Debate fala sobre papel e atuação de aplicativos e plataformas que contribuem na inovação da política

espe-topo-congressogife2016Como olhar o sistema político atual com a cultura digital do século XXI? Cinco diferentes especialistas se reuniram num dos debates do 9º Congresso Gife no painel Democracia no século XXI: campo da inovação política na manhã da última quinta-feira (31 de março) na Fecomercio no centro de São Paulo. Esses participantes mostraram e falaram sobre jogos, aplicativos e novas maneiras de representação do cotidiano político para aumentar a participação popular em todas as esferas de poder.

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Ana Carolina da Fundação Avina também falou de práticas internacionais de inovação política

“Muitas cidades da América Latina possuem prefeitos com planos de metas que trazem novas lógicas, práticas e paradigmas de abertura de dados e isso precisa ser construído a longo prazo”, esclareceu Ana Carolina Evangelista, mestre em relações internacionais e gestão pública e gerente de programas da Fundación Avina com foco no acompanhamento de iniciativas de inovação política na América Latina.

O mediador da conversa foi Caio Tendolini, economista, ativista e desenvolvedor do Update – um projeto focado na compreensão e no impulso do campo da inovação política da América Latina. Ele comentou que atualmente a sociedade vive um ecossistema de participação política para diminuir o gap entre sociedade civil e governo. Em sua opinião, o investimento social privado que passe pela política é bem estimulado para contribuir com mais acesso à população.

Já a jovem Júlia Carvalho, ativista e membro do Labhacker, apresentou sua experiência na criação de jogos que podem ensinar política de uma forma divertida e interessante a qualquer público. Ela ajudou a desenvolver no projeto Fast Food da Política, uma iniciativa de crowdfunding para arrecadação no Catarse que incluía na criação de três jogos para explicar o funcionamento dos poderes nas esferas municipal, estadual e federal. Em sua análise, é uma chance de contribuir e até transformar a conversa sobre política em uma atividade mais amigável, porque ilustra o cidadão como um representante político por meio do jogo e passa a compreender a complexidade da atividade.

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O CEO do AppCívico Thiago Rondon ainda comentou que a tecnologia tem muito a contribuir nesse segmento, porém precisa ser utilizada de forma responsável, respeitando os valores da política. Questionou o emprego de softwares de código fechado em serviços públicos, por exemplo. Defendeu a transparência de dados para que possamos saber o que está acontecendo, já que a sociedade brasileira está em um momento no qual devemos discutir a responsabilidade, a tecnologia tem de ser aberta a todos os atores locais.

O responsável pelos programas de inovação na política e cidades e territórios do Instituto Arapyaú, Alexandre Schneider, as pessoas participam politicamente de maneira não assimilada das instituições tradicionais. Também questionou se eles usam os mecanismos de participação do Estado e se essas ferramentas são permeáveis, além do próprio interesse de cada um.

Ana Carolina comentou sobre programas da Fundação Avina direcionados para a construção de sociedades sustentáveis e as novas tecnologias contribuem na sistematização de dados, monitoramento da cidade e atuação do setor público para auxiliar em um diálogo mais dinâmico. Ela ainda reforçou que é importante olhar não somente para temas e processos, mas observar espaços e priorizar projetos para interagir e ver como estão organizados nessas novas lógicas em espaços de processos eleitorais e apoiar aos que estão propondo novas práticas. “Vamos apoiar, mas tentar entender como estão”, afirmou.

A gerente de programas da Fundação Avina disse que as iniciativas tecnológicas políticas podem trazer outras lógicas para promover esse diálogo. “É importante pensar como estão fazendo esse diálogo e criando espaços de diálogo”.

Thiago comentou ainda sobre o Marco Civil da Internet e a Lei de Informação que pedem que as instituições públicas estejam conectadas nessas ações e que compartilhem a implementação de seus recursos. “Como traduzir esses dados? Como jogar luz a esses dados para serem mobilizadores e não dá para forçar a mobilidade institucional e ao mesmo tempo se perguntar como aproximar o candidato”, questionou e defendeu que é necessário trabalhar inovação na sociedade civil sem esquecer a política institucional: “De alguma forma temos que resolver um momento que dialogue com a estrutura que está montada. Não apontar o dedo. Vamos juntos mudar o jeito de fazer da sociedade civil, porque é muito confortável criticar os políticos”.

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O mediador Caio Tendolini desenvolveu o Update, um projeto de inovação política

Ana Carolina ainda compartilhou que a Fundação Avina está sendo procurada por organizações que atendem partidos políticos e são responsáveis aos candidatos criem práticas de diálogos com os cidadãos. “Também nos interessa que essas políticas sejam adotadas no processo e operar com as instâncias”, pontuou.

Julia defendeu também a necessidade de tornar esses dados atrativos a todos, como trazer jogos a crianças e atividades de hacker a jovens. “Vira uma brincadeira e torna séria a questão. Se as pessoas tiverem que sofrer para estudar política, elas não vão se interessar. É necessário transformar esse processo, assim conseguiríamos conciliar e lutar pelo que as pessoas querem também”, opinou.

Serviço:

Confira o site do evento: http://congressogife.org.br/2016/
Veja aqui cobertura dos debates: http://gife.org.br/


Crédito do texto: Susana Sarmiento, com informações da comunicação do GIFE
Data de publicação: 05/04/2016