Consultores da CAuSE explicaram estratégias de engajamento de causas sociais

14825“A causa está na sociedade. Nós ajudamos a identificar as demandas e propósitos das organizações. Qual é esse mundo que está emergindo?”, essa reflexão deu início ao workshop O engajamento na Era das Causas, organizador pela agência CAuSE, na tarde do primeiro dia do Sustainable Brands Rio 2016 no Armazém Utopia no Cais do Porto, no centro do Rio de Janeiro.

Ministrado por Leandro Machado e Mônica Gregori, o encontro focou na contextualização do engajamento, os elementos e os princípios relacionados. No final da capacitação, fizeram uma atividade prática com os participantes divididos em grupos para avaliarem duas campanhas, os elementos de engajamento e os principais princípios utilizados.

Mônica falou que as mudanças estruturantes possuem três grandes pilares: transição tecnológica, de estrutura de poder e modelo de redes. Quais foram os novos modelos e as novas lógicas? Segundo a consultora, isso se relaciona com baixar as barreiras de acesso descentralizado; igualdade e multiplicidade; colaboração e compartilhamento.

14843Com esse novo modelo mental, há uma transição de estrutura de poder que passa para as mãos dos indivíduos, que cada vez mais estão multiconectados. Ela também comentou que esse novo poder não só mudou de mãos, mas estão mais leves e colaborativas, além de seguir o lema: Do yourself (Faça você mesmo, em tradução livre).

Os palestrantes também ressaltaram a importância do valor da transparência e não dá mais para abafar as ciusas. “É tudo aqui e agora, a cultura da fácil adesão e as coisas estão fluídas e fácil de se engajar”, observou. Também pontuaram sobre a transição no modelo de desenvolvimento político, social, econômico e ambiental, traduzidos pelo documento Carta da Terra, elaborado por diferentes especialistas durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, conhecido como a ECO-92, no Rio de Janeiro.

A especialista comentou ainda sobre a importância de inspirar com novas formas de atuação, comportamento e valores. E, com essas alterações, foi compartilhado as principais mudanças de antes para depois: de instituições passou a ser organizações, controle para fluxo, organizações para organicidade, intermediário para plataforma, broadcast para nicho, de slogan para #hashtag, de idealismo para pragmatismo. Como a cultura e as marcas e lideranças convivem e precisam ser articuladas? “Várias lideranças já romperam paradigmas”. Ainda elencou os seguintes tópicos: 1º opinião, as grandes marcas estão se posicionando mais sobre temas pertinentes, por exemplo: a Nike cancelou recentemente o contrato com o boxeador filipino Manny Pacquiao pelos seu comentários homofóbicas. A segunda é coerência, o caso citado foi da Patagonia que divulgou uma propaganda na Black Friday para não comprar jaqueta deles se os consumidores não precisassem. A terceira é a transparência, o caso comentado foi da Volks que sofreu queda de 40% de suas ações na primeira semana depois do anúncio da fraude nos resultados em testes de poluentes.

Outra questão apresentada foi como resgatar a necessidade da sociedade conectada com a causa da ONG. Mônica comentou o caso da organização CDI, que foi criada nos anos 1990 com o objetivo central de democratizar a informática e essa causa se tornou antiquada para os dias de hoje. Eles mudaram para empoderamento digital. “O propósito real está relacionado em que a pessoa pode ela mesmo reprogramar o mundo e unir novas habilidades socioemocionais e tem condições de transformar suas vidas”. Seguindo essa linha, o CDI desenvolve o programa Recode. “É importante as marcas que sejam modelos e possam reconectar genuinamente. Poucas marcas chegam tão longe e falam de seu produto”, opinou.

Análise do engajamento

E o que está por trás do engajamento? São 10 princípios e 19 elementos relacionados. Leandro Machado, cientista político e especialista em comunicação internacional, explicou que o engajamento representa diferentes níveis de compromisso de indivíduos com uma causa de atividade, e varia de pessoa para pessoa com princípios norteadores.

O cientista mostrou uma tabela e descreveu cada um dos princípios de engajamento: o 1º engajamento finito, há um limite, o indivíduo não pode estar disponível mais de 24 horas por dia, por exemplo; 2º reciprocidade, quem quer autoengajamento, precisa oferecer alta recompensa; 3º não é binário, às vezes estou mais e outras menos; 4º essência, o que desejamos o que gostamos; 5º imediatismo – proporciona engajamento; 6º as decisões de engajamento são racionalizadas posteriormente; 7º engajamento é captura e geração de conteúdo e pode ser dividido em captura e desconstrução; 8º possui múltiplas camadas; 9º negativo tende sempre a prevalecer sobre o positivo; e 10º o engajamento associa experiência com expectativa – citou o caso de campanhas políticas, que em geral há muito o uso de medo e de esperança.

Três questões para considerar são: combinação balanceada, medição e não há ciência sem milagres. Entre os elementos de engajamento, estão: acesso, associações, pertencimento, estética, desejo, empatia, aprimoramento, fuga, experiência, comportamento de manada, integridade, intriga, envolvimento, significado, novidade, prazer, respeito, valores compartilhados e símbolos sociais.

O público assistiu dois vídeos de ações sociais diferentes e público ia discutir em grupos o que identificou de elementos de engajamento, qual possui mais elementos e princípios, e se foi envolvido por aquela ação. “As causas já existem na sociedade e temos que buscar essas conexões e nesse momento que é importante as estratégicas de engajamento”, enfatizou Leandro.

O evento

Em sua quarta edição, o evento reuniu pessoas e empresas envolvidas com a incorporação da sustentabilidade em seus projetos de negócios. O tema central foi Activating Purpose (em tradução livre, Ativando Propósitos), um dos principais temas hoje em dia, sobre como: criar vínculos com indivíduos, grupos e coletividades que permitam gerar coerência e engajamento para a realização de negócios no presente e no futuro. A programação ofereceu workshops, palestras e arenas de debates voltadas para a sustentabilidade e temas gerais, como: alimentação, moda, transportes, modelos de negócios e de produção, novos meios de comunicação, colaboração e o novo mundo do trabalho.


Serviço:

Site: http://events.sustainablebrands.com/sb16rio/
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Crédito da imagem: Divulgação
Data original da publicação: 30/06/2016