Desenvolver a cultura de doação tem relação com progressão geométrica, segundo Marcelo Estraviz

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Para Marcelo, exponenciar número de doadores é como progressão geométrica

Com o título Cultura de doação: o que isso tem a ver com o captador? O palestrante e empreendedor Marcelo Estraviz contextualizou a importância do aumento da cultura de doação como uma progressão geométrica para exponenciar esse volume de recursos na manhã do último dia da oitava edição do Festival ABCR, em 6 de maio, no Centro de Convenções Rebouças em São Paulo.

Primeiro o presidente do Instituto Doar apresentou alguns dados para mostrar a situação de doação no Brasil. Atualmente é cerca de um Canadá inteiro a quantidade de brasileiros que doam seus recursos. E como eles doam? 14% é pela sociedade civil, 30% a pedintes, 26% responderam que não doam (sendo que mais da metade aqui diz que não doam por não terem dinheiro) e 30% a igrejas. São 5,5 bilhões de reais doados, de acordo com a pesquisa Child Fund e R. Garber.

“Essa cultura de doação existe e pode ser ampliada”, pontuou Marcelo. O escritor comentou ainda que é possível convencer o conselho de empresas para doar, mas depende de esforço coletivo. “Conseguimos sim e o melhor ator para fortalecer a sociedade civil é a própria sociedade civil, que pode desenvolver ações para contribuir com a cultura de doação”, disse.

Ele esclareceu o significado da expressão fundraising, que quer dizer nascimento de dinheiro. “Há uma sutileza conceitual. A força de conseguir mais dinheiro, não é uma tentativa que pode frustrar. Eu tenho metas por esforço, um trabalho de formiga e com organização”, defendeu Marcelo que também se lembrou que os captadores de recursos ficam muito focados em editais e se esquecem de seu objetivo de metas bem definidos para ajudar a desenhar seu plano de mobilização.

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O palestrante ressaltou a importância de um plano de captação de recursos bem diverso

O autor do livro Captação de diferentes recursos para organizações da sociedade civil disse que é bem alarmante a situação de algumas ONGs que dependem exclusivamente de grandes recursos. Elas podem correr o risco de perderem esse grande investidor e falirem. A saída seria investir esforço para conseguir captação com diferentes indivíduos, de pequenos a grandes investidores. Porque se sai dois não fará diferença em seu trabalho no dia a dia e consegue organizar melhor seus projetos e programas no dia a dia.

“Até pouco tempo o Brasil era um país de terceiro mundo e recebia recursos pela Cooperação Internacional Europeia via projetos. No começo até faltavam projetos, depois vieram as explicações, a importância da prestação de contas e implementação desse dinheiro. Já faz alguns anos que esse recruso não vem mais ao Brasil e se destina a países mais pobres”, contextualizou o palestrante.

Ele citou o caso da Oxfam que mudou sua atuação de financiadora de projetos a arrecadar e captar aqui no Brasil. “Uma organização saudável faz um mix de financiamentos para os recursos darem aos projetos e algo à parte do meu custeio. Não dá para começar a trabalhar não dedicar a financiar o próprio trabalho da organização”, defendeu Marcelo.

Para construir um plano de mobilização bem diverso, o ativista falou da importância de observar e estudar os múltiplos caminhos, não focar apenas no ponto de chegada, mas prestar atenção na riqueza de cada pessoa, elas podem ser parceiros e aliados em sua caminhada. “É um trabalho de formiga, que transforma em espaço de sorte e mais chances para sorte acontecer”.

Quando ele falou sobre a progressão geométrica, Marcelo quis mostrar o impacto da rede de contatos pessoais que podem contribuir no plano de mobilização de recursos. “Meus amigos no Linkedin diretos são 306, os amigos dos meus amigos já pulam para 44 mil e depois em outro patamar ficam em 3 milhões de contatos. Eu preciso de alguns deles, não de todos”, enfatizou.

Marcelo citou o caso de doação do Hospital de Câncer de Barretos voltada na distribuição de cofrinhos em espaços estratégicos. Foram espalhados de 50 a a100 cofres, que possibilitou na coleta de 200 a 400 mil reais a cada 45 dias. Também apresentou o exemplo de leilões de gados para captação de verbas. São atividades voluntárias que ocorrem em várias cidades do interior e ajudam a captar de 90 a 300 mil reais.

O palestrante ainda mostrou em sua apresentação que o modelo de captação baseado em múltiplas camadas é mais vantajoso do que única camada, porque irá atingir mais potenciais doadores.

No fim de sua apresentação, Marcelo resumiu algumas diretrizes para crescer com os outros: desapego – os outros irão fazer do outro; bom – é melhor que o ótimo jeito; cuidar dos outros – para que eles captem; gratidão é a moeda; ter planejamento de escalabilidade; promover intercâmbios entre fundraisings e fazer com sorriso no lábio e causa no coração.

8º Festival ABCR

Entre os dias 4 e 6 de maio, ocorreu um evento voltado para captação de recursos a organizações da sociedade civil no no Centro de Convenções Rebouças em São Paulo. Participaram deste encontro profissionais da área de captação e mobilização de recursos de organizações da sociedade civil; gestores de associações e fundações; acadêmicos, estudantes, pesquisadores e demais interessados em compreender a situação atual e as tendências desse segmento.


Serviço:

Acesse o site do evento: http://festivalabcr.org.br/

Foto: Divulgação

Data original da publicação: 11/05/2016