Casa do Meio do Caminho cuida de gestantes de Parelheiros

Espaço acolhe e atende mulheres gestantes e puérperas, na extrema zona sul de São Paulo. Mesmo com o avanço da pandemia de Covid-19, atendimento continua e promove campanha de doação.

Foto de uma casa sobrado branca e chama-se Casa do Meio do Caminho, no extremo zona sul de São Paulo.
Passam nesse espaço: médicos, enfermeiras, agentes comunitários de saúde, participantes de projetos sociais, consultores, professores e estudantes de várias partes do país e de outros países. (crédito da imagem: divulgação)

Entre o Ambulatório e o Hospital Maternidade Interlagos está a Casa do Meio do Caminho, um espaço que oferece acolhimento, ações de cuidados, apoio, carinho e respeito para gestantes e mulheres em puerpério da região de Parelheiros, na extrema zona sul de São Paulo.

Inaugurada em janeiro de 2019, a casa é uma das iniciativas do Instituto Brasileiro de Estudos e Apoio Comunitário (Ibeac), em parceria com o Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento (CPCD), alinhada com a causa do Centro de Excelência em Primeira Infância de fazer Parelheiros um melhor lugar para se nascer e viver. Assim, atende mulheres de seis bairros da região: Barragem, Colônia, Jardim Silveira, Nova América, São Norberto e Vargem Grande. Em 2019, 1039 pessoas foram recebidas pela casa: 228 gestantes, 211 puérperas, 257 acompanhantes e 609 visitantes interessados em conhecer esse espaço.

Foto de livro e máscara.
Todas as gestantes recebem ao sair da maternidade um livro e uma máscara. (crédito da imagem: divulgação)

Vera Lion, coordenadora do Ibeac, explica que a Casa atende gestantes e puérperas, que precisam de um espaço de acolhida, descanso (possuem dois quartos com camas, banheiros e cozinha) e proximidade do hospital. Muitas vivem distante, cerca de duas horas.

“Elas passam na Casa seja na ida ou retorno de uma consulta médica”, diz Vera. Há ainda roda de conversa e de leitura e atendimento psicológico gratuito. Parte desse trabalho é realizado pelas mães mobilizadoras, um grupo formado por mães residentes desses bairros onde o projeto está presente. Elas recebem uma bolsa auxílio e atuam em seis dimensões: gestantes, bebês, crianças de um a três anos, crianças de quatro a seis anos, mães, pais e família, sempre com foco no cuidado e no afeto. As mães mobilizadoras fazem mediação de leitura, visitas presenciais (conhecidas como “olho a olho”) e uma série de atividades chamadas de cafunés obstétricos. Dessa forma, elas acompanham as futuras e jovens mães, abordando temas importantes: alimentação saudável, consumo de PANCs (Plantas Alimentícias Não Convencionais), amamentação, entre outros assuntos.

Foto de mulher negra em parede azul.
“Hoje estou na faculdade de Pedagogia por acreditar que a educação é o que pode transformar a vida, isso vi no projeto. Só através dela conseguimos fazer uma sociedade diferente e romper com padrões”, diz Rafaela. (crédito da imagem: arquivo pessoal)

“As mães mobilizadoras são como os olhos do hospital na comunidade. Muitas coisas, as grávidas se sentem mais confortáveis em conversar com elas”, ressalta Vera. No atual cenário de epidemia de Covid-19, esse atendimento tem sido feito por grupos de WhatsApp. Rafaela dos Santos Nunes, 22 anos, é uma mãe mobilizadora desde 2015 e atua no bairro Nova América. Este ano ela iria atuar com as mães de filhos com deficiência, mas esse plano precisou ser adiado por conta do avanço da pandemia. “Nesses cinco anos, eu descobri que meu filho está dentro do transtorno espectro autista e muito do que eu consegui entender e aceitar dessa condição dele se deve ao projeto. Então, eu vim com essa proposta de ajudar outras mães nesse processo também”, explica.

Com o avanço da pandemia nas periferias, o Ibeac lançou a campanha Parelheiros em Casa e Conectado. As mães mobilizadoras direcionaram sua atuação para ajudar na distribuição de cestas básicas, cartões de vale alimentação, e material de higiene arrecadados pelo instituto. “Agora estamos atuando bem nos três Ps: pão, proteção e poesia”, diz Rafaela.

Banner da campanha Parelheiros em Casa e Conectado - Campanha de doação e arrecadaão de recursos para apoio às famílias do território. Acesse e saiba como colaborar. Ilustração de jovem com máscara.
O Ibeac atende aproximadamente 15 mil famílias (mais de 50 mil pessoas). (crédito da imagem: divulgação)

Além disso, costureiras voluntárias da comunidade estão trabalhando na confecção de máscaras. Nos seis bairros da região, foram mais de oito mil confeccionadas e entregues para moradores de Parelheiros, funcionários de mercados e outros estabelecimentos locais, além das aldeias indígenas presentes na região.

Segundo Rafaela, as mães atendidas pela Casa estão bem preocupadas com a segurança alimentar de sua família. Muitas perderam seus empregos e os filhos dispensados da escola não tem acesso à merenda escolar. A educação das crianças é outra preocupação. “Muitas famílias não têm acesso à internet e muitas atividades escolares estão sendo pela internet e com vídeo aula. Isso dificulta demais. E elas me perguntam: Quando vai acabar tudo isso? Quando vai voltar tudo ao normal? Quando a escola vai voltar? Essas coisas que tem inquietado a cabeça delas”, conta.

Os interessados em contribuir com a doação e a arrecadação de recursos para apoio às famílias de Parelheiros podem fazer por depósito bancário:
Instituto Brasileiro de Estudos e Apoio Comunitário Queiroz Filho – IBEAC
CNPJ: 47.460.183/0001-91
Banco Itau
Agência: 3170
Conta Corrente 16230-3

As doações internacionais podem ser feitas pelo link: http://twixar.me/pKqT
A doação de materiais e produtos (alimentos, tecidos, produtos de higiene e limpeza e outros insumos) podem ser feitos: Casa do Meio do Caminho – Rua Guaiuba, 102, Cidade Dutra, São Paulo – SP – CEP: 04810-110
E-mail: comunica@ibeac.org.br
WhatsApp: (11) 92009-2216
Site do Ibeac: http://www.ibeac.org.br/