Como o metrô pode ser mais rápido?

Representantes de transporte público falam os atuais desafios para atender bem a população pelo metrô e ônibus em São Paulo.

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Representantes de transporte público falam os atuais desafios para atender bem a população (crédito da imagem: divulgação)

Transporte público, estações de ônibus, aumento do conforto no dia a dia, aspectos de mobilidade sob trilhos e aspectos rodoviários, sem esquecer os pedestres e ciclistas. Foram os principais assuntos discutidos no 2º Seminário de Mobilidade Urbana, organizado pela Folha de São Paulo, na segunda-feira dia 22 de janeiro, no Unibes Cultural.

A primeira mesa foi sobre O que é preciso para o metrô crescer mais rapidamente? Reuniu Flamínio Fichmann, urbanista e consultor de trânsito e transporte; Leonardo Vianna, presidente da CCR Mobilidade; Paulo Menezes, presidente do Metrô de São Paulo; e Rui Costa, governador da Bahia.

Rui comentou que a obra do metrô em Salvador (BA) estava parada há 14 anos. Em sua opinião, essa ação não estava dando certo, porque os gestores responsáveis estavam tentando estruturar pelo município com receita per capita muito baixa. Em 2012, deveriam ter implementado 18 km e não chegaram a 6 km, ganhando o apelido de ‘calça curta’. Atualmente o governador comentou que estão inaugurando 9 km para garantir funcionamento para região metropolitana, incluindo: Lauro de Freitas, Cajazeiras e Águas Claras, que são comunidades populosas.

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Rui Costa, governador da Bahia, compartilha obras de metrô e integração com ônibus de lá (crédito da imagem: divulgação)

“Acredito que precisa acertar a modelagem de licitação para um novo tipo de contrato”, afirmou o governador da Bahia. O gestor público defendeu ainda que essas obras poderiam ser parceria público privada. Em sua avaliação, esse modelo possibilita compartilhar riscos, possíveis atrasos e buscar melhores resultados para a execução do projeto: “Os desafios a serem vencidos com as dificuldades da tipografia da cidade e a integração com sistema de ônibus. Tive que esperar 11 meses para construir uma passarela para sair alvará de paisagismo dela”.

O governador ainda comunicou que até dia 30 de janeiro a cidade irá contar com mais de 30 km de VLT para conectar o Mercado Municipal de Simões Filho até Ilha de São João. “Convidamos vários grupos chineses, ingleses e de outros países para concorrer ao edital que será publicado ainda este mês”.

O gestor da Bahia afirmou a obra do metrô contribuirá com o desenvolvimento da cidade e geração de novos negócios. “As obras de mobilidade estão entrando no cenário internacional”.

Já o presidente da CCR Mobilidade fala que esse assunto é o principal desafio nas médias e grandes cidades. Ele comentou que atualmente operam quatro modais de trilho em cada um deles com modelagens diferentes. O segundo desafio é a integração entre os tipos de veículos (ônibus, metrô, trem, VLT, entre outros) e esferas de gestões diferentes. Também defendeu a parceria público privada. Além disso, Leonardo também sugeriu uma autoridade metropolitana, uma figura neutra que ajudaria a decidir o que é melhor para o usuário para suprir todas as necessidades.

O presidente do Metrô de São Paulo comentou que são inúmeras possibilidades para ter obra rápida desse transporte. Primeiro passa por um bom planejamento e sua área de atuação a cada quatro anos, observando os fluxos e da onde eles estão saindo para aonde vão. A empresa realiza uma pesquisa a cada 10 anos.

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Paulo Menezes, presidente do Metrô de São Paulo, ressaltou a importância de bom planejamento para obra.

Paulo Menezes falou da importância de ter bons projetos. Para isso, é necessário ter recursos. “Esse tipo de projeto não pode ficar nas mãos de crise orçamentária”. O presidente ainda atentou que é preciso entender todo o contexto desse tipo de projeto, que envolve desapropriação de territórios, que impacta diretamente o cronograma e outras questões de infraestrutura. “Muita coisa ficará pronta agora no primeiro semestre de 2018”.

Flamínio compara São Paulo com Xangai (China). Lá o metrô foi implementado em 1993 e possui 637 km, já na capital paulista são 82 km. Ele ainda questiona o tempo desse tipo de transporte e a velocidade dele. Em São Paulo, é construído 1,9 km/ano de metrô, já em Xangai 26,5 km/ano. “Um dos motivos para isso é a estrutura do governo para dar agilidade, o aporte de recursos disponível”.

