontro de ontem (05/08) à tarde intitulado A Pandemia e o Uso de Novos Métodos e Tecnologias diante dos Desafios da Educação reuniu: Fabiana Raulino da Silva, fisioterapeuta e ergonomista, especialista em Educação e mestre em Engenharia de Produção, CEO da Trampolean e consultora pedagógica da T4 Interactive Games, membro da Rede Brasileira de Aprendizagem Criativa e da Iniciativa Gamificação Criativa e no Senac São Paulo atua como coordenadora pedagógica, e José Pablo Zatti, licenciado em Letras pela FMU e especialista em Tecnologias Aplicadas à Educação pela PUC- SP, mestrando em Educação, Arte e História da Cultura na Universidade Mackenzie e atua como coordenador de projetos e cursos de educação corporativa no Senac São Paulo, com foco na formação docente. A mediação foi de Márcia Cristina Fragelli, pedagoga, especialista em Gestão Escolar e Recursos Humanos, psicopedagogia e educação especial, mestre e doutoranda em educação, e coordenadora educacional do Senac São Paulo e pesquisadora e autora de livros na área educacional.

A palestra faz parte do Fórum Internacional de Educadores, um evento promovido pelo Senac São Paulo que ocorrerá até dia 08 de agosto com uma programação diversa sobre educação em um contexto pandemia, caminhos e troca de práticas, soluções criativas e efetivas e novas formas de trabalho para aprendizagem no século 21. Os próximos temas abordados serão: papel da educação a distância X ensino remoto, políticas públicas educacionais – desafios e dilemas e diálogo entre família e escola e a sensibilidade do não visível. Confira programação completa aqui: http://www1.sp.senac.br/hotsites/blogs/covid19/forum_educadores/

Pablo compartilha sua experiência na área de ensino na rede privada e dentro do Senac São Paulo de professor de idiomas até implementação de cursos e programas de formação dos professores da organização. Nos últimos três anos, sua atuação está focada na formação docente e desenvolvimento de material didático na Educação de Jovens e Adultos (EJA). Ele reflete e explica a importância da proposta pedagógica da empresa, em que mostra aonde quer chegar com o processo educacional, valorizando o percurso. O educador chama atenção para o título deste documento da organização: O homem e o mundo do trabalho. “Temos uma declaração de princípios com posicionamento claro de uma visão social da escola bem definido com uma relação entre sujeito e o mundo do trabalho, coerente com aquele aluno que vivencia nosso processo de aprendizagem”, afirma.

O educador também esclarece que o processo educativo pretende formar o indivíduo ao mundo do trabalho, não se limite somente ao status quo pré-definidos. “A educação possibilita emancipação social e transforma todo o meio em que atua aquele aluno”, afirma. Também contextualiza competências como o conhecimento prévio de cada interlocutor e até de sua experiência se incluir no contexto educacional. No Senac São Paulo, ele explica que são desenvolvidas competências profissionais, que articulam e colocam em ação três pontos chaves: saberes (habilidades), conhecimentos (saber/fazer) e atitudes e valores (saber ser e conviver). “Uma educação focada em formar um sujeito capaz de atuar neste mundo do trabalho”.

E, por fim, ele comenta sobre os projetos integradores, que remete uma pedagogia de projetos. “Os alunos olham para algum tema da sua realidade, observam e desenvolvem o que irão trabalhar. É um diferencial em nossa proposta. Ele escolhe por temáticas e situações e decide qual será abordada. Tudo isso sempre em conjunto nos princípios da proposta pedagógica”, comenta.

Fabiana compartilha sua experiência com uso de plataformas tecnológicas e criativas e afirma: não há soluções na prateleira. Ela estimula a busca por ferramentas acessíveis fáceis de manusear ao estudante e professor, além de serem gratuitas. Sugeriu uma plataforma que possibilita projetar em tempo real do smartphone, votação anônima que ajuda a checar com os alunos quais assuntos eles querem no próximo encontro. Também comentou sobre a plataforma Tik Tok, em que muitas pessoas consideram para público jovem pelos filtros oferecidos, mas pode contribuir em uma linguagem mais coloquial no conteúdo abordado. Comentou sobre ferramentas que podem ajudar na edição de vídeos: Davinci Resolve, Youtube (o professor pode criar um canal na plataforma gratuitamente), Google e seus dispositivos e Adobe Premiere. “O digital está com uma enxurrada de informação”, atenta. Além das ferramentas, a educadora defende que é essencial estimular o aluno a pesquisar sozinho até para errar e conhecer o que teu aluno tem interesse em aprender.

A coordenadora pedagógica também ressalta a construção conjunto do conteúdo com esse aluno, a experiência de aprendizagem é diferente. O aluno se sente coautor. Além disso, ela chama atenção para o ensino por projetos no dia a dia, os alunos desenvolvem muitos projetos e se acostumam com o desenvolvimento desse método e perdem o receio da apresentação, ressignificam este momento e ficam em geral com menos medo de errar. E deixa uma dica importante: “Os acordos precisam estar claros desde o começo”.

Pablo resgata o valor do educador no contexto pandêmico e chama atenção para as desigualdades sociais que distancia muitas vezes os alunos desse sistema tecnológico e sistema de ensino. Dessa forma, o educador é fundamental nesse processo de cuidar para que os alunos em situação de vulnerabilidade não se afastem tanto. “Fazer da escola um espaço genuinamente inclusivo e essa desigualdade social possa ser encarada de outra maneira e enfrentada com mais energia”.

Acesse aqui o debate na íntegra: https://www.youtube.com/watch?v=RisHaPzX0ec

*Notícia atualizada no dia 10 de agosto de 2020.