É lançado índice que inclui oportunidades da educação

ulnot-interna-ioeb“Hoje no Brasil não temos avaliações por problemas. Todas são baseadas em resultados finais. Essas não passam o que é contribuição das escolas, dos municípios, da comunidade, da família do aluno”, explicou Reynaldo Fernandes, ex-presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e criador do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, conhecido como Ideb.

Na última quarta-feira, dia 7 de outubro, foi lançado o Índice de Oportunidades Educacionais Brasileiras, o Ioeb, que traz o valor adicionado e o quanto é acrescido com o aluno para a escola e todas suas etapas. “A primeira fase do fundamental, a cobertura da educação infantil, da proporção que completam o ensino médio, mas o ideal seria combinar todos para formar um único índice que tenta trazer a menor perda de informação possível”, atentou.

Esse trabalho é resultado de pesquisa dos pesquisadores Reynaldo Fernandes, professor da Universidade de São Paulo, e da economista Fabiana de Felício.

O IOEB é um índice que calcula a qualidade das oportunidades educacionais oferecidas por municípios e estados. Inclui crianças em idade escolar dos municípios e Estados. Nas outras avaliações, a percepção da qualidade da educação de determinado local era vista apenas nos resultados das provas nacionais. Dessa forma, só consideram crianças que frequentam escola, excluindo aquelas que estão do lado de fora da sala de aula mesmo tendo idade escolar.

Nos rankings gerais do índice, São Paulo lidera com 5,1, em segundo está Minas Gerais, com 5,0, e em seguida Santa Catarina com 5,0. Os últimos quatro Estados são: Amapá (3,7), Bahia (3,6), Maranhão (3,6) e Pará (3,5). Entre os melhores 25 municípios do Brasil, destacam-se: Sobral (CE) com 6,1, Groaíras (CE) com 5,9, Porteiras (CE) com 5,9, Centenário (RS) com 5,9 e Novo Horizonte (SP) com 5,8. Na plataforma do Ioeb, é possível comparar dados dos municípios e Estados.

Reynaldo explicou que o Ioeb é o Ieb da primeira fase ajustado com o lado socioeconômico. Para ele, há duas formar de leitura para esses dados. A primeira é o índice estudar diferentes dimensões: ensino, pesquisa e extensão. O segundo é uma forma de juntar esses vários indicadores, que são as oportunidades educacionais. Segundo o pesquisador, isso incluir professores qualificados, jornada escolar, indicadores de resultados, processos, metodologias, entre outros.

Para Reynaldo, a partir do lançamento desse índice, as organizações podem se unir e pensar como atuar em conjunto com os municípios e que sejam aplicáveis em cada local e surtam efeitos positivos em cada política educacional.

Corresponsabilidade necessária

Após o lançamento do índice, houve o debate com o tema Como melhorar a qualidade da educação no sistema federativo brasileiro? Participaram: Fernando Abrucio, da Fundação Getúlio Vargas; Dênis Mizne, da Fundação Lemann; e Maurício Holanda Maia, secretário de Educação do Estado do Ceará/Consed; e mediação de Mônica Dias Pinto, da Fundação Roberto Marinho.

Fernando contextualizou como o federalismo educacional brasileiro impactou na qualidade de ensino e na quantidade de “termômetros” da área de políticas públicas. “Criamos uma assimetria educacional bem grande”, afirmou. Ainda ele comentou que o ensino superior tem se tornado cada vez melhor.

O professor e pesquisador da FGV ainda lembrou que a educação foi incluída na legislação como direito humano na Constituição de 1988. Explicou as reformas educacionais e um dos avanços importantes foi universalizar o ensino fundamental e chegar até na educação continuada, porém os resultados educacionais ainda estão distantes dos desejados. ele explicou que se a cidade está com indicador ruim na educação não é só uma questão de gestão. E sim de articulação daquela região. “Esses mecanismos tentam homogeneizar sem conhecer os insumos”, disse.

Para Fernando, as áreas de vulnerabilidades precisam de mais atenção e parte das soluções não deveriam passar por uma centralização regionalizada. “Acho que é importante articular Estados e municípios para ver os resultados e as oportunidades educacionais que mostram uma série de assimetrias”, defendeu. Em sua opinião, é importante criar mecanismos de incentivo e tentar descobrir as causas. “Nenhum prefeito sozinho vai resolver o problema da educação”, sinalizou.

Denis, da Fundação Leman, falou sobre a complexificação dos dados e corresponsabilização. Para ele, é difícil ter uma coordenação para olhar o todo e há ainda uma confusão de papéis no sistema. Ele ainda comentou que é importante “quebrar” o discurso que a culpa do mau desempenho do estudante se dá pelas suas condições socioeconômicas, má formação de seus pais, entre outros fatores. “Caíamos no discurso que não tem nada do que possa ser feito”, disse. Por outro lado, ele pontua que o estado brasileiro precisa oferecer condições iguais a todos. Ele citou casos de cidades de baixa renda que se destacaram em avaliações educacionais. “Não vai ter transformação sistêmica sem mudança. Quando você olhar porque os municípios têm bons resultados, há um conjunto de iniciativas bem articuladas, boa formação de professores e bons materiais”, afirmou.

Luiz, ex-secretário de Educação do Estado do Rio de Janeiro, ressaltou em sua fala que o Brasil ainda não sabe para aonde quer ir. “Segue o lema: eu vou e depois traço minha rota. Não sei para aonde quer ir, por quanto tempo, quantas pessoas”. Ele citou o caso da Coréia que encaminha um aluno com talentos nas disciplinas de exatas para uma área específica, porque o país possui um projeto de Estado. “No último da minha gestão, conseguimos fazer acordos com 77 cidades que usam currículos e fazem avaliações da SAERJ (sistema de Avaliação da Educação do Estado do Rio de Janeiro), mas isso é uma contribuição financeira”, afirmou.

Para o ex-secretário de educação do Rio de Janeiro, o Ideb foi positivo por ter provocado um constrangimento entre os gestores públicos. “Políticos só se atentam quando perdem voto”, comentou. E ainda compartilhou: “Temos o hábito de falar que é um problema antigo e o país não trata como tal. O país não cresce se não encarar esse assunto”, pontuou.

Serviço:

Acesse a plataforma do Ioeb: http://www.ioeb.org.br/


Data original de publicação: 13/10/2015