Como é ser pedestre em SP?

Pesquisa Viver em São Paulo – Pedestre, da Rede Nossa São Paulo, traz dados sobre esse tipo de mobilidade, como avaliam a infraestrutura e as principais demandas.

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O levantamento aborda hábitos, percepções e desafios dos paulistanos ao andar a pé na cidade. (crédito da imagem: divulgação)

Para celebrar o Dia Mundial do Pedestre (08/08), a Rede Nossa São Paulo, em parceria com o Ibope Inteligência, lança pesquisa Viver em São Paulo – Pedestre para abordar hábitos, percepções e os desafios de paulistanos ao andar a pé na cidade. Quais são os lugares que vão mais a pé? Quais os principais incômodos? E quais as ações da administração municipal deveria fazer para o bem-estar deles? Foram as principais questões do estudo.

Essa pesquisa foi co-construída com organizações de mobilidade a pé e realidade com apoio do MobCidades. Essa edição Viver em São Paulo – Pedestre integra série Viver em São Paulo, iniciada em 2018, da Rede Nossa São Paulo com Ibope, e cada mês são apresentados com recorte temáticos.

Foram feitas 800 entrevistas, entre os dias 03 e 23 de abril deste ano por meio de coleta face a face domiciliar e on-line em São Paulo. 54% foram mulheres e 46% homens. 39% ensino médio, 33% superior e 28% ensino fundamental. 28% com 55 anos ou mais, 20% com as seguintes faixas etárias: 25-34, 35-44 e 45-54. 40% possuem até dois salários mínimos, 33% com mais de dois a cinco salários mínimos e 27% possuem mais de cinco salários mínimos. 35% são da zona leste, 31% da sul, 19% da norte, 10% na oeste e 4% do centro.

16% das pessoas se deslocam a pé do trabalho e 8% se deslocam na ida a espaços culturais. A padaria é o lugar que os paulistanos de quatro a cinco regiões de SP vão exclusivamente a pé. Já no centro os pedestres também vão muito nos bancos e casas lotéricas e citam mais aonde tem oportunidades de deslocamento a pé. Já na sul, possui menos locais que vão a pé por causa da distância e tempo de deslocamento.

O que mais incomoda os paulistanos a pé? 68% responderam que são os buracos nas calçadas, 53% irregularidades das calçadas, 47% das calçadas estreitas e 39% falta de segurança. Os aspectos que incomodam o paulistano ao caminhar foram agrupados em três grandes eixos: estrutura, segurança e obstáculos.

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Pesquisa Viver em São Paulo – Pedestre mostra incômodo dos pedestres na falta de estrutura das calçadas. (crédito da imagem: Susana Sarmiento)

39% ainda falaram que ter sofrido os três tipos de queda avaliados na pesquisa (calçada, faixa de pedestre e bueiro) e 27% das mulheres afirmaram ter sofrido assédio na cidade. A manutenção das calçadas fica em primeiro lugar em todas as regiões da cidade, principalmente entre os moradores do centro da cidade.

Após a apresentação de dados, o debate reuniu: Kelly Cristina Fernandes, arquiteta e urbanista pela FAU-Mackenzie, pós-graduanda em Economia Urbana e Gestão Pública na PUC/SP, analista em mobilidade urbana no Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) e colaboradora na Associação Cidadeapé; Leticia Sabino, mestre em Planejamento de Cidades e Design Urbano pela UCL em Londres, administradora de empresas pela FGV – EAESP, com pós-graduação em Economia Criativa e Cidades Criativas, fundadora e diretora do SampaPé!; e Meli Malatesta, arquiteta e urbanista, mestra e doutora em Mobilidade Urbana Ativa – Mobilidade a Pé e Cicloviária pela FAU/USP; consultora em políticas públicas, planos e projetos para a Mobilidade Urbana Ativa; autora dos livros: Pé de Igualdade e A Rede da Mobilidade a Pé.

Meli aponta que os acidentes nas calçadas são considerados de trânsito e faltam dados para mostrar essa realidade. Também pontua que os cinco principais itens de problemas indicados pelos pedestres estão diretamente vinculados com a infraestrutura. Também criticou o tipo de gestão público que é dado para as calçadas.

Kelly Cristina, do Idec, chamou atenção para a quantidade de pedestres ao acesso a pontos de ônibus. Também comentou que muitos caminhantes são cuidadores: caminham para levar parentes para escola ou até cuidar de alguém que precisa. “Precisamos entender melhor essas dimensões e evidenciar os dados de segregação. Também entender quem é essa parte de pedestre que anda a pé por falta de recursos”.

Esse evento foi uma das atividades da Semana do Caminhar, promovido pela ONG
SampaPé! – um evento nacional que reúne diversas organizações para celebrar o caminhar, a forma de deslocamento mais utilizada nas cidades brasileiras. Neste ano o tema é Aprender Caminhando, que ocorre entre 4 e 10 de agosto. Acesse o site: https://semanadocaminhar.org/

Acesse aqui o estudo: https://bit.ly/2YBRpeg