De ex-aluno do Senac São Paulo a empreendedor social

Ele já foi Jovem Aprendiz, bolsista no Tecnólogo de Produção Multimídia e no curso livre de Educador Social, hoje é intraempreendedor no Programa CorageN, da Natura.

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Murilo sempre viu a educação como uma forma de transformar sua vida e das pessoas ao seu redor. (crédito da imagem: arquivo pessoal)

Com 22 anos, jovem da periferia da zona norte de São Paulo (SP) concorreu com outros 22 mil candidatos e conquistou uma das 20 vagas do Programa CorageN, da Natura. Murilo Passos participou do Programa Senac de Aprendizagem quando adolescente, depois cursou um semestre do curso Tecnólogo Produção Multimídia e o curso livre Educador Social como bolsista no Senac Francisco Matarazzo. Neste último, aprendeu metodologias e ferramentas de análise territorial, de diálogo e mapeamento de interesses das pessoas para desenhar projetos educacionais na área social. Ele conseguiu desenhar uma iniciativa de empreendedorismo social no bairro Pimentas na periferia de Guarulhos (SP). “A ideia era desenvolver as pessoas do bairro e valorizar algumas habilidades que elas tinham dificuldade de monetizar”.

Murilo conseguiu bolsa PROUNI para o curso Tecnólogo Produção Multimídia no Centro Universitário Senac – Santo Amaro. Ficou apenas um semestre. “A distância e a questão financeira pesaram na decisão de abandonar a formação, porque eu realmente precisava trabalhar”, explica. O que poderia ser uma experiência frustrante, mostrou-se uma porta para outras possibilidades. Murilo é um jovem curioso e gosta do mundo das artes. Desde cedo fazia trabalho voluntário numa escola de seu bairro com intervenções artísticas e jogos teatrais com a intenção de aprender com as crianças e como elas se relacionavam com aquela realidade. Nos seis meses que ficou no curso, teve contato com um grupo de teatro do campus, que contribuiu para que ele aprimorasse as ações voluntárias e foi assim que ele se interessou em fazer o curso de Educador Social. Antes já tinha sido aluno do Programa Senac de Aprendizagem e participou do Empreenda Senac, uma competição de empreendedorismo e inovação voltada a alunos do Senac. Ali, teve o primeiro contato com o empreendedorismo.

“Eu me interessei em fazer Educador Social e me cadastrei como bolsista. Foi uma experiência incrível. Havia um grupo de pessoas engajadas. Até hoje temos uma rede ativa e trocamos ideias”, explica entusiasmado. E não é por menos, o curso de Educador Social do Senac traz uma diversidade de temas transversais, como a Agenda 2030 das Nações Unidas para o desenvolvimento sustentável e boas práticas para o trabalho coletivo, como ter empatia e se colocar no lugar do outro.

Sueli Nemen Rocha, bibliotecária, supervisora de bibliotecas da Prefeitura Municipal de São Paulo, docente do Senac São Paulo e com pós-graduação em Políticas Públicas, conta que ele sempre se destacou por ser participativo e colaborativo. Essas características e o conhecimento proporcionado pelo curso no Senac que levou Murilo a criar o projeto Birds no bairro dos Pimentas. A ideia dessa iniciativa era contribuir com a melhora na monetização dos pequenos empreendimentos locais dessa região, ajudando os interessados a desenvolver planos de negócios para pequenos projetos como venda de artesanato, utensílios de decoração etc. Para isso, ele se valeu de todas as ferramentas e as metodologias aprendidas no Senac São Paulo, direcionando-as para a realidade local. O projeto durou apenas seis meses, mas já delineou o perfil empreendedor do jovem educador social e foi fundamental para que ele superasse mais de 20 mil candidatos e fosse um dos escolhidos do programa CorageN, da Natura.

O programa foi lançado em agosto de 2018 e a turma foi contratada em novembro do mesmo ano. “Queríamos atender as necessidades da nova Natura, trazendo perfis empreendedores, pessoas com postura inovadora, de colocar a mão na massa e, por isso, fizemos um processo mais abrangente, com nenhum requisito de currículo, formação, graduação, gênero, idade e até idioma”, afirmou Rafael Campolina, da Natura. Para ingressar no programa, Murilo precisava ter uma história de coragem e apresentou o Birds como experiência empreendedora.

A iniciativa selecionou 20 pessoas de diferentes perfis e sem relação com as estruturas formais de áreas e cargos da Natura. Os projetos são desenvolvidos em parceria com a ACE, uma aceleradora de startups. Segundo Campolina, são quatro etapas na formação: 1º) Mínimo Produto Viável, 2º) fase de testes, 3º) crescimento e 4º) escala. Os participantes também têm contato com uma rede de mentores dentro da empresa e fora dela para ajudar na tomada de decisão dos empreendedores para os próximos passos de sua trajetória de negócios.

Murilo hoje trabalha na Natura. Seu trabalho é potencializar a rede da empresa para inclusão do público jovem. “Tem muito empreendedorismo jovem de forma positiva e podemos oferecer essa possibilidade de renda para esse público, principalmente para aquele do contexto periférico. Cada vez que sua capacidade de fazer é expandida, o sonho também é. Você pensa: Eu cheguei até aqui e aonde consigo chegar? O que pode me parar agora? Cada uma dessas conquistas, emocionais ou não, elas são um sumo, fruto de que dá certo no final no caminho que se trilha junto”, explica com o olhar firme de quem mira o futuro.