Dona Pureza – Uma Mulher que enfrenta as Atrocidades do Trabalho Forçado

Representantes de organizações de defesa de direitos falam da produção do documentário Pureza, baseado em fatos reais com previsão de lançamento próximo ano.

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Painel explica trajetória de trabalhadora rural do Maranhão na busca de seu filho e denúncia de trabalho análogo à escravidão. (crédito da imagem: Susana Sarmiento)

Mostrar a luta de uma trabalhadora rural maranhense que foi atrás de seu filho e durante três anos percorreu fazendas que escravizaram trabalhadores. Essa é a história de Pureza Lopes Loyola, que vai se tornar um documentário que será lançada 2020 e foi tema central do painel Dona Pureza: uma mulher que enfrenta as atrocidades do trabalho forçado na tarde do segundo dia da Conferência Ethos 2018, no Expo Barra Funda na zona oeste de São Paulo.

A atriz Dira Paes irá interpretar a história dessa mulher reconhecida com o Prêmio anti-Escravidão 1997 em Londres, uma medalha oferecida anualmente pela Anti-Slavery International, organização não governamental do Reino Unido que faz campanha contra o trabalho escravo.

Para falar dessa produção, participaram dessa conversa: Mércia Silva, diretora executiva do InPACTO; e Rogenir Costa, gerente de Programa para o Brasil na Catholic Relief Service.

“Ela passou a ser observada pelos olhos do mundo”, afirmou Rogenir ao contar a trajetória de luta de Pureza. A história dessa mulher contribuiu ao governo brasileiro reconhecer o trabalho análogo escravidão no Brasil. Ela foi atrás de seu filho, Antônio Abel Lopes Loiola, desaparecido em 1993, quando foi trabalhar em uma fazenda no sul do Pará. Conseguiu reencontrar ele em maio de 1996, quando ele conseguiu fugir de uma fazenda onde era mantido em regime de escravidão, em Santana do Araguaia (PA). Loiola vendeu tudo o que tinha em Bacabal (MA) e viajou para procurar seu filho depois que soube por amigos dele, que também tinham escapado de fazendas, que ele estava trabalhando no sul do Pará. Assista aqui a matéria sobre essa produção: https://www.youtube.com/watch?v=xJq4–NWprY

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A atriz Dira Paes fará o papel de Dona Pureza no documentário, previsto para lançamento no próximo ano. (crédito d a imagem: vídeo da reportagem O Globo)

Rogenir ainda explicou que a produção do documentário colabora com o envolvimento das organizações sobre a viabilização do filme e abordar o tema de trabalho escravo ainda presente no Brasil e outros países.

A história de Pureza possibilitou a criação de um projeto envolvendo Comissão Pastoral da Terra e Secretaria Nacional de Justiça, que foi apresentado para um grupo de procuradores federais do trabalho, para destinar as multas que são aplicadas para usar na contramão daquela ação.

Mércia comentou que houve uma mobilização a partir da carta feita junto com um produtor para colaborar com um aporte financeiro e contribuir na construção de um país melhor. Ela ainda se lembrou de um documentário sobre a construção de estádios de futebol na Copa de Qatar sobre trabalho escravo. Lá é legal esse tipo de atividade. Ela comentou que a produção mostrou que a Copa do Mundo dos Trabalhadores trouxe toda a potencialidade para cobrir e deixar eles falarem sobre as relações de trabalho.

“Quanto mais as empresas investirem mais bacana o debate ficará”, afirmou Mércia. Ela ainda compartilhou que o diretor da produção está fazendo um documentário chamado Servidão em que aborda o vínculo entre escravidão colonial e a contemporânea. Denuncia ainda a prática de trabalho escravo e as novas metodologias.

Acesse o site: https://www.conferenciaethos.org/saopaulo