Diferentes coletivos culturais se reúnem e apresentam suas ações na Vila Itororó

ult-topo-culturacidadesEm formato de conversa descontraída, representantes de coletivos culturais e movimentos sociais se reuniram no início deste mês na roda de conversa A cidade que queremos é a cidade que quisermos?, do Seminário Cultura e Cidade, que integrou o Programa Cultura e Pensamento, organizado pela Secretaria de Políticas Culturais do Ministério da Cultura, que ocorreu no dia 4 de novembro, na Vila Itororó, no centro de São Paulo.

A ideia foi compartilhar experiências e práticas desses grupos que defendem o uso do espaço público para valorizarem a cultural local e questões políticas. Um deles foi um movimento mineiro que ocupa a Praça da Estação, que fica no centro de Belo Horizonte (MG). Segundo o representante deste movimento, este local é um dos principais locais de atividades culturais e reúne grupos musicais, pessoas de diferentes classes sociais e distintos experimentos culturais.

Já o Coletivo da Praça, de Fortaleza (CE), falou da Praça dos Leões, localizada no centro histórico da capital cearense, em que concentra atividades culturais. “Há outro olhar possível para quebrar algumas resistências, atrair pessoas interessadas em expor seus trabalhos”, afirmou o representante desse movimento. Ele ainda comentou que essas atividades estimularam o público a frequentar mais aquele espaço e até dar visibilidade desses equipamentos.

Outro participante também chamou atenção para as parcerias entre público e privado, como identificar as novas parcerias. “É muito importante construir uma rede em que todos possam dialogar e estamos construindo o diálogo sobre como. E se o governo investe na construção dessa rede”, afirmou uma jovem representante do coletivo Casa Amarela.

A urbanista e representante do Batata Precisa de Você lembrou que a praça foi um local que já abrigou migrantes e imigrantes. Após reformas urbanas, hoje o movimento defende o uso e a ocupação desse espaço com atividades socioculturais. “Quase todos os domingos temos alguma ação, as atividades são abertas e as pessoas viram que podia ser usada por elas”, observou.

Já Jorge Andrea, do Coletivo Inteiro, de Belém do Pará, falou que os encontros se encaminhavam para atender as demandas políticas. Para ele, a reforma urbana tem que se mesclar com a de cultura para combater a violência urbana. “A cultura precisa ser tratada de forma mais ampla, incluir tudo que está em pauta. A gente tem que criar nossos momentos e não depender somente do MinC”, pontuou.

Ju Pagu, de Brasília, idealizadora do movimento Que desligou o som?, contou sobre a ocupação do seu bar por diferentes coletivos culturais. Passou por inúmeras interdições da política, a primeira delas foi em 2010, e compartilhou como foram as audiências em que foi obrigada a depor quando o local era bloqueado. “Em 2008, foi aprovada a Lei do Silêncio. Querem acabar com os bares, os espaços abertos. É um local de celebração e de troca de afeto”. Ainda se classificou como a “defensora da alegria” e pontuou que a cultura urbana não pode ser criminalizada.

Serviço:

Os debates anteriores do Seminário Cultura e Cidade podem ser acessados aqui: https://goo.gl/QcTg1G

Confira as matérias feitas pela equipe do Portal Setor3:

Direito cultural à cidade é debatido em seminário do Ministério da Cultura
http://goo.gl/xZzEs1

Ministro da Cultura defende o engajamento do cidadão para ocupação das cidades em São Paulo
http://goo.gl/uO2SOj


Data original de publicação 16/11/2015