Economistas ressaltam a importância da gestão escolar e uso de evidências para melhoria da qualidade do ensino

14344365_10154756829686412_5309809458694158531_nMensurar o impacto do programa social e ver como aquilo mudou por causa da intervenção da iniciativa. Este foi o foco central da palestra Impacto da gestão educacional e uso de evidências: reflexões a partir do Jovem do Futuro na manhã do primeiro dia do Seminário Internacional Caminhos para qualidade da educação pública: Impactos e Evidências, organizado pelo Instituto Unibanco, Folha de S. Paulo e apoio do Insper, hoje e amanhã (15 e 16 de setembro) no Teatro Cetip, em Pinheiros, na capital de São Paulo.

O objetivo do evento é promover o debate entre pesquisadores e gestores brasileiros e estrangeiros sobre a contribuição das avaliações, estudos, pesquisas e evidências científicas para o aprimoramento das políticas públicas e para priorizar investimentos educacionais.

Ricardo Henriques, superintendente executivo do Instituto Unibanco e economista, falou inicialmente que em geral o pontapé é com uma ideia simples de evidenciar o sistema de aprendizagem. Ressaltou que o debate precisa ser sobre o direito de aprendizagem, com a síntese mais radical: acesso, permanência e mensurável.

Seu primeiro slide falava sobre as várias gestões necessárias, envolvendo pessoas, aspectos físico-financeiros, relacional e até o pedagógico. Com uma escola, Ricardo disse que é uma rede que consegue dar conta e cumprir seu papel no dia a dia. Para ele, a gestão nesses espaços é primordial para a tomada de decisões, com financiamento a serviço do pedagógico e garanta a visão. “Importante não confundir o educador como gerente ou como tomador de decisões”, afirmou o economista que também comentou que esse gestor precisa ter um olhar do processo educativo para saber os tipos de evidência que é importante trabalhar. “Por isso é essencial a ideia do monitoramento do aprender. Impossível ter boa gestão sem esse letramento”, defendeu.

Ricardo ainda pontuou que gestão não é panacéia, ainda mais num país como o Brasil marcado por sua desigualdade social e fragmentação das decisões nas instituições. “Temos uma quantidade de investimento de vida nisso, diretos de escolas e gestores escolares engajados, a boa gestão amarra para uma boa qualidade e sai da discussão do gueto”.

O palestrante explicou o programa Jovem de Futuro, uma tecnologia educacional voltada para a gestão escolar desenvolvida e implementada pelo Instituto Unibanco em escolas públicas do ensino médio em parceria com as secretarias estaduais de educação. Ricardo pontuou ainda que essa iniciativa tem o papel de formar esses vários públicos dentro da escola para diferentes serviços.

O economista ainda comentou que é importante que o ciclo seja compreendido de forma clara, com esse exercício cotidiano, com esse processo e gera tensões. As atividades de gestão contribuem para decisões estratégicas e ajudam a entender a razão para as escolhas e dar conta para resolver nas várias esferas. “Fazemos isso acontecer além de formar e instituir processos de agenda de engajamento em todos os temas no sentido do valor da educação”.

Ricardo ainda reforçou a necessidade do ensino não ser apenas voltada para o jovem, mas incluir o professor nesse processo, já que ele precisa formatar uma aula adequada para aquele aluno. Além disso, falou da necessidade de compartilhar as decisões três vezes por ano para desenvolver para agenda de corresponsabilização. Também ressaltou a importância da estrutura de sistemas tecnológicos e relatórios diante desses desafios a situações específicas. Falou ainda que na escola a agenda da gestão precisa ser compartilhada e corresponsabilizada pelos diferentes atores em que atuam dentro desse espaço para desenvolverem essa capacidade da dimensão de resultados. E ele passa a seguinte questão para Ricardo Paes de Barros, economista-chefe do Instituto Ayrton Senna e professor no Insper: E o que efetivamente, depois de tempo e dinheiro investido, tem de impactos?

O economista do Instituto Ayrton Senna primeiro pontuou e questionou que esse impacto seria sobre o quê, para quem e quando. “É importante ter isso em mente o impacto do Jovem do Futuro sobre a proficiência dos alunos numa dada escola em uma série. Após três anos, é importante avaliar a implementação”, ressaltou. Explicou ainda que avaliam a escola após três anos depois da sua aplicação. No ano seguinte, os estudantes do final do terceiro ano do ensino médio e são avaliados português e matemática. “Eu consigo medir aquela nota A3, em que era a nota dele, e o B3, com a nota no final da série. Isso é a melhor a que ocorreu na aprendizagem”.

Ricardo também mostrou que é possível comprovar que é possível isolar qual foi a contribuição do Instituto Unibanco e secretarias, e ainda o que teria ocorrido se não tivesse implementado o programa Jovem do Futuro. “E para isolar, precisaria saber o que ocorreria nessas escolas sem o programa. E o que é impacto do programa? É mostrar aquilo que mudou por causa da intervenção do projeto”.

