Brasileiros não têm hábito de visitar parques

Pesquisa Parques do Brasil – Percepções da População, do Instituto Semeia, traz que 43% evitam parques urbanos por deficiência de infraestrutura como falta de segurança e iluminação.

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Maioria concordou com gestão pública e privada dos parques para melhorar atendimento à população. (crédito da imagem: divulgação)

62% afirmam que custo de viagem e hospedagem, distância e acesso são as principais barreiras para visitar parques naturais e 42% afirmam também motivos de transporte, distância e alimentação para irem aos parques urbanos. Esses foram alguns dos resultados da pesquisa Parques do Brasil – Percepções da População, realizado do Instituto Semeia, lançado na última quarta-feira (25/04).

A pesquisa foi feita com população adulta brasileira de 17 a 70 anos de idade e regiões metropolitanas. Foram consultadas 815 pessoas, sendo 204 em São Paulo, 122 do Rio de Janeiro, 120 de Porto Alegre, 128 de Salvador, 121 de Manaus e 120 de Brasília, entre os dias 2 e 7 de novembro. A maioria por mulheres (430), enquanto os homens foram 385. Público mais representativo é de 15 a 25 anos, com 315 indivíduos, enquanto o de 26 a 35 anos com 258 pessoas. A maioria possuía ensino fundamental e médio com 543 pessoas.
Fernando Pieroni, diretor-executivo do Instituto Semeia, explicou que a organização atua em defesa da preservação das áreas protegidas. Não recebe recursos públicos nem representa interesses econômicos em parques. Seus projetos e programas são destinados em duas áreas: geração de conhecimento (geração de conhecimento, disseminação da agenda e desenvolvimento de parceiros), e articulação público-privada (apoio aos governos e articulação entre os setores público e privado para a implementação de concessões e parcerias). A organização já produziu 23 publicações no segmento. Atualmente a organização possui parceria com mais de 60 parques com diferentes tipos de maturidade. “Hoje nós vivemos crescimento de iniciativas em busca de parcerias. Tem o desafio de dinheiro para sistema privado, de concessões e parcerias.

Ele ainda explicou a diferença entre parques naturais e urbanos. Os naturais são conhecidos como grandes áreas demarcadas pelo governo para conservação do meio ambiente. Estão usualmente mais afastadas dos centros urbanos e são frequentadas por turistas em busca de aventura, contato com a natureza preservada e contemplação de belezas naturais. Já os urbanos são áreas públicas com muito verde dentro das cidades. São usualmente frequentadas pela população para a prática de esportes, atividades de lazer, entretenimento e como opção de contato com a natureza nos centros urbanos.

A pesquisa analisou a frequência da visitação aos parques, barreiras para a ampliação da visitação, as percepções sobre a eficiência das gestões pública e privada, aceitação das concessões e parcerias para a gestão de parques e melhorias esperadas na visitação e conservação.

“Não está na cultura dos brasileiros ir aos parques”, afirmou Fernando. Ele fez comentários baseados com os principais resultados. E quais foram? 54% vão esporadicamente aos parques naturais, já nos parques urbanos são 42%. Quem vai mesmo de forma intensa nesses locais: 23% em parques naturais e 14% em urbanos, com frequências que variam de uma vez por semana a todos os dias. As principais barreiras são: econômica em primeiro lugar como custo de viagem e hospedagem pela distância/acesso para 62% a parques naturais e 42% a parques urbanos também pela distância, transporte e alimentação. Em seguida apareceu comportamento, para 16% dão preferência por passeios urbanos ou outros destinos (como praia) do que parques naturais, e 29% optam ficar em casa pelo cansaço e outros passeios do que irem a parques urbanos. O terceiro item foi gestão: 14% responderam que barreira é falta de informação sobre os parques naturais e os tipos de atividades que podem ser desenvolvidos neles, já 43% responderam que é barreira também segurança, instalações e informação. Essas respostas foram de respondentes que nunca foram aos parques naturais e vão aos parques urbanos pelo menos uma vez ao mês.

Em relação a percepções sobre as gestões pública e privada, 87% responderam no geral que mesmo quando tem dinheiro, o governo não é eficiente na gestão de seus recursos. Já 73% concordaram que parcerias com governo com instituições privadas podem melhorar o atendimento da população.

Outra pergunta da pesquisa é se as pessoas eram a favor ou contra concessão/parcerias dos parques com empresas ou entidades privadas: 50% foram a favor nos parques naturais e 57% nos parques urbanos.

As percepções sobre as potenciais melhorias na visitação e conservação foram mais voltadas para questões de infraestrutura as respostas que irão melhorar, como: equipamentos de lazer, banheiros, iluminação, segurança, atendimentos aos usuários e sinalização. Agora 44% acham que vai piorar a cobrança pelos serviços oferecidos nesses espaços.

Fernando comentou que a cidade de São Paulo possui 108 parques públicos. “As pessoas não visitam por falta de segurança. Elas vão mais a parques mais distantes do que os próximos. Os motivos estão bem relacionados por questões de infraestrutura e acesso para chegar nesses locais”.

Ele também defendeu que é importante trabalhar a interpretação de parques, da importância da preservação da fauna e flora, valorizar tudo isso e as pessoas se orgulharem desses espaços em suas cidades. “Fazer com que esse tipo de cultura também ajude na proteção dos parques urbanos e naturais. Há estudos que mostram que parques bem cuidados impactam diretamente na qualidade de vida daquela população e ajudam até reduzir estresse e outros aspectos sociais e de saúde”.

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