Chef de cozinha fala sobre seu e-book com receitas veganas doces sem açúcar

Bióloga e pesquisadora em agroecologia busca na alimentação a importância da agricultura regenerativa para a saúde e o bem estar do planeta.

Foto de capa de e-book com imagens de alguns pratos e texto central: Receitas VEganas Doces Sem Açúcar e árvore Cheiro de Floresta - Por Camila Lopes Costal.
Há receitas para comer gelado, quente e algumas coringas para todas as ocasiões. (crédito da imagem: arquivo pessoal)

Em período de quarentena, as famílias estão cozinhando diariamente. A equipe do Setor3 conversa com a Camila Lopes Costal, educadora ambiental, fitoterapeuta e facilitadora de oficinas do Sesc desde 2013, sobre seu e-book Receitas Veganas Doces Sem Açúcar, próximos projetos, qual fruta é bom ter em casa e sua cozinha afetiva vegana agroecológica.

A idealizadora da Cheiro de Floresta ama a cozinha e a natureza. Aos 11 anos se tornou vegetariana e se envolveu ainda mais com a culinária. Em 2011, grávida, se identificou com o veganismo. A mãe de Santiago, hoje com oito anos, vegano desde a gestação, compartilha a receita de panqueca de banana no final da entrevista. “Como tivemos que parar a produção da nossa cozinha por questões de segurança, respeitando a quarentena, tive a ideia de escrever o e-book e pedir contribuições voluntárias para que nossos clientes, amigos e quem sempre nos apoiou pudessem nos ajudar nesse momento crítico e em troca receber nossas receitas especiais”, explica a chef culinarista.

Foto de Camila misturado panela em cozinha industrial.
Camila pretende incentivar que os pais levem as crianças para a cozinha nesse momento para criarem mais memórias juntos. (crédito da imagem: arquivo pessoal)

Portal Setor3- Quantas receitas veganas no total você já criou?
Camila Lopes Costal – Todos os dias estou na cozinha e pode-se dizer que estou sempre criando. Muitas vezes tenho como referência pratos tradicionalmente não veganos e recrio com ingredientes 100% vegetais. Adoro o poder criativo da cozinha vegana, de fazer bolos fofinhos que não precisam de ovos nem manteiga para crescerem e ficarem saborosos. Usar a criatividade para intensificar o sabor dos legumes, frutas e vegetais e preparar pratos únicos que tragam conforto, com memória afetiva e que faz com quem coma se sinta amado.

Portal Setor3 – Pensa em fazer outra versão de receitas salgadas ou doces parte 2?
CLC – Sim, já estou formulando novos e-books. Espero em breve lançar um de leites e queijos vegetais e um de receitas salgadas para lanches e café da manhã.

Portal Setor3- Nessa época de quarentena, qual fruta que você indica para ter em casa pela ‘versatilidade’ no cotidiano?
CLC- Sem dúvida a banana, por ser uma fruta tão nutritiva, barata e versátil. Como ela podemos fazer bolo e panqueca (receita no fim da entrevista), farofa para acompanhar uma moqueca vegana. Também podemos congelar e depois processar e temos um sorvete, dá para fazer banana bread (receita que espero em breve compartilhar na nossa página do Instagram). Enfim, banana é uma fruta que não ficamos sem.

Portal Setor3- Na gestação, você já evitava açúcar? Quando reduziu ou cortou da tua alimentação? Sente diferença no dia a dia? Se sim, qual?
CLC- Na gestação evitei açúcar e alimentos industrializados, de forma geral. Não dei açúcar para meu filho até os três anos. Sempre priorizei o açúcar natural das frutas. Não adoçamos sucos nem chás. Quando usamos açúcar em alguma preparação, optamos pelo mascavo, demerara, rapadura, ou melado de cana.

Foto de Camila na plantação de couve manteiga em horta.
Comanda a cozinha escola Cheiro de Floresta. Realiza eventos, como: coffebreaks, casamentos e buffets em geral. (crédito da imagem: arquivo pessoal)

Portal Setor3- Como uma cozinha afetiva vegana e agroecológica contribui para o movimento de sustentabilidade?
CLC – Nós acreditamos que alimentar-se é um ato político, cheio de significância. O mundo gira em torno da produção do nosso alimento, as cidades surgiram com a descoberta da agricultura e o alimento é uma parte fundamental da nossa sociedade. Dessa forma, a maneira como nos alimentamos e com o que nos alimentamos está diretamente ligada ao que é produzido e como é cultivado. Por exemplo, o plantio da monocultura industrial que ainda hoje nós insistimos em adotar em grande escala e como principal modo de produção é extremamente nocivo ao meio ambiente e às pessoas também. Além de afetar nossa saúde, tudo que impacta a natureza nos afeta. Não somos um ente separado dela e o mais cruel é imaginar que no mundo inteiro as grandes plantações não estão a serviço de alimentar o povo. Pelo contrário, são negociados como commodities, exportados para o mundo inteiro, liberando muito carbono na atmosfera, no transporte, e outras formas. Ainda temos o papel fundamental da defesa da filosofia vegana em que estamos incluídos. Se nos restringirmos apenas ao fator alimento – veganismo não é dieta somente -, podemos dizer o impacto negativo que a produção de carne e derivados tem na natureza, começando pelo desmatamento constante com o avanço da fronteira agrícola, passando pela contaminação do volume gigantesco de utilização da água, em que para produzir 1 quilo de carne gasta-se quase 16.000 litros de água, e essa mesma quantidade de milho consome 900 litros de água. E o pior: a grande maioria do milho (como a soja e outros grãos em grande escala) são utilizados como ração para a indústria da pecuária. Por isso, quando optamos por alimentos agroecológicos, de pequenos produtores agroflorestais ou orgânicos, preferencialmente do produtor local, evitando a poluição do transporte de grandes distâncias, mudamos essa lógica nociva de produção, cuidamos da nossa saúde e da natureza que nos acolhe nesse planeta!

Receita de Panqueca de Banana
Ingredientes:
o 1 banana nanica madura
o 4 colheres de sopa de farinha de aveia
o 1 colher de sobremesa de pasta de amendoim
o 1 pitada de canela
o 1/4 xícara de água ou leite vegetal
o 1 colher de café de fermento químico em pó
o 1 colher de sobremesa de azeite ou óleo de coco
Como preparar? Em uma tigela, amasse a banana nanica com um garfo. Adicione a pasta de amendoim, a farinha de aveia e a canela. Misture tudo muito bem. Adicione a água ou leite vegetal aos poucos e continue mexendo. Adicione por último o fermento em pó. Unte com azeite, ou óleo de coco em uma frigideira anti aderente. Despeje metade da massa na frigideira quente em fogo baixo. Deixe dourar e vire a panqueca para dourar o outro lado. Faça o mesmo com o restante da massa. Sirva com frutas ou com geleias.

A contribuição espontânea para receber o e-book varia de R$ 15 a 50. Os interessados podem entrar em contato pelo e-mail de Camila: camila.cheirodefloresta@gmail.com
Também outros canais de contato: tel. (11) 97467 8403 e no Instagram: @cheirodefloresta
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