Bate-papo mostra vivências de mulheres na tecnologia no Conecta Escola Senac Ao Vivo

Conversa mostrou como a computação e a programação podem contribuir na busca pela igualdade de oportunidades nesse segmento.

Foto de mulher negra no computador em sala de equipe da área de tecnologia de empresa.
Alunas do do Ensino Médio Técnico em Informática no Senac São Miguel Paulista se inspiram com a trajetória de Camila Achutti e falam de seus projetos na sala de aula. ( crédito da imagem: Gorodenkoff/AdobeStock)

Quatro mulheres falando de tecnologia, seus desafios, suas inspirações e mesmo objetivo: ocupar mais espaço nesse segmento. A live Ninguém vai Ficar de Fora da Revolução Tecnológica, do Conecta Escola Senac Ao Vivo, realizado entre os dias 15 e 18 de setembro pelo Senac São Paulo, mostrou a trajetória da empresária e um dos principais nomes do movimento por igualdade de gênero em tecnologia, Camila Achutti.

Louise Marinho Costa de Assis, historiadora e professora do Ensino Médio Técnico do Senac Nações Unidas, contextualizou as mulheres na tecnologia e sua relação de pertencimento, representatividade e a possibilidade de criação. Também explicou o processo de invisibilização das primeiras profissionais mulheres que ajudaram na construção desse segmento.

Para ilustrar a prática e o que é feito dentro das salas de aula do Ensino Médio Técnico do Senac São Paulo, Amanda Frotscher Ramalho e Maria Luísa Silva Mota, alunas do Ensino Médio Técnico em Informática no Senac São Miguel Paulista, falaram de seus trabalhos no primeiro ano de curso e ambos possuem temas de mulheres na tecnologia, sendo que da jovem Maria Luísa é focado nas mulheres negras.

O Conecta Escola Senac ao Vivo reuniu diferentes pessoas de diversas áreas para integrar seus conhecimentos e experiências em busca de um mundo mais diverso, justo e igualitário. Com o tema Todo Mundo Junto e Misturado, a programação contou com a participação de personalidades, como o cantor Emicida, além de profissionais renomados em diferentes áreas de atuação, que vão conversar com estudantes e professores do Senac sobre cultura, ciência, tecnologia, sustentabilidade, mercado de trabalho e vários outros assuntos.

Camila contou sua inspiração para estudar esse tema e a criação da plataforma Mulheres na Computação. Filha de programador, desde cedo ela escutava os códigos que seu pai trabalhava. A partir daí ela criou uma relação familiar com essa linguagem e viu que a tecnologia era uma estratégia para resolver os problemas e até salvar o mundo. “Não aprendi a programar com cinco anos. Prestei vestibular e tive apoio de toda minha família para focar nos meus estudos 100%”. Sua primeira barreira na vida universitária foi que nenhum colega se parecia com ela. A jovem não entendia o conteúdo das aulas e por isso foi pesquisar o termo mulheres na computação. A partir desse momento ela se reconheceu como empreendedora, pesquisou artigos sobre o que havia fora do Brasil sobre esse tema e publicava e surgiu o grupo Mulheres na Computação: https://mulheresnacomputacao.com/

A empreendedora ainda comentou que a tecnologia ficou associada com aquisição social. Até os anos 1984 essa área era composta majoritariamente por mulheres. Após a modelagem do computador em uso doméstico nas residências, houve um investimento em marketing para a construção de um arquétipo de menino nerd que montava o computador e passava o dia inteiro no vídeo game como diversão. “Existe uma teoria que enquanto processamento de dados era associado ao secretariado tinha mais mulheres. Quando a gente vê o filme “Estrelas além do tempo” mostra a realidade que as computadoras eram mulheres e liderado pelas negras. A base da comunidade matemática científica da Nasa foi composta por mulheres negras. Elas eram exploradas e trabalhavam em condições terríveis”. Camila ressaltou o papel fundamental delas na construção da computação moderna.

Quando questionada sobre qual prejuízo da empresa por não ter equipe diversa, Camila respondeu diretamente: perde dinheiro. “Você não consegue resolver problemas que deveriam ser solucionados. Não há ninguém para levantar a mão e sinalizar o erro anterior. Se o input é igual e o processamento é igual, como você quer ter resultado diferente? Não dá”.

Amanda comentou sobre seu trabalho mulheres na tecnologia, chamado Empoderadas de TI. “Queríamos mostrar a desigualdade que existe. Pegamos dados e criamos uma intervenção para ajudar as mulheres. Fizemos uma aula básica de Excel para explicar planilha, contas, fórmulas e outras possibilidades na ferramenta. Atingimos bastante gente e chegou em um resultado bom”.

Já o grupo de Maria Luísa focou em mulheres negras nas redes sociais. Fizeram levantamentos e gráficos sobre o tema. Com essas informações, as integrantes do grupo dela montaram uma exposição na unidade com figuras de mulheres famosas e aquelas sem muita visibilidade. “Neste ano vamos continuar com o mesmo tema, mas com mira diferente: silenciamento das mulheres negras. Observamos como dar visibilidade a essas mulheres é importante. Estamos dando o máximo para esse trabalho de fim de ano. Todos os professores são bem importantes no apoio e orientação”, contou.

A historiadora reforçou como a fala das participantes mostra como a tecnologia está presente no dia a dia e refletir sobre esse tema traz outras questões: pertencimento, representatividade e possibilidade de criação. “Quando colocamos na linha histórica, destacando o rumo econômico, destacado por Camila, observamos o processo de invisibilização das pessoas que construíram aquilo”. Loiuse ainda explicou como as mulheres negras foram sendo destinadas a espaços de cuidado e doméstico, enquanto as brancas assumiam outras experiências: postos de inovação tecnológica. “O que observamos em vários momentos são essas narrativas de silenciamento”.

A professora do Ensino Médio Técnico do Senac Nações Unidas indicou que para quebrar esse silêncio pode ser pela intervenção intersecional. “O que ajuda é entender essas narrativas para desnaturalizá-las. Por exemplo: naturalizou que a tecnologia é neutra, não têm gênero. Não é espaço da diversidade. Não é espaço da cultura. A gente naturalizou que diferenças podem ser sinônimos de desigualdades. Vivemos agora questionamentos dentro das caixas de experiências e mudanças do mundo do trabalho”, atentou.

Os interessados em conhecer o Ensino Médio Técnico Senac podem acessar o site: http://www1.sp.senac.br/hotsites/sites/ensinomedio/

Para conferir essa live na íntegra, clique aqui no Youtube do Senac São Paulo: https://bit.ly/2FOtPCF