Coletivo de fotógrafos lança banco de imagens com o dia a dia das periferias

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16486961_250657105360393_8823431339256531559_oRegistrar o dia a dia da periferia é o principal objetivo do banco de imagens do Coletivo Di Campana. É formado por cinco pessoas, sendo quatro homens e uma mulher. Todos têm uma relação com a fotografia e a periferia das grandes cidades. Para romper com os estereótipos da periferia, eles decidiram lançar um banco de imagens, lançado em janeiro deste ano. Trata-se de uma plataforma para reunir o trabalho dos quatro na fotografia.

A ideia do banco de imagens é reunir muitas fotos que esses profissionais possuem sobre o cotidiano da periferia e divulgar nas redes sociais. “Entendemos que tem muito pouco da periferia na mídia. Ela ainda apresenta a periferia de forma pejorativa, estereotipada e rasa. Como temos esse material, decidimos disponibilizar”, explicou José Cícero da Silva, jornalista, fotógrafo e videomaker.

José também pontuou que esse material pode ser utilizado gratuitamente por veículos voltados para periferia com pouca estrutura, que não possuem condições financeiras de ter um fotógrafo em sua equipe. Também podem usar organizações sociais, movimentos sociais e outras organizações que teriam interesse pelo material. “Se algum órgão com estrutura maior, tiver interesse em negociar como cliente, teria uma cobrança por esse serviço e valor depende da negociação”.

14606258_206554386437332_3770069508252032778_nEsse coletivo atua apenas com fotografias e faz parceria com algumas organizações, como o Projeto Viela, que atua com futebol e rodas de leitura com crianças e adolescentes no Jardim Ibirapuera, em São Paulo. Atende ainda os seguintes bairros: Jardim São Luiz, Capão Redondo, Campo Limpo e Brasilândia.

O coletivo é formado por quatro homens e uma garota. José Cícero atua como fotógrafo e videomaker da Agência Pública e contribui para o Projeto Viela; Leo Brito é outro integrante mais voltado para atividades socioculturais. Já Gesse é envolvido com as comunidades e atua em um projeto de revitalização de espaços degradados através da arte e trabalho coletivo, a Revitarte. Wesley é o mais novo e está ainda no processo pedagógico do coletivo e atua no Bloco do Beco, uma ONG que contribui na formação humana e na garantia humana e dos direitos de crianças e adolescentes por meio da educação pela arte, valorizando a cultura popular. A única mulher é Nana, envolvida com o movimento negro e integrante de um coletivo feminista.

“Eu fiz uma foto em cima de uma laje à noite e aparecia um grupo de meninos de 10 anos numa roda olhando para as algumas coisas em suas mãos. Uma amiga viu a foto e comentou que na primeira olhada rápida pensava que eram meninos do tráfico. Não era isso. Eles estavam brincando com seus celulares. Essa imagem construída já é muito disseminada. Aqui não tem só tráfico e há veículos de comunicação que só fazem esse recorte da favela: violência, política, cadeião, bandidos. Respeitamos, mas queremos mostrar que não é somente isso. O cotidiano é outra realidade. A fotografia é um instrumento muito potente na mão e usar isso de forma inteligente pode ajudar a dar visibilidade a outras coisas que acontecem lá”.

Segundo José, um dos idealizadores do coletivo, a expectativa desse coletivo é que as imagens fortalecessem outras imagens relacionadas com a periferia, do que ocorre de fato nesses bairros. “Queremos que as pessoas tenham contato com essa arte. Na periferia, tem alegria, é colorida, pessoas sorrindo e tomando banho de chuva”, enfatizou.

Serviço:

Conheça aqui: https://www.flickr.com/photos/149801498@N06/
Fanpage: https://www.facebook.com/dicampanafotocoletivo/


Data de publicação: 14/02/2017