Cultura digital, postura colaborativa e mudança de valores contribuem para engajamento

14825Compartilhar, colaborar, valores mais humanos e comprometidos com a causa da sustentabilidade foram questões bem levantadas pelos palestrantes da Plenária Como engajar pelo propósito na manhã do segundo dia (22 de junho) do Sustainable Brands Rio 2016 no Armazém da Utopia, no Cais do Porto, no centro do Rio de Janeiro. Participaram deste encontro: Ernest Van Peborgh, Flávia Moraes, Pablo Benavides e Robert Schermers.

Ernesto Van Peborgh, engenheiro e empresário com MBA pela Universidade de Harvard, iniciou sua fala diferenciando o hacker do cracker, o primeiro é entusiasta e expert, já o cracker é um criminoso virtual. Com experiência profissional do mercado financeiro, o palestrante contou que se questionou em determinado momento sobre o valor social do meio ambiente e percebeu que nunca havia pensado na possibilidade valor. “Nós temos que pensar qual nosso propósito como indivíduos. No meu caso, tive uma crise pessoal que me ajudou a formar meu posicionamento”, pontuou.

espe-interna-ernestvan
Ernest compartilhou sua mudança de área profissional

O palestrante mostrou gráficos que mostram curvas de crescimento de impacto tecnológico e de consumo, o aumento de liberação de gás carbônico na atmosfera. Todas essas curvas são crescentes. Falou do aumento das novas plataformas a modelos de negócios tradicionais. Citou o caso do Uber como exemplo. Todos os atores estão envolvidos nesse processo, em primeiro os governos, em segundo as corporações, e em terceiro, os indivíduos.

Ele mostrou a capa da revista Time, de 2007, em que enfatiza o papel do cidadão, e após quatro anos houve outra capa com um manifestante para representar o poder das redes sociais com a Primavera Árabe.

Lembrou ainda que os propósitos de muitas organizações ainda são pautados em crescimento e lucro. “E precisamos de propósito novo”, disse. Citou o exemplo da plataforma Blockchain, baseada em computação em nuvem em conjunto com a empresa norte-americana ConsensYs, o que permitirá que as instituições financeiras possam testar a tecnologia bitcoin de maneira mais barata. Funciona como enorme e descentralizado livro contábil de todas as transações feitas com bitcoin, compartilhada por uma rede de computadores global. “O novo conhecimento sempre vem ligado com noção de coletivo. A Wikipedia é outro exemplo. 250 milhões de pessoas que podem criar conhecimento e cada vez mais está emergindo”.

Seguindo essa linha de pensamento, o palestrante citou os especialistas Peter e Ducker que escreveram o livro Sociedade Pós-Capitalismo, em que defendem que o recurso econômico não é mais o capital. “Tenho esperança com os jovens e com os novos atores, fazendo perguntas diferentes e ressoando de forma diferente”.

14851
Robert enfatizou a importância do refletir com propósito nas campanhas

Robert Schermers, administrador, da Innate Motion, compartilhou uma conversa com uma africana atendida por um dos programas sociais da Unilever. “Perguntei para ela o que a fazia feliz e ela me respondeu que não tinha nada, porque sua filha tem AIDS e seu marido faleceu com o mesmo doença. Ela disse que quando limpa sua casa e lava suas roupas, se sente diferente, como se estivesse lavando sua alma”. A partir daí ele começou a pensar na área de marketing da empresa diferente e com propósito e contribuições positivas.

Robert lembrou da propaganda do Greenpeace de 2011 sobre Volkswagen, em que já falavam que era uma empresa que estava mais preocupada com os custos e não com os ativos. Por isso, ele ressaltou a importância de aumentar financiamento a marcas sustentáveis. “É importante as empresas que querem conhecer as pessoas”.

O palestrante listou as questões que ele avalia importante as organizações aprenderem com os ativistas: escolher uma causa relevante para a sociedade e para sua marca, conectando temas de seu local, o Mandela usou seu movimento contra o apartheid como uma injustiça contra a humanidade, não somente a África do Sul; Movements Brands – apoiam a causas maiores e relevantes para sua marca (Natura, Patagônia, Dove, Tesla, entre outras); dar visibilidade – continuamente investindo na causa dele para dar visibilidade para investir, construir e investigar; e fazer junto – permitir outros participantes integrarem a campanha.

14849
Flávia apresentou o projeto The Comunication Revolution

A jornalista e crítica de cinema Flávia Moraes apresentou de forma interativa e dinâmica ao público o projeto The Comunication Revolution. Ela explicou que a iniciativa surgiu para criar respostas e bases teóricas a mudanças do grupo RBS. São mais de 300 horas de entrevistas no Brasil e dos Estados Unidos. “O ser humano é viciado em modernidade”, afirmou.

Foram 11 premissas levantadas nesse estudo: 1º ser verdadeiro – novo ser humano com novas habilidades; 2º ser confiável– credibilidade principal ativo-audiência – descobrir seu público, informar, formar e surpreender; 3º compartilhe, a cultura da participação para possibilitar as múltiplas oportunidades; 4º pense plural, com conceitos abertos e plurais, multifacetada e fragmentada; 5ª pense em mobilidade – novos formatos, convívio; 6º seja Beta – com autocrítica e abertura para mudança, não case com ideias, o definitivo é provisório; 7º pense a frente – abandone interpretações, evite fronteiras, a vida produz erros e acertos, o lucro é a remuneração de riscos; 8º pense maior para envolver qualidade de vida, transparência e responsabilidade social; 9º seja colaborativo, com a economia da colaboração na era digital nas gerações X, Y e Z, comprometimento coletivo; 10º seja intuitivo – intuir significa olhar com mágica da intuição, atenção e sabedoria; 11º seja útil – há utilidade sim no valor subjetivo: “Ele nos ensina que a face mais revolucionária é comportamental e envolve: compartilhar, colaborar, empoderar e valorizar o humano em sua diversidade”.

Segundo a jornalista, esse projeto pretende ser um convite para reflexão nessas premissas. “Após três anos, grande parte reside não só na existência, mas na crença e coragem de incorporar novos propósitos no caminho”, pontuou.

O evento

Em sua quarta edição, o evento reuniu pessoas e empresas envolvidas com a incorporação da sustentabilidade em seus projetos de negócios. O tema central foi Activating Purpose (em tradução livre, Ativando Propósitos), um dos principais temas hoje em dia, sobre como: criar vínculos com indivíduos, grupos e coletividades que permitam gerar coerência e engajamento para a realização de negócios no presente e no futuro. A programação ofereceu workshops, palestras e arenas de debates voltadas para a sustentabilidade e temas gerais, como: alimentação, moda, transportes, modelos de negócios e de produção, novos meios de comunicação, colaboração e o novo mundo do trabalho.


Serviço:

Site: http://events.sustainablebrands.com/sb16rio/

Confira a cobertura completa:

Workshop foca na avaliação de impacto socioeconômico para contribuir com marcas sustentáveis no Sustainable Brands Rio 2016

Especialista em relações governamentais fala como as empresas estão construindo suas marcas sustentáveis num cenário de crise

Consultores da CAuSE explicaram o que é engajamento das causas sociais, como se dá hoje, os elementos e princípios norteadores

Plenária aborda formas como impulsionar propósito coletivo na Sustainable Brands Rio 2016

Painel aborda questão de gênero para contribuir com desenvolvimento das marcas de empresas

O propósito das empresas foi o tema central da abertura do Sustainable Brands Rio 2016 no Rio de Janeiro

Workshop ressalta campanhas publicitárias voltadas para engajar público consumidor


Imagens: Divulgação
Data original da publicação: 01/07/2016