Com linguagem acessível, livro orienta sobre os desafios e a implementação de projetos com sucesso

O livro fala de conceitos e orienta com a função de contribuir com a sustentabilidade das organizações.

sobre os desafios e a implementação de projetos com sucesso
Trabalhar numa ONG é compensador em ver o impacto social na comunidade em que atua.

Trabalhar numa ONG é compensador em ver o impacto social na comunidade em que atua. Por outro lado, manter as contas em dia, fazer uma boa gestão de pessoas e dos projetos em andamento ainda são tarefas desafiantes. Essas questões são discutidas numa linguagem bem fácil e com exemplos no livro SOS ONG – Guia de Gestão para Organizações do Terceiro Setor, da Gente Editora, de José Alberto Tozzi, lançado no final da semana passada.

Em cinco capítulos, a publicação fala sobre diversos conceitos e orienta para contribuir com a sustentabilidade de organizações sociais. Os capítulos são: os desafios do terceiro setor, o chamado de responsabilidade, a construção da base, a estruturação e a concretização dos ideais.

Com a vontade de sempre transmitir conhecimento, José Alberto explicou que sempre teve vontade de escrever um livro com esse tema incluindo essas questões. Ele ministra palestras e formações na área de terceiro setor, além de oferecer consultoria a organizações. Ainda comunica que após o livro pretende desenvolver cursos de educação a distância sobre gestão profissional do terceiro setor. “Essa área não possui uma cultura de gestão sedimentada”, observa o contador, que ainda comentou que costuma estimular seus alunos para abordarem temas pertinentes a ONGs em seus trabalhos de conclusão de curso.

Na primeira parte do livro, há uma contextualização do terceiro setor mostrando quais são as entidades sem fins lucrativos (associações, fundações, institutos, ONGs, entre outros), estatutos, a lei 13.019/2014, e levantamento inicial e resumido dos principais desafios desse segmento: a falta de recursos, os riscos de sustentabilidade, diferencial competitivo na captação de recursos, contrapartida de recursos públicos, falta de conhecimento e metodologia de gestão, mensuração de resultados, dificuldades em atingir os resultados sociais e falta de títulos e certificações.

Numa linguagem acessível, o autor descreve esses pontos com exemplos para contribuir que as organizações consigam ter bons resultados com base na legislação vigente ao setor, dicas e orientações na escolha de práticas de gestão para se tornarem atuantes e sustentáveis.

Observando as organizações sociais, o autor comenta que elas estão melhor equipadas de profissionais, porém sua preocupação está nos cargos de atividades meio. “São todas as atividades de suporte, mas elas também executam as de fim”, afirmou. Ele ressalta a importância de bons profissionais para atuarem no controle financeiro de projetos, na contabilidade e na prestação de contas e que possuam uma boa visão de governança e de sustentabilidade. “Houve uma evolução, mas ainda não é suficiente o processo de gestão profissionalizado. Eles costumam falar que não tem dinheiro, mas vamos ver se não tem dinheiro mesmo. Talvez seja um problema de planejamento, ou que tenham começado o projeto antes do dinheiro assegurado, ou até um lançamento inadequado. Há vários fatores que contribuem para esse problema de recursos. Minha proposta é investigar o porquê dessa situação”.

A segunda parte é voltada para explicar os principais pontos de conhecimento necessário para a missão da organização, como: planejamento, planejamento estratégico, a importância da transparência e o objetivo da organização, dividido em missão, visão e obra. No final desse capítulo, o autor reforça que ele desenvolveu uma linha guia para que qualquer organização seja bem-sucedida no cumprimento de seu papel.

Em A Construção da Base, José Alberto explica com mais detalhes cada etapa necessária da organização, como as etapas do planejamento eficaz, planejamento anual (baseados nas seguintes questões: Quais projetos serão executados?/Qual o volume de recursos necessários?/ Quais são os fontes de recursos?/ Qual é o volume de despesas indiretas?), os parceiros das ONGs (empreendedores sociais, governança voluntária, funcionários celetistas, estagiários e voluntários), e a sustentabilidade – nessa parte, ele inclui a sustentabilidade financeira, diagnóstico, apuração e restruturação dos custos e até o cálculo de sustentabilidade mínima. Cada um desses itens é explicado de forma bem didática acompanhado com exemplo.

Outra observação do consultor é que muitas organizações falham no planejamento. Na correria do dia a dia, esses gestores focam apenas na solução dos problemas diários de projetos e se esquecem de reservar tempo de planejar. “As pessoas acham que é um grande dispêndio de tempo e de tecnologia que não tem. O planejamento tem o tamanho exato da sua entidade e do seu orçamento. Se uma entidade for bem pequena, você consegue fazer o planejamento em duas horas. Agora se for maior com projetos mais sofisticados, a organização terá que reservar mais tempo. Costumo explicar e até disponibilizo uma planilha. Acredito que tem que desmitificar essa cultura que se tem do planejar”, comenta.

Em A estruturação, o autor esclarece questões pertinentes para viabilizar os projetos da organização, como: planejamento financeiro, orçamento, governança, captação de recursos e fluxo de caixa. Depois ele sugere normas de contabilidade destinadas a organizações sem fins lucrativos, os fluxos dessa contabilidade e as demonstrações contábeis. E, por último, vem A Concretização dos Ideais em que fala o resultado dos projetos e ressalta a transparência e prestação de contas, como deve ser feito e para quais atores sociais a organização precisa encaminhar. Ele ainda explica um processo de prestação de contas, que envolve: captação de recursos, execução do contrato, controle financeiro, contabilidade e prestação de contas.

Uma das principais dificuldades quem passam essas organizações, indicadas pelo autor, é a falta de metodologia para contribuir a terem uma visão sistêmica de seus processos. “Tenho proposta uma metodologia de processos em que trata a ONG como um organismo vivo”, afirma. José Alberto ainda ressaltou que você esses atores captam recursos, mobilizam esse capital executando o projeto, e precisam de uma gestão financeira. Para isso, é necessário ter uma contabilidade para registrar todos esses processos e prestar contas. “Todo mundo fala de profissionalização das ONGs e isso me incomoda um pouco. O que eu tenho dito é a gestão profissional do terceiro setor. A gestão precisa ser profissionalizada”, defende.

Em sua metodologia, o autor fala do processo de gestão de ONGs em que o planejamento inclui: gestão do marco regulatório, mobilização de recursos, execução de projetos, gestão financeira, controle contábil, prestação de contas e governança.

Na conclusão, o consultor e professor defende quatro itens: respeitar fielmente a legislação e as normas vigentes, planejar para conseguir a autossustentabilidade, prestar contas à sociedade de modo transparente e gerar conhecimento. No anexo, o leitor poderá contar com uma explicação bem simplificada sobre os dez passos para começar uma ONG, além de conceitos e legislação da área e referências bibliográficas.

“Acredito que ainda falta um pouco para as organizações. Quando falamos da região Sudeste, estamos um pouco avançados. Agora quando você fala das realidades do Norte, Nordeste e Centro-Oeste, ainda precisam avançar alguns pontos. Tem que ter disseminação desse conhecimento para ganhar escala. O livro e a internet podem contribuir na disseminação de informação”, opina.


Data de publicação original: meados de novembro/2015