Ashoka Brasil promove apresentação de modelos de negócios sociais de organizações participantes do Grow2Impact 2015

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Um aplicativo que contribui para o desempenho educacional de crianças, uma microdestilaria para a produção de bioetanol, uma plataforma de compras para assentados no semiárido para contribuir com pequenos agricultores, um programa de coaching alimentar familiar para ajudar no tratamento médico de crianças e adolescentes com excesso de peso. Essas foram modelos de negócios sociais apresentados por empreendedores Ashoka brasileiros no Grow2Impact, na última quarta-feira, dia 21 de outubro, no Teatro Unibes Cultural, em São Paulo.

A iniciativa da Ashoka é um programa de capacitação colaborativa em que une parceiros do setor corporativo para apoiar a área social. O objetivo é possibilitar oportunidades a empreendedores sociais de elaborar e expandir seus modelos de negócios, para contribuir com seus impacto social e sustentabilidade financeira.

Claudia Duran, presidenta da Ashoka Brasil, mostrou o vídeo da organização com depoimentos de diversos empreendedores espalhados pelo mundo para demonstrar o impacto social com trabalho deles e a contribuição da própria Ashoka nessas ações. É uma rede presente em 85 países, com 37 escritórios que atuam em seis áreas e com mais de três mil fellows. Essas pessoas atuam com projetos em saúde, educação, direitos humanos, meio ambiente, participação cidadã e desenvolvimento econômico. “57% dos empreendedores impactam nas políticas públicas de seus países”, sinalizou.

A presidenta da Ashoka mostrou diferentes ações de formações aos empreendedores,
como Escolas Transformadoras, Ashoka University, entre outras. “Tentamos trabalhar de forma integrada. Aproveito para fazer três perguntas: Qual o mundo que queremos para o futuro? Qual o propósito de vida? Como você pode ser um agente de transformação?”.

Deise Hajpek, coordenadora do Fellowship Brasil e o programa Take-Off Lab para Empreendedores Sociais, explicou sobre a criação do programa Grow2Impact. Ela compartilhou que nos últimos três anos diversos empreendedores buscavam a Ashoka para pedir apoio na elaboração de planos de negócios. A partir dessas dificuldades, a Ashoka consultou empreendedores para entender esses desafios e se eles precisavam desse mecanismo de gestão, ou uma incubadora, ou startup. Foi um ciclo formado por: apoiadores de recurso, visibilidade externa, colaboração de redes, mentores externos e parceiros de conteúdo.

Dessa forma, Deise apresentou a proposta e a estrutura do Grow2Impact, que é composto por: planejamento, workshops (estruturação, concepção, comunicação e painel), e monitoramento. A ideia é apoiar cada empreendedor social na estruturação de seu plano de negócio alinhado com o mercado e capaz de gerar transformações sociais. Oferece em seu conteúdo metodológico: design thinking, ferramentas CANVAS, indicadores de mensuração de impacto social, finanças, orientação jurídica e comunicação estratégica. Sua primeira edição ocorreu no ano passado com cinco organizações sociais. Já nessa segunda edição, foram beneficiadas nove modelos de negócios de negócio social.

E quais são elas?

Cada empreendedor teve cerca de 10 minutos para apresentar o modelo de seu negócio social e o enfoque da sua organização. A primeira a falar foi Gisela Solynos, nutricionista e gestora do Centro de Recuperação e Educação Nutricional (CREN), em que levantou alguns dados alarmantess: 1/3 da população brasileira está mal nutrida e ½ dos adultos está com obeso e sobrepeso. Também ressaltou que a obesidade reduz até oito anos de esperança de vida. Sua organização é conhecida por ser multidisciplinar em recuperação e educação em nutrição e saúde a crianças e adolescentes em condições de vulnerabilidade social. Ela também apresentou alguns números: impactou 3,4 milhões de pessoas, reconhecida por nove prêmios, 130 mil atendimentos e conta com 80% do seu financiamento pelo governo.

A proposta dessa organização é lançar uma unidade especializada em obesidade. As pessoas que seriam atendidas pagariam o que pudesse. Seria três anos de investimento. Já no segundo ano haveria o retorno maior do que as despesas e os próximos passos estariam voltados para montar a clínica. O site da organização é: http://www.cren.org.br/

O segundo a falar foi o baiano Paulo Rogério Nunes, um dos fundadores e diretor do Instituto Mídia Étnica, que mostrou as diferentes ações da organização que atua com comunicação e tecnologia, além de empoderar comunidades excluídas e marginalizadas por meio da formação de jovens, produção de comunicação e desenvolvimento de tecnologias sociais. Nessa formação da Ashoka, Mídia Étnica desenvolve a plataforma Colaborei, um canal para conectar pessoas de uma mesma região que vivem problemas similares e querem melhorar, contribuindo por meio de soluções de alto impacto e baixo custo. O financiamento dessa ação é de 200 mil reais para contribuir com o desenvolvimento do mobile e da plataforma. Já possui uma parceria estratégica com o Catarse.

O representante do Mídia Étnica contou sobre o Vojo Brasi, uma iniciativa com uma tecnologia desenvolvida junto ao Massachusetts Insstitute of Technology (MIT), em que não precisa atualizar o blog com conexão de internet, mas do telefone público. A ideia seria aplicar em cinco Estados do Brasil. A pessoa mandaria o conteúdo pelo telefone e pretende atender comunidades de regiões rurais e urbanas. “A ideia foi baseada na ocupação do espaço públicos e alinhado com a descrença dos organismos públicos. Foi incentivada ainda com conexão dos moradores de favelas na internet. E pensamos: como oferecer um canal para se mobilizarem?”.

