Debate fala sobre papel e atuação de aplicativos e plataformas que contribuem na inovação da política

12932866_1323854890961864_4232231519572641584_nComo olhar o sistema político atual com a cultura digital do século XXI? Cinco diferentes especialistas se reuniram num dos debates do 9º Congresso Gife no painel Democracia no século XXI: campo da inovação política na manhã da última quinta-feira (31 de março) na Fecomercio no centro de São Paulo. Esses participantes mostraram e falaram sobre jogos, aplicativos e novas maneiras de representação do cotidiano político para aumentar a participação popular em todas as esferas de poder.

“Muitas cidades da América Latina possuem prefeitos com planos de metas que trazem novas lógicas, práticas e paradigmas de abertura de dados e isso precisa ser construído a longo prazo”, esclareceu Ana Carolina Evangelista, mestre em relações internacionais e gestão pública e gerente de programas da Fundación Avina com foco no acompanhamento de iniciativas de inovação política na América Latina.

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Ana Carolina da Fundação Avina também falou de práticas internacionais de inovação política

O mediador da conversa foi Caio Tendolini, economista, ativista edesenvolvedor do Update – um projeto focado na compreensão e no impulso do campo da inovação política da América Latina. Ele comentou que atualmente a sociedade vive um ecossistema de participação política para diminuir o gap entre sociedade civil e governo. Em sua opinião, o investimento social privado que passe pela política é bem estimulado para contribuir com mais acesso à população.

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O mediador Caio Tendolini desenvolveu o Update, um projeto de inovação política

Já a jovem Júlia Carvalho, ativista e membro do Labhacker, apresentou sua experiência na criação de jogos que podem ensinar política de uma forma divertida e interessante a qualquer público. Ela ajudou a desenvolver no projeto Fast Food da Política, uma iniciativa de crowdfunding para arrecadação no Catarse que incluía na criação de três jogos para explicar o funcionamento dos poderes nas esferas municipal, estadual e federal. Em sua análise, é uma chance de contribuir e até transformar a conversa sobre política em uma atividade mais amigável, porque ilustra o cidadão como um representante político por meio do jogo e passa a compreender a complexidade da atividade.

O CEO do AppCívico Thiago Rondon ainda comentou que a tecnologia tem muito a contribuir nesse segmento, porém precisa ser utilizada de forma responsável, respeitando os valores da política. Questionou o emprego de softwares de código fechado em serviços públicos, por exemplo. Defendeu a transparência de dados para que possamos saber o que está acontecendo, já que a sociedade brasileira está em um momento no qual devemos discutir a responsabilidade, a tecnologia tem de ser aberta a todos os atores locais.

O responsável pelos programas de inovação na política e cidades e territórios do Instituto Arapyaú, Alexandre Schneider, as pessoas participam politicamente de maneira não assimilada das instituições tradicionais. Também questionou se eles usam os mecanismos de participação do Estado e se essas ferramentas são permeáveis, além do próprio interesse de cada um.

Ana Carolina comentou sobre programas da Fundação Avina direcionados para a construção de sociedades sustentáveis e as novas tecnologias contribuem na sistematização de dados, monitoramento da cidade e atuação do setor público para auxiliar em um diálogo mais dinâmico. Ela ainda reforçou que é importante olhar não somente para temas e processos, mas observar espaços e priorizar projetos para interagir e ver como estão organizados nessas novas lógicas em espaços de processos eleitorais e apoiar aos que estão propondo novas práticas. “Vamos apoiar, mas tentar entender como estão”, afirmou.

A gerente de programas da Fundação Avina disse que as iniciativas tecnológicas políticas podem trazer outras lógicas para promover esse diálogo. “É importante pensar como estão fazendo esse diálogo e criando espaços de diálogo”.

14555Thiago comentou ainda sobre o Marco Civil da Internet e a Lei de Informação que pedem que as instituições públicas estejam conectadas nessas ações e que compartilhem a implementação de seus recursos. “Como traduzir esses dados? Como jogar luz a esses dados para serem mobilizadores e não dá para forçar a mobilidade institucional e ao mesmo tempo se perguntar como aproximar o candidato”, questionou e defendeu que é necessário trabalhar inovação na sociedade civil sem esquecer a política institucional: “De alguma forma temos que resolver um momento que dialogue com a estrutura que está montada. Não apontar o dedo. Vamos juntos mudar o jeito de fazer da sociedade civil, porque é muito confortável criticar os políticos”.

Ana Carolina ainda compartilhou que a Fundação Avina está sendo procurada por organizações que atendem partidos políticos e são responsáveis aos candidatos criem práticas de diálogos com os cidadãos. “Também nos interessa que essas políticas sejam adotadas no processo e operar com as instâncias”, pontuou.

Julia defendeu também a necessidade de tornar esses dados atrativos a todos, como trazer jogos a crianças e atividades de hacker a jovens. “Vira uma brincadeira e torna séria a questão. Se as pessoas tiverem que sofrer para estudar política, elas não vão se interessar. É necessário transformar esse processo, assim conseguiríamos conciliar e lutar pelo que as pessoas querem também”, opinou.


Serviço:

Confira o site do evento: http://congressogife.org.br/2016/
Veja aqui cobertura dos debates: http://gife.org.br/

Confira abaixo a cobertura completa:

Investidores, especialistas e representantes de organizações da sociedade civil se reuniram na plenária final para verem as propostas finais da área de investimento social privado

Em atividade prática, participantes falaram de desafios, atividades do dia a dia e diálogo entre atores do investimento social privado e organizações

Para garantir um jornalismo independente, é necessário ter independência financeira e diferentes modelos de negócios

Presidente da Fundação Ford ressaltou a importância da honestidade nas relações entre atores sociais

Qualificação do debate político e fortalecimento de diálogo entre atores foram os pontos principais na abertura do 9º Congresso GIFE


Texto: Susana Sarmiento, com informações do GIFE
Foto: Divulgação

Data original da publicação: 05/04/2016