Educação emocional é essencial para melhor convívio entre família e escola, segundo palestrantes

Na última palestra do Fórum Internacional de Educadores, representante do Senac São Paulo de Cultura de Paz e pesquisadora de Educação apontam saídas para universo sensível.

Ilustração mostra uma família e balões coloridos de conversas acima da cabeça delas.
Palestrantes defendem atitudes propositivas e de transformação social a favor de uma educação mais humanizada. (crédito da imagem: Julien Eichinger/ADobeStock)

Quase todos os dias os docentes estão nos lares de inúmeros alunos em situações reais e distintas. O diálogo se torna essencial para estabelecer compromissos no processo de ensino-aprendizagem de qualidade, inclusivo e alinhado com os princípios de equidade. O último debate (8/8) do Fórum Internacional de Educadores, intitulado Diálogo entre família e escola e a sensibilidade do não visível, mostrou a importância da empatia e da sensibilidade na participação na vida das famílias, em geral não visível.

As participantes foram: Andrea dos Santos Pereira Nunes, graduada em Comunicação Social e pós-graduada em Gerenciamento de Projetos e atua na educação corporativa do Senac São Paulo, coordenando o Programa Cultura de Paz e estudando as diversas tecnologias de convivência livres de violência; e Nana Haddad Ferreira, docente e pesquisadora da Universidade Metodista de Piracicaba e doutora em Educação pela Universidade Estadual de Campinas. A mediação ficou com Márcia Cristina Fragelli, pedagoga, especialista em Gestão Escolar e Recursos Humanos, Psicopedagogia e Educação Especial, mestre e doutoranda em educação e é coordenadora educacional no Senac São Paulo, pesquisadora e autora de livros na área educacional.

Nana esclareceu primeiro em sua fala o ser sensível. Seguindo conceitos da área de psicologia, a pesquisadora pontuou que esse sentir se dá em três fatores: captação sensorial (por meio dos cinco sentidos), o ser não é auto suficiente e precisa da relação com outros e do seu meio (seres de relação), e a dimensão do sentimento.

No entanto, a pesquisa ressaltou que quando o ser coloca a produção no centro ocorre o processo de desumanização. “É muito importante nutrir esse lado e dimensão sensível da nossa constituição e da nossa personalidade. Todos nós somos seres sensíveis. Mesmo sem a intenção de desenvolver. A sensibilidade está presente nas relações sociais”.

Dessa forma, ela explicou também que as decisões são humanas e permeadas por determinada capacidade do sensível e compreensão da realidade. Por isso esse conhecimento é cultura e social. E concluiu: “é necessário ensinar as pessoas a se importarem, precisa ensinar as pessoas a se colocarem nos lugares dos outros. É preciso ensinar as pessoas a amar. É preciso a se respeitarem e trabalharem coletivamente. A gente não nasce com isso desenvolvido”.

A pesquisadora também chamou atenção para educação do sentir. E na escola, ela pontuou a necessidade de contribuir com ser humano no direcionamento na sua atuação na sociedade. “É uma educação emancipatória, humanizadora que busca sentido na sua atuação comunitária”.

Segundo as análises de Nana, na pandemia, acentuaram-se fragilidades, como: dificuldade de comunicação com as famílias e dificuldades no diálogo entre família e escola. E um dos principais desafios: assumir a ausência de educação sensível. Ela sugeriu a leitura do livro de Paulo Freire – Educação como Prática de Liberdade.

“O que nos ajuda na transformação da sociedade e a resistir as dificuldades cotidianas é nutrir uma esperança crítica. Nem a desesperança nos ajuda nem o otimismo ingênua. É preciso trabalho e organização para ocorrer”, comentou e ainda respondeu como conseguir uma educação sensível, humanizadora e emancipatória: exercício democrático, relações horizontais, redes de partilhas, valorização do trabalho coletivo e escuta da comunidade. Ou seja, práticas humanizadoras constroem seres sensíveis.

Já Andrea, responsável pelo Programa Cultura de Paz no Senac, contextualizou a origem da inciativa nos anos 2000 dentro do Programa de Desenvolvimento Local da instituição, em que reunia representantes de várias áreas da sociedade de uma cidade para falar sobre os problemas da cidade e ali surgiam conflitos. A partir daí as ferramentas de convivência da área de desenvolvimento social contribuíam na conversa desses atores e essas tecnologias ganham sentido de conhecimento sistematizado, como: Comunicação Não Violenta (CNV), diálogo e reflexão colaborativa. Com essas ferramentas, esses atores desenhavam um grande plano de desenvolvimento sustentável, conhecido como plano de bairro. Em 2009, o programa se unia com gratuidade e com ações de responsabilidade social para concessão de bolsas de estudos a pessoas de baixa de renda. “Na época eu criei um índice de carência que ranqueava realmente as pessoas mais vulneráveis, incluindo parâmetros, como: arrimo de família, deficiência, raça/gênero, se tinha estudado em escola pública. 2/3 dos nossos recursos foram destinados a atender esses públicos e demandou esses saberes para saber como atender a diversidade dos alunos”, recordou-se.

Em 2013, Cultura de Paz ganhou status como programa institucional para instrumentalizar os funcionários, inicialmente os docentes. Já abrangia uma série de conceitos: empatia, ideia de complexidade, educação emocional, condição humana, CNV, práticas restaurativas e princípios da não violência. Hoje o programa está integrado com a área de gestão de pessoas da organização. Foi criado uma série de cursos no portfólio da organização. “Hoje o programa está dando apoio emocional nas unidades. De um dia para outro tivemos que replanejar e equacionar com as demandas emocionais e domésticas dos alunos. Temos 180 multiplicadores treinados pelo programa que atuam diretamente nas unidades do Senac e dão esse apoio local”, relatou.

Cartilha de Cultura de Paz do Senac São Paulo disponível no site da organização: http://www1.sp.senac.br/hotsites/gd4/culturadepaz/

Curso EAD Cultura de Paz: https://www.cursosead.sp.senac.br/cultura_paz/intro/page1.html

Assista aqui o debate na íntegra no Youtube do Senac São Paulo: https://www.youtube.com/watch?v=Cwgg_hq-FOE