Como as empresas contribuem para as cidades sustentáveis?

No palco laranja, no segundo dia, Conferência Ethos 2018 promove representantes de três grandes empresas para falar de planejamento para construção de cidades sustentáveis.

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Representantes de bancos públicos e construtora ressaltam a importância de escuta da população para pensar no planejamento do território para moradias mais saudáveis. (crédito da imagem: elenabs/GettyImages)

“Não basta pensar sobre habitação social, mas incluir o território. Como esses grandes investimentos poderiam ter inclusão e uma responsabilidade destinada a pensar no todo”, provocou Rauélison Muniz, gerente nacional de responsabilidade socioambiental e sustentabilidade da Caixa. Ele foi um dos participantes do painel O papel das empresas no desenvolvimento de cidades sustentáveis na manhã do segundo dia (26/09) da Conferência Ethos 2018, na Expo Barra na zona oeste de São Paulo.

Ele falou sobre o programa de habitação de interesse social, que já beneficiou mais de 14,7 milhões de pessoas e entregou mais de 3,78 milhões de moradias em todo país. Também envolve mais de R$ 350 bilhões em contratações, mais de 4 milhões de unidades habitacionais contratadas e mais de três milhões de unidades habitacionais entregues.

“Quando se movimenta em cidades desenvolvidas, o impacto não pode ser maior. As empresas que vão investir nesse capital precisam se atentar com a integração social do espaço”, afirmou Rauélison e chamou atenção que até 2050 82% da população estarão vivendo em áreas urbanas. Ele ainda ressaltou a importância de observar a situação social das famílias que vivem em regiões mais afastadas do centro urbano.

Túlio Pereira Barbosa, diretor de produção da MRV para o Estado de São Paulo, afirmou que sua empresa é a terceira maior construtora da América Latina. Sua atuação em sustentabilidade é focada em: aumento de produtividade, redução dos acidentes de trabalho e melhoria na logística do canteiro (não ter perda de material, nada sustentável). Mostrou ao público várias imagens de melhorias das regiões ao entorno com obras da empresa.

O representante da MRV explicou alguns projetos, como: energia fotovoltaica, em que pretende até 2022 todo residencial ter em seus empreendimentos nas 151 cidades para fomentar a energia limpa; mobilidade urbana, com instalação de ciclovias e ciclofaixas, um investimento em mobilidade urbana com bikes do bem dentro dos condomínios com investimento total de R$ 3.000.000,00; mediação de água individualizado; Vizinho do Bem, uma ação no entorno da comunidade com projetos de educação, saúde e de temas específicos. Ele esclareceu que 1% do lucro líquido da empresa é destinado para o Instituto MRV, que já envolveu 219 mil pessoas beneficiadas por programas voluntários. Já o programa Escola Nota 10 envolve mais de 180 escolas e mais de quatro mil trabalhadores beneficiados. Eles são alfabetizados dentro do canteiro de obras. O programa Portas Abertas ocorre desde 2015 e faz compensação de 100% das emissões de GEE, selo outo GHG Potocol Brasil, utiliza software destinado para gestão de sustentabilidade em climas. Terminou sua apresentação mostrando o Mapa de Afinidades, em que traz a empresa dividida por áreas alinhadas com cada meta dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável.

André Luís Souto Souza, gerente do Departamento de Gestão Pública de Município e Inclusão Produtiva do BNDES, ressaltou em sua fala a importância de entender o que o território precisa e a visão das pessoas sobre ele. Citou o caso do aplicativo do Sistema Único de Saúde. Outra ação apoiada pelo BNDES de desenvolvimento sustentável voltada para a melhoria da gestão pública. O palestrante ainda falou da qualidade dos gastos dos municípios de infraestrutura em relação aos impactos dos grandes projetos com uma visão multisetorial para resolver seus problemas.

Ele sugere num recorte determinado de território analisar para pensar em soluções, como: saneamento básico e equipamentos sociais (creches, escolas e postos de saúde). “É necessário preparar o ambiente urbano. Hoje o banco financia 90% e a taxa de juros é composta por custo de captação (6%), risco (1%) e linha de PNI (1,3%) e outras questões, que totaliza em torno de 9,2%. Mais de 90% dos municípios que procuramos não sabiam da possibilidade de contratação de empréstimos pelo BNDES”, atentou.

Rauélison Muniz comentou quando é banco como Caixa e BNDES essa questão se torna um problema de planejamento. Ainda sinaliza que muitos casos, cerca de 98% dos programas eram negados pela visibilidade de aplicação, com essa dinâmica se torna um desafio para a sociedade civil organizada. “Ela vai nos dizer o melhor caminho”, sinalizou sobre a importância de movimentos e organizações da comunidade.

Nos dias 25 e 26 de setembro, Instituto Ethos promoveu diálogos sobre direitos humanos, integridade, meio ambiente, tecnologia, compliance, gestão sustentáveis, empresas e negócios, empreendedorismo e economia. Foram seis palcos simultâneos com diferentes temas no Expo Barra Funda, além de mostrar a trajetória da organização desde sua fundação.

Acesse o site aqui do evento: https://www.conferenciaethos.org/saopaulo