Ana Fontes, da Rede Mulher Empreendedora, compartilha dicas de marketing e modelos de negócios

Encontro explica a ferramenta Canvas e traz histórias de três empreendedoras.

Com auditório lotado, diversas mulheres se reuniram para 62º Café com Empreendedoras de São Paulo no prédio do Sebrae no bairro da Aclimação na zona sul de São Paulo no dia 19 de janeiro. A ideia é uma oportunidade de conhecer outras empreendedoras, aumentar o networking, divulgar sua empresa e compartilharem histórias e conteúdos.

A primeira parte do evento ficou com Ana Fontes, idealizadora da Rede Mulher Empreendedora. Ela focou sua fala na ferramenta Canvas, que ajuda a organizar as ideias do empreendedor. Ressaltou que ele não serve apenas no formato on-line, mas recomendou imprimir e colar na parede. Porque ele é um arquivo orgânico e muito eficiente para o dia a dia.

“Há 10 anos ninguém falava sobre empreendedorismo. Ainda é um movimento novo. Hoje todos querem empreender. Existe até um culto a esse movimento”, afirmou. Na primeira parte é voltada para a busca pelo propósito; a importância da inovação; meu mundo, seu mundo, nosso mundo; ecossistema.

Ela comentou o que todos querem: aceleradoras de negócio – no Brasil há quatro anos não tinha nada e atualmente tem mais de 30 que querem ser selecionados e participar; competições para ganhar prêmio; startup para chamar de sua. Ela compartilhou o caso da venda da 99 para uma empresa chinesa por um bilhão de dólares. “Eles foram a primeira startup brasileira vendida por um bilhão de dólares. Isso é muito bom como impacto para a área de empreendedorismo”, ressalta.

Ana também abordou temas que ainda não funcionam tão bem nesse movimento, como: governo/ambiente/regulação; empreendedores; academia (educação); acesso ao capital e grandes empresas.

Também comentou sobre o perfil dos empreendedores. Algumas pesquisas dizem que os brasileiros não tão ambiciosos. “Eu não concordo com isso. Ouvi isso de um evento importante de que o empreendedor brasileiro é mediano, não quer evoluir, nem crescer. Não quer internacionalizar. Eu, particularmente, não considero medianos. Tudo joga contra nós: o ambiente, estamos muito na reclamação e pouco na ação, dificuldade para acesso à capital.

Os principais mitos também foram comentados, como: empreendedores trabalham pouco, eles ganham muito (claro, existe essa possibilidade), não tem chefe, e ficam ricos rápidos.

O plano de negócios foi bem explicado detalhadamente para as empreendedoras. Mostrou o business model canvas, que funciona como uma ferramenta visual para o desenvolvimento de modelos de negócio, que envolve nove componentes principais: criação, parceria, proposta de valor, relacionamento, segmentos e outros. “Prefiro falar que o lado esquerdo está relacionado com cozinha, como se estivéssemos vendo o negócio como um restaurante. Já o lado direito, está o salão, aonde você irá servir os clientes”.

Ela reforça a necessidade de imprimir o Canvas, porque o gestor precisa ver o tempo todo. Incluir post it e revisitar. Recomenda ainda apresentar a outras pessoas. A empreendedora ainda ressalta o foco no cliente e a elaboração da proposta de valor. “A proposta de valor de seu negócio é o resultado do que é entregue como produto/serviço na visão do cliente. Não é sua visão, mas do cliente. É bom fazer as seguintes perguntas: que valor você entrega? Qual problema que você está ajudando a resolver? Muitas vezes o problema está na nossa cabeça e não do cliente. Qual necessidade está satisfazendo? E por que ele vai comprar sua solução e não de outra empresa?”. Ela sugeriu as empreendedoras conhecerem melhor o custo de aquisição de clientes para melhorar o fluxo financeiro de seus negócios e ter receita com frequência. A palestrante ainda defende a importância de estudar os casos que não deram certo para ver o que não funciona.

Ela também comentou sobre modelos de assinatura conhecido como premium, exemplificando com Linkedin, Dropbox e Survey Monkey. Esse é um dos modelos mais usados hoje aqui no Brasil. “A plataforma precisa oferecer um serviço a mais para atrair a pessoa e comprar a versão premium”.

Ana ainda compartilha tendências de marketing como o RD Station, que é uma ferramenta para gerenciar e automatizar suas ações de marketing digital para atrair visitantes em seu site e possibilita oportunidades de negócios. Outra tendência é plataformas de marketingplace e citou Sympla, Elo7 e Welcomechef. “O site 33e34 entenderam a oportunidade de mercado e descobriram um nicho”. Ela ainda comenta sobre os modelos de multinível: Polishop, Amway e MaryKay.

Atualmente os youtubers ajudam a vender produtos e serviços, paralelamente com blogs e portais de conteúdos. Falou de casos de sucesso: Geekie (educação e inclusão), Easy Táxi (monetização) e Dafiti (lucratividade). “O desafio é fazer inclusão e ganhar dinheiro. O Easy demorou seis anos para desenvolver plano de comunicação”.

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