São Paulo possui integração com 38 municípios, segundo o urbanista. Ele ainda sinalizou que as decisões são dificultadas nas negociações pelo modelo de ônibus e metrô. O consultor defendeu a parceria público privado para oferecer maior eficiência e reduzir o tempo de implementação desse tipo de obra e possibilitar mais integrações com outros transportes.

Licitação de ônibus

A segunda mesa de debates foi centrada no novo modelo de licitação de ônibus da cidade de São Paulo. Participaram dessa rodada: Francisco Christovam, presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de São Paulo (SPUrbanuss); Gabriel Tenenbaum, especialista em transporte público do Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP); e Sergio Avelleda, secretário municipal de Mobilidade e Transportes de São Paulo.

O secretário comentou a complexidade nesse processo de estruturação desde 2013. Também ocorreu a incorporação de transportes considerados clandestinos e ajustes para as frotas atenderem cada vez melhor nas viagens. Explicou o edital para a consulta pública que ainda está em vigor e prevê duas camadas de subsistemas: estrutural e local. Um é destinado a longas distâncias e outro mais dentro de bairros. Também a criação de um terceiro sistema de distribuição, preferencialmente, entre os terminais para continuar operando atingindo as ruas dos bairros mais distantes. Atualmente são 17 km de vias e 4.700 pessoas são atendidas nesse tipo de transporte. A ideia é atingir 600 km, com sistema estrutural e de trilhos de média e alta demanda de corredores e de intermediárias de conexão.

Ele comentou ainda que algumas linhas de ônibus se sobrepõem a outras, as locais estão concorrendo com as estruturadas. Também explicou que a tarifa de remuneração baseada nos custos de pessoal, custo variável com espaço da garagem, administrativo e até depreciação do capital. É calculado com valor máximo que o empresário pode receber na linha sem sofrer ajuste.

Esse edital impulsiona regularização da frota, que impacta diretamente na redução do índice de acidentes, qualidade de atendimento ao usuário e diminuição das multas da frota por emissão de poluentes.

Gabriela também reforçou que esse tema é um jogo complexo e vive atualmente com a queda de números de passageiros. “Essa situação acarreta em viagem média de três horas. Se as condições fossem melhores, muitos migrariam para o transporte público”, afirmou. O pesquisador disse que na gestão municipal anterior houve um debate grande sobre a licitação com 33 audiências e defendeu que esse tipo de processo precisa voltar.

O palestrante ainda questionou o sistema de pagamento pelo custo: “Será que a SPTrans tem capacidade de fazer gestão disso? Será que o controle de partidas é necessário? Existe ainda satisfação de pressão para exercerem melhor serviço e sanções para serem adotadas e têm possibilidades de bom desempenho como na Índia para aqueles que não fazem multas”, sugeriu.

O especialista em transporte público também ressaltou que a maioria do público que utiliza é o feminino. “Pode ser interessante incluir no edital a paridade de gênero dos funcionários dentro das empresas de ônibus. Isso está saindo muito bem em Buenos Aires (Argentina). Elas podem atuar como operadores de fiscalização, já que são elas que usam mais esse transporte público”.

Por último, o pesquisador levantou algumas questões específicas sobre o edital: só 13% dos guias com prioridade, metas pouco ambiciosas, falta de planejamento com execução e aproximação dos pontos de embarque com a questão tarifária.

Já Francisco afirmou que o documento é uma nova minuta do edital. Os operadores desse sistema é quem estão sendo solicitados. Atualmente a lei vigente fala que essas empresas prestam serviço para a Secretaria Municipal de Transportes da Cidade de São Paulo até 20 anos.

O presidente do SPUrbanuss levantou os seguintes pontos: 1º) prestar serviço de boa qualidade com bons veículos (um ônibus articulado de três metros moderno e bem equipado custa em torno de 1 milhão de reais); 2º) infraestrutura adequada, para os ônibus circularem por vias adequadas; 3º) mão de obra preparada e capacitada para dirigir e tem que fazer curso sobre urbanidades, investir em equipes; 4º) monitoramento em tempo real; e 5º) considerar a comunicação com os nossos clientes. Nesse último item, Francisco disse: “Precisamos trabalhar com conceitos novos, porque o ônibus ainda desempenhará o papel de transporte público principal por muitos anos”.

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