Atentas às dificuldades econômicas organizações sociais ensinam a poupar

O antigo samba do compositor Paulinho da Viola diz que “dinheiro na mão é vendaval” ao descrever o que acontece com muitas pessoas que vivem constantemente numa situação financeira complicada. Quem nunca chegou ao final do mês e se deparou com a conta negativa? Quem já ultrapassou o limite da conta e caiu no cheque especial? Muitos. Na contramão dos fatos econômicos corriqueiros, uma escola do Rio Grande do Sul ensina seus alunos a lidarem com dinheiro.

Há seis anos o Instituto de Educação Ivoti (IEI) desenvolve o projeto de Educação Financeira voltado para os alunos do Ensino Fundamental, Ensino Médio e Curso Normal. O objetivo do programa é criar condições para seus estudantes participarem do planejamento e administração econômica familiar, aprenderem a ter o hábito de economizar e gerar uma consciência de investimentos em qualidade de vida.

“Sentimos necessidade de desenvolver um trabalho nesta área para mostrar o mundo financeiro para as crianças, adolescentes e jovens. Através de exercícios práticos, fizemos os alunos verem seus gastos em energia elétrica, conta de água e de luz e administrar sua mesada”, explica Deuci Arnold, coordenadora pedagógica do Instituto.

No ensino fundamental, este projeto é dado para todos os alunos, pois está presente no programa curricular obrigatório. Na segunda série, os alunos aprendem a história do sistema monetário, os danos do meio ambiente provenientes do uso de produtos descartáveis e a poupança. Na série seguinte, os professores abordam a questão da economia de energia elétrica e água, mesada, o preço de custo e preço de venda dos produtos agrícolas. Na quarta série, os temas de Educação Financeira são: salário mínimo, orçamento familiar, linguagem comercial e financeira.

De quinta até oitava série, o projeto é dado nas disciplinas de Matemática, História, Geografia e Ensino Religioso. Na quinta, os alunos continuam nas temáticas de salário mínimo; orçamento familiar; analisando contas de água, luz e telefone; linguagem comercial e financeira e cesta básica. Na próxima série, as aulas focam câmbio, poupança, aplicações da poupança e doações, linguagem comercial e financeira, e o significado de termos como desconto, acréscimo, lucro, custo, prejuízo, cheques especiais, caderneta de poupança, juros e inflação.

Os estudante da sétima série aprendem matemática comercial (juros simples e porcentagem), relação de trabalho e salário mínimo, inflação, remuneração de capital (poupança, ouro, dólar, ações, aplicações de renda fixa), distribuição de renda e remuneração. A última etapa do Ensino Fundamental aborda aplicações financeiras, seguros de vida, aposentadoria e notícias econômicas.

No Ensino Médio e no Curso Normal, o projeto se dá de forma interdisciplinar e os alunos optam pela matéria, já que acontece em horários especiais. As aulas são como oficinas que envolvem os conhecimentos de Matemática, Estudos Sociais, Informática e Filosofia. Para estes estudantes, é repassado a contextualização da economia brasileira, qualidade de vida e o estado de bem estar social, sociedade de consumo e os desperdícios, cidadania, legislação previdenciária, matemática comercial e financeira com o uso da calculadora financeira HP 12 C, dentre outros assuntos.

O aluno do Ensino Médio e Curso Normal pode abrir uma poupança para colocar em prática o que aprende na sala de aula. No final do projeto, o dinheiro arrecadado pode ser destinado a um programa de previdência privada.

“Teve uma turma da sexta série que decidiu abrir uma poupança e com o dinheiro arrecadado durante seis meses compraram um som e doaram para uma instituição social da região”, pontua a coordenadora pedagógica do IEI. Deuci conta que os pais dos estudantes notam a diferença de comportamento em casa, porque seus filhos não ficam tanto tempo no banho n em no telefone e palpitam até na lista de supermercado.

Apesar de ser optativo no Ensino Médio e Curso Normal, este ano houve três turmas de 20 alunos participando da Educação Financeira. “O projeto é dado por uma equipe de professores de diferentes disciplinas que discutem o uso e ganho do dinheiro de forma responsável. Eles estimulam os jovens a visitarem bancos, fazerem comparações e escolherem um profissional para dar palestra”, conta.

Ana Claudia Kaefer, 15 anos, está no segundo ano do Ensino Médio e estuda há dois anos no IEI. Natural da cidade de Dois Irmãos (RS), a jovem acha interessante o projeto e já aprendeu a investir seu dinheiro e agir de forma ética. “Sempre tive uma noção de dinheiro, mas aqui aprendi que precisamos ficar atentos aos juros, porque muitas vezes compensa juntarmos dinheiro para depois comprarmos a vista o produto. Hoje eu tenho duas poupanças e vou usar quando tiver necessidade”, pontua.

A estudante da sétima série, Mônica Luisa Sperling Trapp, 13 anos, fez parte da turma que doou um som para entidade social. A adolescente também acha importante o projeto, porque viu que gastava muito dinheiro com supérfluos. “Decidimos abrir uma conta poupança no banco e depois de seis meses conseguimos comprar o som e doar para p Lar Alberto Klein Estância Velha. Depois de juntar o dinheiro, a turma percebeu o quanto gastava em besteira, porque dávamos pequenas quantias por dia. Ai você vê quanta coisa que você não precisa e compra”, alerta.

O IEI existe há 40 anos e é conhecido por formar professores em nível médio e superior. Hoje a instituição atua áreas de educação, cultura e assistência social por meio dos cursos de Ensino Fundamental, Educação Infantil, Ensino Médio, Curso Normal, Educação para Adultos e Jovens, Técnico em Informática e Técnico em Informática Educativa. Possui mil alunos, sendo que 160 são bolsistas. A instituição ainda oferece moradia escolar e tem alunos de 72 municípios.

A Associação Evangélica de Ensino é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos que desenvolve trabalhos de caráter beneficente e filantrópico. Esta associação mantém o Instituto de Educação Ivoti. Muitas bolsas do IEI são doadas pelos ex-alunos, amigos, entidades da Alemanha, empresas brasileiras e fundações.

Serviço:

Para conhecer o projeto de Educação Financeira, acesse http://www.iei.org.br/curriculares/financeira/

Instituto de Educação Ivoti
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