Defesa da democracia e inclusão de mulheres e negros nas empresas

Painel de encerramento contou com representantes de institutos e fundações que apontaram educação de qualidade a todos e combate à desigualdade.

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Diferentes atores enfatizam inclusão de mais mulheres e pessoas de baixa renda nas empresas. (crédito da imagem: Gabriela Cais Burdmann/GIFE)

Foram 110 pessoas circulando nas palestras abertas, mais de 220 visualizações de streaming, 100% das mesas em fotos e nos vídeos, cobertura de todas as mesas pelas redes sociais e 45 depoimentos com participantes e palestrantes, 10 mini documentários elaborados por doc makers selecionados por um processo e mais de 40 jornalistas credenciados. Esses foram alguns números da 10ª edição do Congresso GIFE, que ocorreu entre os dias 4 e 6 de abril na Fecomercio.

Com o título Público, privado e comum: chamados para novos campos de ação, o debate reuniu cinco diferentes especialistas representantes de institutos e fundações para pensarem nos avanços, os desafios e propostas para próximos passos da contribuição do setor privado e do investimento social nesse atual cenário. Participaram do painel pela manhã do último dia de evento (06/04): Ana Lucia Vivella, uma das acionistas e vice-presidente do Conselho da Itausa, do Conselho do Itaú Social, fundadora e copresidente do Alana; Atila Roque, historiador e diretor da Fundação Ford no Brasil; Dario Guarita Neto, administrador de empresas e presidente do Conselho da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal; Paula Bellizia, presidenta da Microsoft Brasil; Sergio Rial, presidente executivo do Santander Brasil; e mediação de Flávia Oliveira, jornalista da Globo e técnica em estatística.

Dario explicou sua área de atuação e como ele enxerga as oportunidades de investimento social privado.”O que é vira negócio, e o que não é está no campo das instituições. No mundo de hoje, os consumidores estão se apresentando como cidadãos conscientes e exigentes cada vez mais e como estão até produzindo seus produtos. Ele quer participar da empresa como empregado e comprador de seus produtos sabendo de onde eles vêm e como foi feito”. O palestrante também observa a velocidade da revolução tecnológica. Também vê que as fundações estão implementando mecanismos de mercado.

A mediadora ressaltou que atualmente a sociedade faz pressão para um comportamento mais ético por parte das empresas, se tornando uma demanda de mercado e que ela precisa se relacionar para sua própria sobrevivência. Ela perguntou como Paula observa esse movimento. A presidenta da Microsoft Brasil compartilhou que tinha mais de 24 anos de experiência no mercado de tecnologia. Ela ressaltou a importância de lidar com as diferentes perspectivas em um cenário de rápida revolução e bem disruptiva. Em sua observação, as empresas estão sentindo e revendo seu propósito e missão para direcioná-las ao correto e ao lucro, paralelamente está o olhar social. “No nosso caso, estamos com a questão da diversidade. Pessoas que pensam iguais não trazem criatividade, não há inovação, nem oportunidade”.

Paula ainda compartilhou que na Microsoft Brasil há quatro anos definiram como missão servir. “Dessa forma, nós empoderamos as empresas e as pessoas com tecnologia como meio e não fim”. Ela ainda defendeu a educação em prol do empreendedorismo. “Quero mostrar para as meninas ser CEO de uma empresa e é possível conciliar ser mãe. Nosso papel vai além e representa a diversidade. Eu só sonho incluir essa questão social dentro da empresa que conduzo aqui no Brasil. Queremos continuar sendo um dos motores para o processo de solução, através da tecnologia e dar acesso essa tecnologia a todas as pessoas, com uma inteligência artificial para colaborar com a transparência e acesso a oportunidades”.

Átila Roque, historiador e mestre em ciência política, começou sua fala enfatizando que o principal bem comum que temos e precisa ser defendido é a democracia. “Não podemos subestimar os avanços, o quanto a experiência democrática é muito nova no país e tem em sua história como uma arte e astúcia sofisticada de reinventar a desigualdade, seja racismo estruturante, seja no uso da violência, como violência organizada para organizar o poder, ou promoção ativa da desigualdade, que coloca alguns como portadores de direitos e outras não”. Ele enfatizou o momento em que vive a sociedade brasileiros nesses dias, mostrando a profunda crise de todas as instituições, inclusive o judiciário, crise de legitimidade, de representação e liderança. Também se atentou no risco tremendo de grandes paroxismos, dos extremos, da intolerância, e do enfraquecimento da empatia e a necessidade de cada um afirmar seu interesse.

O historiador ainda defendeu que o Brasil junto com países da América Latina foi visto como lugar de inovação mesmo na construção do conceito da democracia ativa. Também enfatizou a importância do local da sociedade civil para não delegar ao Estado, nem ao setor privado. Disse que há ainda muito para avançar na cidadania ativa, refletir os déficits não resolvidos. Comentou a importância da iniciativa do Fundo Baobá em reconhecer a trajetória de Marielle Franco. Ele se referiu à ação junto com a Fundação Ford, Open Society Foundations e Instituto Ibirapitanga em levantar um aporte inicial de US$ 10 milhões ao Fundo Baobá para Equidade Racial. “Esse é um passo fundamental para enfrentar essa crise do bem comum da democracia. Também acho importante observar esse lugar de privilégio, esse lugar que nós ocupamos, com muita humildade e apoiar que outros ocupem esses espaços para ter mais mulheres e pensar nas empresas, ontem painel de negócios de impacto, Celso Athayde afirmou a inclusão de negros nas empresas”.

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Neca Setubal e José Marcelo apontam últimos dados do evento. (crédito da imagem: Gabriela Cais Burdmann/GIFE)

A jornalista Flávia perguntou a todos os participantes da mesa como incluir os negros nas empresas. Dario defendeu a capacitação das novas lideranças e a importância de todos os atores participarem desse processo.

Já Ana, do Instituto Alana, disse que a saída está na educação: “Temos que trazer o protagonismo para toda a sociedade brasileira e ainda falta acesso à educação de qualidade”. Já o representante do Santander disse que esses gestores precisam se tornar responsáveis nesse processo e reforçou a necessidades das pessoas divulgarem notícias equivocadas, questionar a fonte. “O Brasil não precisa de Estado controlador”. Ainda compartilhou que as mulheres estão 66% nos cargos que vão até gerência. Acima desse patamar, o índice já cai para 20%. Ele defendeu que as empresas precisam ter planos concretos e atuação clara.

Já o historiador disse que a sociedade não pode silenciar, mesmo com ataques de intolerância e violência nos processos políticos. “Precisamos encontrar formas de defender com tudo o que podemos nos valores de igualdade e intolerância”.

No final da manhã do último dia de congresso, Neca Setubal, socióloga e doutora em psicologia da educação e presidenta do GIFE e José Marcelo Zacchi, mestre em administração pública e secretário- geral do GIFE, pontuaram avanços, obstáculos, sucessos nesta edição com a parte aberta que possibilitou a diversidade de atores no evento.