Como está o consumo consciente no Brasil?

Pesquisa do Instituto Akatu traz desafios, barreiras e motivações dos brasileiros sobre o tema.

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Estudo mostra que houve um aumento da preocupação dos brasileiros com saúde. (crédito da imagem: divulgação)

Lançado na quarta-feira (25 de julho) pela manhã a pesquisa Panorama do consumo consciente no Brasil: Desafios, Barreiras e Motivações no auditório do Sesc Consolação, pelo Instituto Akatu, em que levantou dados sobre o perfil desse consumidor mais consciente.

Helio Mattar, presidente do Instituto Akatu, explicou que o público mais consciente está concentrado no público feminino, mais velhas (acima de 65 anos), bem qualificados com ensino superior e pós-graduação, das classes mais altas (A e B) e na região Sul.

O objetivo central do estudo é analisar a evolução e aprofundar a compreensão em relação à: consciência e comportamento do consumidor brasileiro rumo ao consumo consciente, percepção e expectativa do consumidor brasileiro quanto às práticas de sustentabilidade e responsabilidade social das empresas. Também pretende identificar direcionamento para a priorização das ações de sustentabilidade das empresas para aumentar a valorização de tais ações pelos consumidores e pelos líderes de opinião. Ainda avalia quantitativamente os resultados da pesquisa qualitativa do Akatu, de 2015: Barreiras e Gatilhos para o Comportamento Sustentável do Consumidor.

Foram realizadas 1090 entrevistas, com pessoas acima de 16 anos, homens e mulheres de todas as classes sociais, em abordagem quantitativa e entrevistas domiciliares. Essas consultas foram realizadas em 12 regiões metropolitanas de todas as regiões do país: 270 entrevistas no Nordeste, 440 no Sudeste, 180 no Sul e 200 no Norte/Centro-Oeste.

O estudo avaliou 13 comportamentos. Entre eles, estavam: ler atentamente os rótulos antes de comprar um produto, usa o verso da folha de papel, separa o lixo de casa para reciclagem menos sem coleta, fecha a torneira enquanto escova os dentes e outros. Já os respondentes foram classificados em: indiferentes (de zero a 4 comportamentos), iniciantes (de cinco a sete comportamentos), engajados (de oito a 10 atitudes) e conscientes (de 11 a 13 atitudes).

Nos comportamentos indicadores de consumo consciente, a economia lidera ranking e se destacaram as seguintes atitudes: desligar lâmpadas, fechar torneiras, desliga eletrônicos e esfria alimentos. Em segundo, aparece o planejamento, com: compra de alimentos, compra de roupas, pede nota fiscal e lê rótulos. Em terceiro está a reciclagem: usa verso do papel e separa lixo para reciclagem. Em quarto lugar, está a compra sustentável: compartilhamento de informações sobre empresas/produtos, comprou produto feito com reciclado e comprou orgânicos.

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Hélio Mattar, diretor presidente do Instituto Akatu, destaca e reflete os principais resultados do estudo.

Observaram que os indiferentes e iniciantes estão no estágio da economia. Já os engajados estão na etapa do planejamento. Por outro lado, os conscientes têm comportamentos ativos, além da própria casa. Os perfis de consumidores ficaram: econômicos, divididos em indiferentes (mais masculino, mais jovem, menor qualificação econômica e escolar) e iniciantes (similar ao indiferente, um pouco mais velho e um pouco mais qualificado econômica e educacionalmente); engajados (mais feminino e mais velho, qualificação econômica média e maior qualificação educacional); e conscientes (mais velho, maior qualificação econômica e educacional).

“O ideal seria se tivesse taxação necessária para recuo no hábito de ler rótulos”, afirma Hélio. O empresário ainda esclarece que o consumo necessariamente é uma prática social. Mesmo que a pessoa queira ter essa atitude, ele dependerá do que as empresas oferecem.

