Cooperativa para população em situação de rua: oportunidade de inclusão social

Um ex-professor de Educação Física, uma ex-advogada, um ex-metalúrgico, um pai de família, uma fotógrafa amadora. Todos têm uma historia em comum – são pessoas em situação de rua. Por doença ou perda de emprego, frequentam abrigos, albergues e vivem em moradias provisórias, um serviço da prefeitura disponível para que já está inserido no mercado formal ou informal de trabalho, mas ainda não tem condições de assumir gastos com moradia. Agora, estão unidos para desenvolver o projeto de uma cooperativa de fabricação e vendas de uniformes.

João Batista está desde o começo na luta pela criação da cooperativa e até trabalhou com setores de vendas e fabricação de uniformes para conhecer melhor o ramo. Sabe muito bem a situação de um morador de rua. Veio de Santos para conseguir um emprego em São Paulo, mas ficou cinco meses no albergue do Pedroso, no bairro da Bela Vista, zona central da capital paulistana, até chegar na moradia provisória Brigadeiro, um prédio que acolhe 120 pessoas.

Desde fevereiro de 2004, a associação de moradores da moradia provisória Brigadeiro começou a discutir a criação de uma cooperativa entre pessoas em situação de rua, pois todos queriam um trabalho só que não sabiam que caminho seguir. “Conhecemos as pessoas lá dentro e vimos que têm muitos na mesma situação. Por algum motivo, perderam o controle e acabaram em albergue”, conta João.

O grupo participou das reuniões do Orçamento Participativo (OP) da subprefeitura da Sé, em que algumas pessoas fazem propostas (metas) para inserir no orçamento da prefeitura para o próximo ano. Foram indicados dois delegados, um deles foi João Batista. “Colocamos uma proposta que a prefeitura reservasse uma verba para formação de cooperativa. Paramos de promover nossas reuniões a partir de março, para participar das reuniões da OP, mas a proposta não passou”, diz João Batista.

O grupo conseguiu apoio da Cáritas Diocesana Sé que está disposta a financiar cursos de formação para os cooperados e financiamentos de matérias-primas. A Cáritas Brasileira, órgão da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), é reconhecida como de utilidade pública federal e atende à população excluída, muitas vezes em parceria com outras instituições e movimentos sociais. Faz parte da Caritas Internationalis, uma rede da Igreja Católica de atuação social formada por 162 organizações em 200 países com sede em Roma.

Além da Cáritas, a cooperativa conta com o suporte da Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares, da Fundação Getúlio Vargas, responsável pela orientação aos cooperados sobre os princípios de cooperativismo e suporte técnico. A aluna de Administração de Empresas, Paola Ometto, vai dar aulas sobre os princípios de cooperativismo. Serão abordados pontos como: todo mundo tem um direito a voto; cooperativa como um centro de educação (capacitação dos cooperados); a livre entrada de cooperados no mercado, entre outros. “A gente ajuda a pensar em empreendimentos, administrar cooperativismo, aspectos técnicos como contabilidade, como fazer preço de venda e como elaborar um plano de marketing”, afirma Paola.

As reuniões ficaram paradas, devido à falta de espaço para realização da cooperativa. Recentemente, a prefeitura cedeu um espaço embaixo de um viaduto onde o projeto poderá ficar por 20 anos. O grupo está nas primeiras reuniões e se dividindo em comissões para divulgação da cooperativa em albergues, moradias provisórias e abrigos para conseguir o maior número de pessoas.

Maria José Ferreira de Oliveira, moradora da ocupação Prestes Maia, está animada para desenvolver um trabalho na cooperativa. “Trabalho com costura, fabrico calcinhas, tiro foto das famílias no Parque do Ibirapuera. Faço de tudo um pouco. Eu vim na reunião porque se for lucrativo estou dentro e também posso colaborar com algumas dicas de costura. Já chamei v árias pessoas onde eu moro, mas o povo não corre atrás das oportunidades”, conta Maria José. Na quarta-feira (24/11), o grupo ainda receberá inscrições dos interessados para dar início às aulas.

Serviço:

Quem estiver interessado em participar na cooperativa ou apoiar a causa, pode entrar em contato com João Batista pelo telefone: 9717-4497/ 8302-1401. O e-mail é ammpbrigadeiro@yahoo.com.br

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