Aceleradora oferece recursos financeiros para jovens ativistas

Plataforma disponibiliza oportunidades de financiamento, ferramentas de aprendizagem e uma comunidade on-line para grupos e coletivos.

Ilustração de mão usando telefone com logo do fundo e no fundo mãos.
Dos fundos globais para o desenvolvimento e a cooperação internacional, apenas 1% vão para mulheres ativistas e uma porcentagem ainda menor é destinada a meninas ativistas. (crédito da imagem: divulgação)

Com o objetivo de promover a igualdade de gênero e a inclusão, a ONG Plan International Brasil lança a Aceleradora da Igualdade, uma plataforma criada de forma colaborativa por jovens ativistas de mais de 40 países. O espaço digital reúne em um único lugar um banco de dados com oportunidades de recursos financeiros de organizações nacionais e internacionais, uma rede de grupos de jovens, um espaço com ferramentas para ativismo e recursos de aprendizagem. O intuito é fazer uma ponte entre jovens e organizações com fundos financeiros destinados a ativismo em várias áreas, além de permitir a reunião e formação de grupos para atuarem em conjunto.

Para marcar o lançamento da Aceleradora, a Plan International Brasil abre inscrições para recursos financeiros do Fundo da Aceleradora da Igualdade. Ele é destinado a grupos de jovens de 14 a 24 anos, redes e coletivos para receber financiamento e acompanhamento em projetos de igualdade de gênero, com prioridade para a juventude negra e grupos formados ou que trabalhem com pessoas portadoras de deficiência. Os grupos poderão submeter seus projetos para recursos não reembolsáveis de R$ 1 mil, R$ 2 mil ou R$ 3 mil cada. O fundo vai contemplar até cinco iniciativas de no máximo R$3 mil. As inscrições vão até 15 de novembro.

O site oficial da plataforma está disponível em português, espanhol e inglês. Nele, comunidades de jovens ativistas trabalham estrategicamente para promover a igualdade de gênero em nível nacional e regional e facilitar o intercâmbio com seus colegas, em um espaço digital interativo, intuitivo e simples de usar.

Um dos objetivos da Aceleradora da Igualdade é reduzir as barreiras de acesso a financiamento de iniciativas e flexibilizar a prestação de contas dos recursos utilizados, permitindo que as meninas se concentrem na liderança e na execução das ações. Esses foram pontos destacados como barreiras para as meninas ativistas na pesquisa Girls to the Front, lançada em 2018 pela organização Mama Cash e pelo Fundo FRIDA.

O estudo apontou que iniciativas e organizações lideradas por meninas de até 18 anos normalmente são menos formais e não costumam ter um registro. Como elas ainda são jovens, questionam a necessidade de formalizar suas ações e têm encontrado outras maneiras de se organizarem, usando bastante as redes sociais para isso. O problema é que muitas organizações com recursos disponíveis para financiar iniciativas lideradas por meninas, que exigem um registro obrigatório dos grupos. Esses critérios de elegibilidade podem excluir muitas jovens ativistas, particularmente as que fazem parte de grupos informais, que vivem em áreas rurais e têm níveis mais baixos de educação e alfabetização. Outro ponto destacado pelas meninas é que os recursos financeiros são cruciais, mas nem sempre são a única necessidade delas. Elas precisam de auxílios técnicos, oportunidades de networking e habilidade para interagir com outras pessoas.

O regulamento e o formulário de inscrição estão disponíveis em: www.eacolectiva.org. O link da Aceleradora também está disponível por meio do Portal Meninas Líderes, um ambiente virtual lançado no ano passado que tem conteúdo em textos, vídeos, agenda e muita conversa sobre igualdade de gênero no Brasil e no mundo para meninas e jovens mulheres de 14 a 24 anos.

Mais informações sobre a Aceleradora da Igualdade também no Portal Meninas Líderes: https://meninaslideres.org.br/app/fala-menina/70