O estudo ainda levantou sobre o caminho que os entrevistados estão optando: o do consumismo ou o da sustentabilidade. Foram levantados 10 temas do cotidiano da maioria dos entrevistados, que são: mobilidade, alimentação, estilo de vida, resíduos, energia, água, durabilidade, afetividade, compras e lazer. Em conclusão, constatou-se que o caminho da sustentabilidade é o mais desejado do que o do consumismo: entre os 10 maiores desejos, sete seguem o caminho da sustentabilidade. O estilo de vida saudável lidera o ranking e ao mesmo tempo todos querem carro próprio. Em seguida, aparece: água limpa, preservando a fonte; alimentos saudáveis, frescos e nutritivos; e tempo para pessoas que gosto.

Outras observações são: aumentou o desejo por uma alimentação mais saudável, assim como a preocupação com a água e cresceu muito o desejo por ter carro próprio e se reduziu muito o desejo de usar energia à vontade. Checando as respostas divididas por regiões do país, estilo de vida saudável é o maior desejo em todo país, exceto no Sudeste, onde o desejo pelo carro vence. Ainda assim, vida saudável vem a seguir.

Em resumo, no ranking de preferências do consumidor, o desejo da população brasileira é claramente pelo caminho da sustentabilidade. O fio condutor nesta escolha é o desejo por um estilo de vida saudável, com foco em alimentação fresca e nutritiva. O desejo pelo carro próprio é maior desejo nas classes sociais mais baixas e entre aqueles que não têm carro.

Outros dados importantes em relação ao conhecimento sobre sustentabilidade: 68% dizem já ter ouvido falar em sustentabilidade e 61% não sabem dizer o que é um produto sustentável.

O estudo também observa duas categorias de gatilhos: emocionais e concretos. Gatilhos emocionais têm um pouco mais de apelo do que os concretos, que beneficiam a própria pessoa: 70% se sentem muito motivados pelos benefícios mais emocionais, 45% se sentem muito motivados pelos benefícios concretos. Também mostra que os indiferentes, além do gatilho da economia, afirmam ser mais sensíveis a gatilhos emocionais. Já os iniciantes, engajados e conscientes, por terem já incorporado mais comportamentos sustentáveis à sua rotina, são os mais sensíveis a gatilhos mais concretos e voltados para si.

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Além de observar aspectos do comportamento do consumidor, o estudo também traz dados sobre o que eles esperam das empresas. (crédito da imagem: divulgação)

Para cada grupo, há uma série de barreiras e gatilhos. Para atingir o público dos indiferentes, é necessário derrubar barreiras de percepção de preço, de falta de durabilidade, e de percepção de privação de pequenos prazeres. Eles são sensíveis a gatilhos emocionais e motivados por um futuro e um mundo melhor. Já com os iniciantes, o foco deve ser na construção de novos hábitos e na confiança no produto e nos pares, ressaltando tanto benefícios coletivos quanto individuais. Para os engajados e conscientes, é preciso superar barreiras de disponibilidade de produtos, de falta de informação e de falta de estrutura física adequada. As motivações são de natureza mais concreta e voltadas para o dia a dia.

O que os consumidores esperam das empresas? E o que os influencia na hora da compra? Essa foi a segunda parte do levantamento. Constata-se de que o consumidor é mobilizado por aspectos da ação das empresas voltados para o âmbito social. A força está mais na desmobilização do que na mobilização. Os indiferentes não mudam de marca ou produto, mesmo quando algo negativo ocorre no plano social ou ambiental. Já os iniciantes são mais suscetíveis a punir empresas do que a premiar. E, por fim, os engajados e conscientes são os mais sensíveis aos aspectos positivos da empresa e da marca/produto.

Nessa parte, nota-se que a expectativa da população em relação às empresas é que elas façam mais do que a lei exige, cuidando das pessoas e da sociedade. O desejo real dos consumidores é pelo caminho da sustentabilidade, mas ainda tem muita coisa para se fazer. E como ativar os comportamentos de consumo conscientes? As empresas são requisitadas para cuidar das pessoas para dentro e para fora, já os produtos poderiam viabilizar estilos de vidas saudáveis de vida e confiança nas organizações com informações consistentes e no longo prazo e nos pares e na comunidade.

Acesse aqui o estudo: https://goo.gl/LtRv4n