Em um gráfico, ele comprovou que a diferença é resultado entre a melhora no impacto e a melhora no grupo de controle que recebeu essa ação. Nessa diferença, é possível obter o impacto do programa.

Compartilhou com o público que foram feitos durante o programa 400 experimentos em oito anos em 10 Estados diferentes. “Quando chegamos em uma região, reunimos as escolas em pequenos grupos e sorteamos algumas para iniciarem de imediato, e outras serão beneficiadas três anos após a implementação das primeiras”, esclareceu o economista. Para ilustrar isso, mostrou e falou a quantidade de experimentos em cada Estado, por exemplo: no Pará são 15, no Vale do Paraíba são 20, na Região Metropolitana de São Paulo são 17, Mato Grosso do Sul com 23, Minas Gerais com quatro, Goiás com 15, Rio de Janeiro com 12 e Ceará com 25.

Por meio dos experimentos, vejo qual deles houveram melhoria no tratamento ou no controle. “É possível prever dos 141 experimentos quais tiveram melhorias do controle. Se serve, se atrapalha, se precisa melhorar no tratamento ou no controle. A ideia é jogar a moeda para cima e dessas vezes (141), 70 podem ser caras e 70 coroas, por exemplo. Na verdade, dá um pouco a mais, um pouco a menos. O grupo de tratamento tem um desempenho superior ao grupo de controle, caso o Programa não tenha impacto”.

Com ajuda de um gráfico, o professor mostrou que seria 82 a nota de evidência de impacto positivo; 70,5 evidência de ausência de impacto; e 59, a evidência de impacto negativo. Sobre a magnitude em matemática ao longo do ensino médio por unidade de federação, a média de aprendizagem é de 16 pontos percentuais (pp), que deveria ser 40 pp e a nota média divide por três para obter a média do aprendizado médio de uma série do ensino médio suficiente para ultrapassar as sete unidades da Federação.

Com a ciência a favor

Ricardo Henriques ainda falou sobre como conciliar a ciência com as soluções para serem aplicadas, como manter isso e como aumentar. Com um gráfico, ele mostrou a matriz de impacto para os seguintes atores: escolas, salas de aulas e estudantes.
Na escola, houve as competências de gestão desenvolvida, gestão escolar de alta qualidade e escola com funcionamento adequado. Essas competências são avaliadas e mostra os processos pedagógicos, e como viabilizam a dedicação dos estudantes para aumentar a aprendizagem um processo de aprendizagem contínua – sofisticando modelagem de pensar. “Temos as mesmas coisas para pensar nas secretarias e outros órgãos”, afirmou.

Ricardo Henriques fez três perguntas para economista-chefe do Instituto Ayrton Senna: 1) A matriz de impacto em todas as instâncias funciona? Consegue identificar isso? 2) Qual é o nome de cada um desses componentes Jovem do Futuro? 3) É possível medir efeitos sistêmicos (como se queria aumentar as fronteiras?)?

Ricardo de Paes de Barros respondeu que é possível sim manter as matrizes de instância, desde consigam funcionar sem componente e compara do ponto de vista teórico. É possível saber o impacto de cada componente. Ele ainda indicou que o grande desafio é como mensurar essa avaliação. “É muito fácil calcular o impacto do programa no funcionamento da escola. Difícil é calcular o clima escolar (não dá para controlar diretamente) com atuação do programa”.

O palestrante ainda comentou que é importante ter muitas teorias que tem hoje diretamente e via clima escolar nessas perguntas simples e outras que irão envolver combinação mais profunda com evidência empírica.

Ricardo Henriques explicou ainda que o programa envolve três partes: gerar impacto, o impacto é relevante, e utilizar a ciência com rigor e regularidade. Também ressaltou que a união dos atores para construir soluções a problemas públicos e sob espaço público. Para isso, é essencial a ação transformadora e rigor na produção e uso de evidência.

O superintendente executivo do Instituto Unibanco ainda listou questões importantes nesse processo: valorizar igualmente o conhecimento prático e científico; estudos e implementação para capturar o conhecimento dos gestores; formular com clareza perguntas para os avaliadores; organizar as perguntas e reunir diferentes epistemologias e métodos. Tudo isso para no final construir conhecimentos, elaborar soluções aplicadas e aproximar mundos para evitar razões pedagógicas e extrair dados desse processo.
“Isso tudo contribui para garantir o direito à aprendizagem dos jovens na escola pública. E partir daí obter evidências que ajudam na tomada de decisões, na criação da terceira margem”, afirmou o economista que encerrou sua fala com um trecho do livro A Terceira Margem do Rio, de Guimarães Rosa.


Data original da publicação: 16/09/2016