Criador do projeto FabLab@School valoriza a importância de espaços makers no processo de aprendizagem

 

Crédito da imagem Luciana Serra

Aprendizagem Mão na Massa foi o tema de um dos painéis do Transformar – a Educação está em Evolução, realizado pela Fundação Lemann, Inspirare/Porvir e Instituto Península e apoio da Futura, na terça-feira dia 25 de agosto, no Espaço Vila dos Ipês, na Vila Leopoldina, zona oeste de São Paulo. O palestrante foi Paulo Blikstein, professor da Escola de Educação e do Departamento de Ciências da Computação de Stanford e diretor do Transformative Learning Technologies Lab, ressaltou que todas as práticas inovadoras que estão presentes em instituições educacionais da elite precisam estar na rede pública de ensino.

O Transformar abordou currículo e interdisciplinaridade, competências para a vida no século 21, ensino híbrido, fabricação digital e cultura maker, formação de professores, avaliação, certificação, conectividade e empreendedorismo em educação. O evento foi destinado para gestores públicos, educadores, investidores, empreendedores, lideranças sociais e outros interessados em inovações educacionais.

Nesta edição, ainda ofereceu uma edição do Fab Learn, evento sobre fabricação em educação, cultura “maker” e aprendizado mão na massa, promovido pela Universidade de Stanford em parceria com o Programaê. Clique aqui para saber sobre esse espaço: http://goo.gl/1UbXza

O doutor em ciências da aprendizagem pela Northwestern University também defendeu que é interessante também oferecer atividades de ciências para engajar os alunos nessa área, não apenas olhar as notas em ciências e matemática. Para ele, o importante é trazer mais motivação dentro da escola, mais engajamento, do que prestar atenção nas notas. Ele ainda compartilhou que em 2011 houve uma pesquisa com estudantes dos Estados Unidos para saber se eles já sentiam cientista, ou engenheiro, ou outra profissão. Essa consulta foi feita para saber se o aluno conseguia estimar o que pretende seguir de carreira durante sua vida estudantil.

Já em 2009 o FabLab@School conseguiu trazer um espaço de “makers” para vários países e escolas. Paulo ainda elogiou um programa de fellows dessa área e a criação da produção de um livro que será no formato de um manual com as melhores práticas de “makers”.

O mestre em engenharia de sistemas digitais pela Universidade de São Paulo também apontou que falta pesquisas acadêmicas nesse tema. “Toda vez que se introduz algo novo na escola, todos esquecem de medir os resultados dessas novas tecnologias”, atentou. Mas como desenvolver pesquisas de aprendizados “makers”? O palestrante respondeu que é importante detectar o corpo do aluno a partir de seu movimento, o olhar dele, detectado por sensores e até tecnologias avançadas.

Paulo ilustrou sua fala com pesquisas. Uma delas é destinada para o impacto da produção e os resultados com vídeo-aulas, em que avaliaram dois grupos: um assistia vídeo aula e depois debatia o tema e o outro explorava o tema antes de assistir, que teve um resultado positivo – 30% conseguiram um desempenho mais alto do que anterior. O segundo comparou alunos em pares com notas boas e ruins numa atividade no computador. Os dois com notas altas conseguem uma grande aprendizagem, agora se mistura e o de nota alta com de baixa e o de alta fica no controle da atividade atingem uma aprendizagem baixa. Agora se o de nota ruim lidera a atividade, eles conseguem uma aprendizagem melhor e sempre trabalham em dupla.

Segundo o palestrante, uma das coisas mais difíceis nesses espaços é a aprendizagem da disciplina. Também citou algumas criações de estudantes nesses ambientes, como: criação de sistema para dar banho automático; placa para identificar momento adequado de irrigação em campos; desenho de laboratório de Fab Lab em escola de ensino médio em Palo Alto (Estados Unidos), para outros alunos receberem práticas “makers”.

Para o palestrante, a saída é focar na criação desses espaços dentro das escolas da rede pública. “É importante esses alunos expressarem seus talentos. Não tem que ficar sentados durante oito horas. Eles possuem uma cabeça transformadora, de criar e fazer a diferença”, defendeu o criador do projeto FabLab@School, que implementa laboratórios de fabricação digital para a aprendizagem de ciência e engenharia em escolas.

 


 

Acesse o site do evento aqui: http://transformareducacao.org.br
Confira cobertura da equipe do Porvir: http://porvir.org

Confira a cobertura completa do Portal Setor3:

Palestrantes falam sobre práticas de ensino híbrido no Transformar 2015

Gerente do Programa Ceibal, do Urugai, explica desafios e avanços com a iniciativa de inclusão digital

Grupos de mentoria podem ser uma saída aos professores para inovação em formatos de aulas, segundo CEO da Bloomboard

Secretária de Educação de Helsinque, da Finlândia, explicou características para currículo do século 21


Data original de publicação: 31/08/2015