Diferentes atores sociais discutem a inovação na educação

ultnot-topo-socialgoodbrasilEm formato de roda de conversa, diferentes atores falaram sobre a educação para transformar o mundo. Cada participante representava uma das partes envolvidas da área: o aluno, o professor, representante da Secretaria Estadual de Educação, integrante de iniciativa de tecnologias em educação e responsável pela iniciativa voltada para inovação em iniciativas empreendedoras, políticas públicas, programas e ações de melhoria da qualidade de educação no Brasil.

Assim foi o formato do painel Repensando Educação para um Novo Mundo, dentro da programação do segundo dia do Seminário Social Good Brasil 2015, que ocorreu entre os dias 12 e 13 de novembro, no Centro Integrado de Cultura, em Florianópolis (SC).

A moderadora da conversa foi Lúcia Dellagnelo, representante da Iniciativa para Inivação na Educação Brasileira (IIEB), explicou que a roda tinha a proposta de mostrar a visão dos usuários, dos representantes de labs e de práticas educativas para gerar soluções. “Queremos mostrar a questão da contemporaneidade na educação, para identificar as ações e inovações”.

Anna Penido, diretora executiva do Instituto Inspirare, defendeu a tecnologia na educação para conseguir alcançar três grandes objetivos: os alunos aprenderem, eliminar a pobreza extrema, capacitar as pessoas e oferecer uma série de instrumentos. “ A gente não pode esquecer da qualidade e equidade”, reforçou. Dessa forma, ela defendeu a personalização da educação para não tratar o público como massa uniforme: “as pessoas são distintas e precisam ser consideradas nos espaços educacionais”. Ela defendeu trazer o movimento contemporâneo para a educação. “Não adianta digitalizar a escola tradicional, sendo que precisa mudar a dinâmica do processo educativo. Tem que rever e buscar para ver o sentido do mundo atual, aliado a muitas estratégias”. Ela ainda lembrou que todo grande agente de transformação sempre tem adulto de referência que, em geral, é o educador, o professor.

Julia Almeida Oliveira, estudante e jovem embaixadora da educação, representou os alunos. A primeira pergunta dela para a roda foi como eles enxergam o choque de gerações entre o aluno do século XXI, o professor do século XX e a escola ainda do século XIX. O público aplaudiu demais seu questionamento.

Anna comentou que os alunos não são ouvidos. “Temos buscado professor e aluno para criarmos soluções. Fazer com que as propostas saíam de dentro para fora. Que eles sejam os próprios agentes de mudança, porque estão no mesmo barco”.

Josi Zanett do Canto, professora da rede estadual de Santa Catarina e RExLab, comentou que há muitos problemas com a distração dos alunos com os celulares. Como resolver esse desafio? Os próprios professores criaram um bando de dados e desenvolveram um aplicativo para que todos tivessem acesso e que as publicações, livros e textos chegassem a todos os alunos. Dessa forma, eles estavam aprendendo.

Anna ainda disse que há muitas iniciativas de inovação na educação, mas ainda vai demorar muito para disseminar em muitas regiões do Brasil. Ela citou alguns exemplos: Sala Web, que ajuda o professor a criar centros de inovação nas redes. Ela ainda comentou que os professores precisam ser mais alinhados com design thinking, mais sensíveis e mais abertos.

A representante do Instituto Inspirare ainda comentou que muitos profissionais estão insatisfeitos com a escola no formato do século XX. Em sua opinião, as universidades ainda estão com dificuldades para entender esse professor. “É incrível aprender o DNA pegando na estrutura dele e ver os efeitos dele no organismo. Sobre a questão geracional, essa mudança do papel do professor, de ser um debatido, precisa conseguir fazer da formação continuada, uma mudança continuada”, afirmou.

Diego Calegari, da Secretaria Estadual de Educação de Santa Catarina, comentou que há escolas inovadoras ocorrendo com experiências ainda pequenas dentro de muitas escolas. ele ainda perguntou: “quais são as ações concretas para ímpeto amador regra e não exceção? Como a escola faz para essa inovação?”.

Anna Penido respondeu que para esse movimento aumentar é importante ter profissionais dentro das Secretarias de educação para empoderar e articular. É essencial ter respaldo do líder, que precisa de ajuda para garantir essa conectividade. Dessa forma, ela sugeriu a Internet na Escola, que as escolas podem fazer um teste gratuito durante 10 dias para ter conectividade para evitar que cada secretaria crie seu crowd to crowd. Ela ainda sugeriu duas plataformas: Escola Digital e especial do Porvir sobre Tecnologia na Educação.

“Acredito que para potencializar e que possam tomar suas soluções e perguntas avaliativas para gerar transformações. Para cada um de nós, é importante parar de querer ter o filho na faculdade, para que o próprio aluno não fique coagido e com medo de corromper com o sistema”, afirmou.

Lúcia ainda comentou a criação de centros de inovação com Natura e Inspirare para identificar propostas interessantes. “Não adianta inovar sem conversar com os atores do sistema. Dificulta mais a vida do professor do que facilita”, esclareceu.

Júlia disse que na escola há sim uma pressão dos professores passarem conteúdos que possam cair nas avaliações do Enem e vestibulares das universidades públicas e privadas. “Quem sabe um dia a avaliação será o acúmulo de atividades que você fez durante tudo o que você fez. Realmente valorizar, inovar e fazer. Não ficar só no falar”.

Para a professora, muitas responsabilidades ainda caem em cima do professor e ele pode fazer diferente. Também sugeriu fortalecer as discussões dos grupos de inovação na educação. já Diego defendeu que trabalhar no setor público tem um grande impacto, já que você pode influenciar na vida escolar de 600 mil estudantes. Para tudo isso acontecer, Anna receitou que é necessário competência, paixão e indignação.

Serviço:

Confira aqui os conteúdos dos debates no blog do Seminário Social Good Brasil 2015: http://socialgoodbrasil.org.br/postagens/blog

Escola Digital: http://escoladigital.org.br/
Site do Porvir: http://www.porvir.org/


Data original de publicação: 24/11/2015