Daniela, da Acolhida na Colônia, explicou a proposta dessa organização em Santana Catarina, que reúne agricultores familiares destinada ao desenvolvimento do agroturismo para geração de trabalho e renda no meio rural, especialmente a mulheres para auxiliar em sua autonomia. Para mostrar o impacto de seu trabalho, ela trouxe dados sobre o aumento contínuo da taxa de urbanização brasileira e o agroturismo como uma área em que pode atender parte da população rural. Essas pessoas podem acolher e receber pessoas, oferecer serviços de hospedagem e troca de experiências e vivências. A organização faz parte da Rede Internacional Accuil Payson. “Contribuímos com acréscimo de 30 a 60% de melhoria na renda familiar”, demonstrou a representante da organização que ainda falou que atendem 150 famílias associadas de 24 municípios rurais fora do mapa turístico.

O projeto da Acolhida na Colônia é um sistema de reservas online para aumentar o acesso do público ao agroturismo e ampliar o fluxo de turistas nesses espaços e, consequentemente, favorecer a inclusão digital de agricultores rurais e o protagonismo na associação. Esse investimento é de 206 mil reais. Par atingirem sustentabilidade financeira, outra ideia é cobrar 5% dos agricultores da Acolhida para contribuir com a manutenção da organização.

Paula Johns, diretora executiva da Associação de controle ao Tabagismo e Saúde (ACT+), ressaltou que a organização atua fortemente com advocacy e na área da saúde. “Você muda o contexto social para promover comportamento mais saudável. Atuamos com advocacy, que pressiona para atingirmos as políticas públicas”, afirmou a diretora que também chamou atenção por atenderem o terceiro indicador dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. Ela explicou ainda que atuam primeiro no incentivo da alimentação saudável, depois em consultoria e, por fim, na capacitação e planos de advocacy. O projeto modelado pelo programa da Ashoka foi a ampliação do modelo de atuação com ações de advocacy voltados para o controle da obesidade, criar uma área de serviços de consultoria e de capacitação para organizações.

Outra organização que valoriza e atua o meio rural foi o Laboratório Educacional de Tecnologias Sociais (LETS), uma plataforma de compras para o assentado no semiárido que familiariza pequenos agricultores com a cultura da gestão para aumentar seus rendimentos. “99% das escolas de campo não possuem laboratório de ciências. Como atrair e estimular o jovem para a escola? Como atrair e gerar renda de trabalho? Quais conhecimentos precisa desenvolver? É possível melhorar a qualidade de vida dessas pessoas?”.

Para esclarecer essas questões, o professor falou do negócio da LETS: um laboratório educacional móvel para oferecer educação em tecnologias sociais rurais e energias renováveis, personalizadas para cada contexto, território e realidade, com foco em jovens do meio rural. Nessa ideia, o custo por jovem seria de 267 reais.

Com o compromisso de conservação ambiental, Luís Fernando Guedes, gerente de certificação agrícola daImaflora, explicou sobre o trabalho da organização pela certificação socioambiental das cadeias produtivas, fomento sustentável e incidência em políticas de interesse público. Seu projeto é a revisão do processo e do modelo de certificação agropecuária para aprimorar o apoio para a implementação da sustentabilidade nas propriedades rurais e suas cadeias produtivas. Seriam 30 mil trabalhadores impactados.

Com o objetivo de criar uma renda líquida para o agricultor sem gerar mais trabalho para ele, a proposta daGreen Social Bioethanol é a produção e consumo de etanol em cooperativas agrícolas brasileiras, em que os cooperados teriam uma mini usina de etanol. A organização trabalha no setor de energias renováveis, desenvolvendo destilarias para a produção de bioetanol social, uma forma de promover o desenvolvimento sustentável com autonomia energética para comunidades vulneráveis.

Com o lema ampliação do pensamento e redução da desigualdade social, Beatriz Cardoso, pedagoga e diretora executiva do Laboratório de Educação, falou que a organização atua com foco na linguagem para crianças de zero a 10 anos de idade e defende uma interação mais rica entre crianças e adultos com dicas para contribuir no desenvolvimento cognitivo da primeira infância. Dessa forma, o modelo de negócio aqui é o desenvolvimento de um mobile app com informações e práticas. A plataforma ofereceria várias sugestões aos pais. O aplicativo teria as seguintes funções: onde aprender, espaço de leitura, para pensar, aprender na linguagem, canal LabEdu e dicas. Seu investimento seria de 564.774 reais. A primeira etapa seria somente para assinantes, depois abertura do aplicativo e o terceiro estágio incluiria o apoio de patrocinadores e a produção do conteúdo para orientar famílias.

Lua Nova foi a nona organização participante do programa. Conhecida por trabalhar com meninas em situação de violência, a organização atua há 15 anos, oferece acolhida e atendimento desse público, capacitação de geração de renda. Já foram 3.300 mães e filhos abrigados. “São protagonistas aqueles que fazem ações de geração de renda”, esclareceu. Também mostrou os diferentes programas da Lua Nova: Lua Crescente Alimentar, Empreiteira Escola e Criando Arte. Sua proposta é a Lua Inteira, uma empresa social, em que inclui treinamento, venda de produtos (já fazem essa parte), reconstrução e consolidação (aumento de produção). O investimento necessário seria de 100 mil reais. Essa verba seria um financiamento, após um período a organização devolveria esse empréstimo.


Serviço:

Para entender melhor esse programa da Ashoka, acesse: http://brasil.ashoka.org/grow2impact
Vídeo explicativo: https://goo.gl/Z26CRD


Data original de publicação: 26/10/2015