Você já doou sangue?

Hematologista compartilha os principais mitos sobre doação de sangue. Conheça os principais requisitos para contribuir com essa atitude solidária.

Doação de sangue: urgente
Em Época de carnaval, as pessoas costumam se esquecer dessa atitude solidária.

“Tomara que a gente nunca precise fazer transfusão de sangue. E no dia que for necessário, espero que o banco esteja armazenado e nunca nos falte para nosso atendimento”, afirma Carlos Roberto Jorge, hematologista e um dos médicos da Fundação Pró-Sangue, alertando sobre a situação agravante da coleta.

O médico comenta com a equipe do Setor3 que nunca viu índices tão baixos de sangue. Em geral, essa situação é bem comum no fim de ano e em janeiro, a coleta cai bastante. Porém no momento atual, há o impacto da vacina da febre amarela. “A pessoa não pode doar após quatros semanas depois da vacina. Nós não podemos perder um dia. Mesmo com o aumento de divulgação para doação de sangue, não aumentamos a coleta. Não tínhamos nem atingido 10 mil bolsas de sangue. Com o carnaval, a população não vem doar. As pessoas viajam nessa época, ou pensam somente nos blocos”, afirmou.

As pessoas interessadas precisam atender os seguintes requisitos: ter idade entre 16 e 69 anos, 11 meses e 29 dias; não estar em jejum ou não ter ingerido alimentos gordurosos há menos de quatro horas; e pesar acima de 55 kg.

Os que não podem são: aqueles com histórias de doenças hematológicas, cardíacas, renais, pulmonares, hepáticas, autoimunes, diabetes, hipertireoidismo, hanseníase, tuberculose, câncer, sangramentos anormais, convulsões, ou portadores de doenças infecciosas cuja transmissibilidade através de transfusão sanguínea seja conhecida como Doença de Chagas, Hepatite, AIDS, Sífilis. Pessoas com doenças infecciosas agudas (estados gripais ou alérgicos). Cada medicamento deve ser avaliado individualmente, principalmente pela indicação de seu uso, o que pode excluir o doador, a critério médico. Outros quesitos estão aqui no link: http://www.bssp.com.br/orientacoes/quempodedoar

Quando questionado sobre o motivo das pessoas não terem o hábito da doação de sangue, o médico comenta que quando há mais visibilidade na mídia impacta diretamente no aumento das doações. “As pessoas são muito solidárias. Acredito que há uma deficiência por parte dos governos no sentido de solicitar apoio da população. Nós nunca passamos por situações de catástrofes ou guerras, como alguns países da Europa. Eles sabem o que é não ter sangue”, diz o hematologista que ainda defende ações de conscientização da doação de sangue para as crianças nas escolas.

Segundo o médico, mais de 20% das doações são de doadores voluntários e esse número precisa aumentar. “Temos que lutar para ter mais voluntários”.

A mulher consegue doar três vezes por ano, ou seja, ela pode doar a cada três meses. Já o homem doa a cada dois meses, que corresponde a quatro vezes por ano.

O ideal seria 12.500 bolsas por mês. Cada bolsa tem a capacidade de 460 ml. “Hoje não chega a 10 mil bolsas”, esclarece o médico sobre a situação de coleta do banco da Fundação Pró-Sangue, em São Paulo. O grupo sanguíneo com menos coleta é o O+.

Carlos Roberto levanta que os principais mitos sobre doação de sangue são: 1) na década de 1980, ocorreu um mito que havia contaminação do sangue pelo HIV durante a doação; 2) doar mais que uma vez, e que precisa fazer sempre; 3) você doa sangue e ele engrossa, ou faz emagrecer, ou engordar.

Com uma doação, você pode ajudar até quatro pessoas simultaneamente. Quando questionado sobre os principais benefícios da doação de sangue, o médico rapidamente responde que o principal é o psicológico: “Você irá ajudar alguém. Caso não dê para salvar, com certeza melhora as condições de vida dos pacientes”.

Entenda aqui as etapas de doação de sangue: http://www.prosangue.sp.gov.br/doacao/etapasdoacao.html

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