Conferência Ethos 2018 termina com compromisso com a democracia

Diferentes especialistas falam sobre a importância de acompanhar os movimentos de defesa da democracia.

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Diferentes atores sociais falam de plataformas e no final lêem documento para firmar compromisso com a democracia. (crédito da imagem: Susana Sarmiento)

Representatividade e renovação política foi o tema do último painel da Conferência Ethos 2018 (26 de setembro) na Expo Barra Funda na zona oeste de São Paulo. Novos Atores e Ideias que Invadem a Política Brasileira foi o subtema dessa discussão, que reuniu os seguintes participantes: Ana Luiza Aranha, consultora do Centro de Conhecimento Anticorrupção; Chico Whitaker, arquiteto e ativista social brasileiro; Gláucia Barros, diretora programática da Fundación Avina no Brasil; José Marcelo Zacchi, coordenador do Pacto pela Democracia; Marcelo Issa, sócio-diretor da Pulso Público; e Luiz Cornacchioni, diretor executivo da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag).

Nos dias 25 e 26 de setembro, Instituto Ethos promoveu diálogos sobre direitos humanos, integridade, meio ambiente, tecnologia, compliance, gestão sustentáveis, empresas e negócios, empreendedorismo e economia. Foram seis palcos simultâneos com diferentes temas no Expo Barra Funda, além de mostrar a trajetória da organização desde sua fundação.

José Marcelo lançou em abril deste ano o Pacto pela Democracia para marcar o debate sobre a crise da vida política e democrática, convergindo da conexão com políticas e com uma fissura que ocorreu em 2016 com a saída da ex-presidente Dilma Rousseff. “É fim de um ciclo de 30 anos em que marca o movimento democrático”, afirmou.

Ele ainda chamou atenção ao Índice de Desenvolvimento Humano, conhecido como IDH, que decresceu de 2010 para 2020, com o esgotamento de práticas éticas. “Vida democrática se faz com pluralidade”. Também falou que existe mais de 80 iniciativas para acompanhar para ter mais diversidade na política.

O palestrante ainda comentou que independente do resultado das eleições. É preciso encarar a reforma política para atingir em resultados mais legítimos. Apresentou ainda a plataforma Mapa de Iniciativa por Eleições Melhores, em que desafia as instituições para conseguir afastar essa ameaça para ter condições de seguir essa trilha.

Marcelo Issa, do Pulso Público, comentou que os movimentos de renovação política podem se converter em partidos. Ainda compartilhou que tem uma série de países regulando cada vez mais na renovação de práticas internas. Faz muito sentido nesse momento por falta de credibilidade e emergir nesses escândalos, além disso depois de quatro anos. “A gente estabeleceu desde o início com poder público, com transparência e equidade para conseguir aprovar uma cultura nesses quatro sentidos”.

Essa medida foi fundamental para conhecer os partidos, com práticas de dinâmicas partidárias. Era impossível ver contabilidade dos partidos. Todo ano tem uma pilha de papel que vai para o Tribunal Superior Eleitoral. É o primeiro sistema eleitoral e abrir as contas dos partidos. “Não há legislação específica para coibir essa prática. Esse tipo de prática pode contornar ações legais”.

Chico Whitaker se lembrou que há 30 anos assinou a Constituinte em que a sociedade aspirava pela democracia e do livro Se Me Deixam Falar, de Moema Wezzer, que conta a história da mulher casada com um trabalhador mineiro, Domitila Barrios de Chungara, que ficou mais conhecida depois ter dado um depoimento na Tribunal do Ano Internacional da Mulher, organizada pelas Nações Unidas, no México em 1975. “Domitila fala no livro de não largar o líder sindical para ele não virar, nem se vender com os lobos”.

O ativista social ainda comentou sobre a plataforma chamada Novo Congresso: https://www.umnovocongresso.org.br/ Oferece um roteiro para escolher os candidatos votáveis. “Temos que pensar no Congresso. Tivemos o Cunha, um representante bem perigoso e ainda há representantes com lógica de guerra. São aqueles com argumento: bandido bom é morto. Temos que reagir a isso, discutir entre nós. Teremos que aceitar a ideia de respeito às minorias, de diversidade e de trajetórias diversas, até para refletir o caráter histórico disso. Não podemos negligenciar a defesa da democracia. Temos um grupo junto comprometido com a democracia. Está no site: https://democraciasim.com.br/

Acesse o site: https://www.conferenciaethos.org/saopaulo