Como são as bibliotecas comunitárias no Brasil?

Pesquisa mostra o que são esses espaços, entender como funcionam e como impactam na formação de leitores.

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86,7% dessas bibliotecas estão em zonas periféricas de áreas urbanas em regiões de elevados índices de pobreza, violência e exclusão de serviços públicos. (crédito da imagem: Daniela Praça)

No final do ano passado, foi lançado a pesquisa Bibliotecas Comunitárias no Brasil: Impacto na formação de leitores. A publicação pretende contribuir com a identificação desses espaços, compreendê-los e dar visibilidade ao papel que eles fazem no processo de formação de leitores.

O levantamento foi realizado entre janeiro de 2017 até junho de 2018 e contou com 23 pesquisadores de campo para coletarem dados em 15 Estados e o Distrito Federal. Teve coordenação de Elisa Machado, do Grupo de Pesquisa Bibliotecas Públicas do Brasil, da Universidade Federal do Estado do Rio (UNIRIO); Ester Rosa, do Centro de Estudos de Educação e Linguagem da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); e Cidade Fernandez, do Centro de Cultura Luiz Freire (PE). Ainda recebeu apoio do Instituto C&A e da Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias (RNBC).

A amostra apresentou 143 bibliotecas, sendo 92 dessas integrantes da RNBC e as demais não possuem vínculo com a rede nacional. Os dados foram levantados presencialmente em 123 espaços e somente 20 tiveram seus dados coletados a distância. Mostrou que 86,7% dessas bibliotecas estão localizadas em zonas periféricas de áreas urbanas em regiões de elevados índices de pobreza, violência e exclusão de serviços públicos, 12,6% delas estão em zonas rurais e somente 7% em área ribeirinha. 66,5% das bibliotecas foram criadas por coletivos, grupos de pessoas do território e movimentos sociais.

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Pesquisadores Rafael Mussolini e Daniela Praça nas entrevistas de bibliotecas em Minas Gerais. (crédito da imagem: Daniela Praça)

É importante explicar que as bibliotecas comunitárias são criadas e mantidas pela sociedade civil com o objetivo de ampliar o acesso ao livro e à leitura em determinada comunidade, seus frequentadores são atuantes e participam ativamente nos processos de gestão e planejamento das ações.

O grupo ainda constatou que os profissionais que atuam nas bibliotecas cumprem diferentes funções, como: gestores, bibliotecários, facilitadores e mediadores de leitura. Também observaram que a prática da leitura compartilhada faz parte da identidade da maioria das bibliotecas pesquisadas. Outro dado importante é que os mediadores de leitura, pessoas que fazem a ponte entre os livros e os leitores é o alto índice de escolarização entre eles: mais de 90,2% têm ensino médio até a pós-graduação.

Além dos papeis de pessoas que trabalham nesses espaços, o estudo mostrou diferenças entre bibliotecas públicas e comunitárias. Essas são próximas, ficam localizadas dentro de territórios acessíveis e estão envolvidas com suas comunidades, seus espaços são pensados para assegurar a prática de leitura compartilhada, possuem acervo que priorizem o letramento literário, a gestão é compartilhada com outros agentes comunitários, a população identifica a biblioteca e os mediadores de leitura como referência para as pessoas e as comunidades, e que a maioria dessas bibliotecas se articula em parcerias e em redes locais.

Site da RNBC: https://www.rnbc.org.br/

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