E o coronavírus nas favelas brasileiras?

Movimento #FavelaContraoVírus promove diversas ações para impedir que as desigualdade provoquem mais mortes nas comunidades brasileiras.

Foto de casas em um morro em comunidade periférica de grande cidade brasileira.
63% afirmaram que a alimentação seria prejudicada se precisassem permanecer em suas casas. (crédito da imagem: Aliaksei/AdobeStock)

Aproximadamente 13,6 milhões de brasileiros moram em favelas. Para mostrar a realidade dessas pessoas com o avanço da pandemia COVIV-19, conhecido como coronavírus, a Central Única das Favelas (Cufa), Instituto Locomotiva e Data Favela produziram a pesquisa Coronavírus nas Favelas, entre os dias 20 e 22 de março, com 1142 habitantes de 262 favelas em todos os Estados do país.

O estudo mostra que os Estados com maior proporção de pessoas vivendo em favelas são: Pará, Amapá, Rio de Janeiro, Amazonas e Pernambuco. 97% desses moradores já mudaram sua rotina por causa dos coronavírus; dois em cada três pessoas estão bem preocupadas com a própria saúde.

A pandemia impacta na rotina dos filhos: 53% têm filhos; entre moradores com filhos em idade escolar, 86% deixaram de ir para escola; para 84% das famílias cujo filhos deixaram de ir para escola os gastos em casa aumentaram; ¾ dessas famílias com os filhos em casa dificulta trabalhar para ter renda.

E no trabalho? 47% dos moradores das favelas são autônomos, 19% possuem carteira assinada; 86% dos trabalhadores da periferia o coronavírus reduziu o movimento/vendas da empresa onde trabalham. E mais: 54% estão muito preocupados com o trabalho/risco de perder o emprego.

Preto Zeze, presidente global da Cufa, enfatiza que a pesquisa produz um parâmetro para a ação da sociedade e governos. “Há muitas iniciativas acontecendo, mas sem foco não há eficiência, nem entrega com escala e impacto. Nesse levantamento, tiramos os focos de isolamento social e atenção ao idosos, porque entendemos a necessidade de proteção social e econômica. Por isso, estamos articulando uma grande rede de empreendedores. Em sua maioria formado por mulheres autônomas. Antes do vírus chegar em forma de doença, ele já atingiu diretamente a pouca economia de mais de 50% da favela, que atua na informalidade”.

O presidente da Cufa ainda explica que estão organizando ao redor da casa de idosos uma rede de contenção social para dar apoio, caso ele precise ir para farmácia, comprar algo no mercado, por exemplo. “Temos os números de telefones para nos comunicarmos via WhatsApp”.

O movimento também promove campanha de doações de alimentos, insumos de limpeza e recursos financeiros para fortalecer as comunidades.

Os interessados em contribuir ao movimento #FavelaContraoVírus podem acessar o site da Cufa: http://cufa.org.br/noticia.php?n=MjYx