Bloco do Beco reúne comunidade da zona sul no carnaval e oferece diferentes formações socioculturais

17016133_262453147514122_7404535483250102887_oTudo começou com um grupo pequeno de pessoas que gostavam de fazer uma batucada para se reunir e resgatar o carnaval de rua. Eles costumavam ensaiar no beco de uma rua sem saída no Jardim Ibirapuera em 2001. Após dois anos, Arailda Carlos Aguiar do Vale e Luiz Claudio de Souza observaram que não estavam apenas fazendo ensaios de carnaval de rua, mas atendendo a comunidade de diferentes formas. O casal sempre quis contribuir e trabalhar com ações de educação pela arte e cultura popular.

Naquela época o casal participava da Rede Social São Luís, uma das integrantes do Programa Rede Social do Senac São Paulo no início dos anos 2000. Carla e Luiz trabalhavam como metalúrgicos, mas estavam cansados das atividades dessa função, distância do trabalho até onde viviam no Jardim Ibirapuera e o interesse em trabalhar na área de educação e cultura aumentava cada vez mais. Nos encontros da Rede Social São Luís, eles conheceram vários grupos culturais da região, de teatro, dança até saraus e outras ações socioculturais. “Lourdes Alves, mediadora da rede da época, incentivava a irmos na biblioteca do Senac Penha, que lá tinham um acervo de livros bem interessantes para saber como criar uma ONG, captação de recursos, desenvolvimento de projetos, entre outros”, afirmou.

No ano de 2003, houve a fundação da Associação Cultural Recreativa Esportiva Bloco do Beco e aos poucos as pessoas com diferentes ideias e projetos vieram para contribuir à iniciativa e ofereceram formações, como: artesanato, dança, teatro, percussão, hip-hop, literatura, mostras de vídeos, palestras e saraus, e outras. As ações sempre foram estimuladas com articulação política, social e cultural da região por meio de debates, encontros, rodas temáticas, palestras e oficinas e eventos em geral. A ideia central foi de transformar as ideias e propostas da população, especialmente os jovens em situação de risco e vulnerabilidade social da região do Jardim Ibirapuera, especificamente Favela da Erundina, Favela da Felicidade e Jardim São Francisco, regiões que integram a subprefeitura do M’Boi Mirim, na zona sul de São Paulo.

Carla e Luís foram atrás de como criar uma ONG, toda a documentação e espaços para oferecem as formações. No começo o espaço da sede foi aluguel, após alguns anos conseguiram comprar um espaço conhecido como Blocoteca – destinado para as crianças e jovens, porque possui uma brinquedoteca, com bonecas, jogos e diferentes brinquedos; biblioteca, com estante de livros infanto-juvenis; e o último andar possui um ateliê para oficina de artes plásticas.
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“Lá é um pedacinho da casa delas. Elas cuidam dos brinquedos. Tivemos a preocupação de comprar bonecas de diferentes estilos (negras, brancas, indígenas e até com deficiência) para elas se identificarem com o diferente. As pessoas não têm um padrão. O brasileiro tem essa diversidade de raça”, afirmou Carla sobre o espaço Blocoteca, que também contou que as crianças desse espaço já fizeram o Sarau Pequenos Poetas. A ideia é promover mais encontros desse tipo para incentivar a leitura para esse público.

O Bloco do Beco oferece formações gratuitas a crianças, adolescentes, jovens e adultos. A organização oferece oficinas de judô, capoeira, ballet, maracatu, artes plásticas, literatura, samba rock e corte e costura.

As atividades da organização ocorrem nos três espaços, que são espaços públicos que foram ocupados para atividades com crianças, além do próprio bloco que ocupa as ruas em época de carnaval.

Agente comunitário de saúde

ultnot-topo-blocodobecoJenyffer Nascimento, formada em magistério e integrante da equipe do Bloco do Beco, atua com a organização como voluntária desde 2006. Depois atuou duranteoito anos na Fundação Dixtel. Depois desse período, a jovem entrou como funcionária da ONG ao Programa de Agente Comunitária Cultural. A ideia dessa equipe é observar o que de fato a comunidade quer de atividades culturais. “Sempre fiquei próxima com o Bloco do Beco, vendendo rifas, festas de confraternização e outros eventos para ajudar a captar recursos”, pontuou.

Desde o ano passado, a jovem contribui ao Programa Agente Comunitária Cultural. Ela contou que as visitas ocorrem porta a porta e são feitas mensalmente nas microáreas que cada agente atua. A ideia é que o agente de cultura possa seguir o mesmo modelo, tanto que eles são apresentados pelos agentes de saúde, assim as pessoas se sentem mais seguras para abrir suas portas.

Jhenyffer contou que as visitas começaram em setembro do ano passado. Essa iniciativa foi aprovada no ano passado por meio do Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (FUMCAD) por um projeto chamado Beco da Fartura, para ajudar a manter as oficinas constantes. “Esse financiamento vai nos ajudar também a captar público para as oficinas, divulgar nosso trabalho do bloco e elaborar um mapeamento e diagnóstico para saber quais são os interesses da comunidade”, esclareceu.

O agente também ajudará a divulgar o trabalho da organização dentro da comunidade, não somente o bloco. “A ideia é que esse profissional fique na ponta para colaborar nesses diálogos”, disse a jovem.

Recentemente abriram o curso de corte e costura. Iniciou com uma voluntária e aos poucos as mulheres se inscreveram. Hoje é um dos mais procurados. “É uma demanda que nem sabia que existia, porque costumamos atender mais crianças e adolescentes. Ao mesmo tempo temos muitas mulheres e pessoas da terceira idade com interesse. Estamos voltando nosso olhar para outros públicos, além do que já atingimos”, reforçou Jhenyffer, que ainda afirmou: “Eu acredito muito no poder de transformação e sinto muito bem trabalhando no bloco, tem algo muito prazeroso. É bom fazer algo que você acredita e tem sentido para você”.

Serviço:

Site do Bloco do Beco: https://www.blocodobeco.org/
Página do Facebook: https://goo.gl/2A00Pl


Data de publicação: 03/03/2017