A Terra é azul

Bióloga marinha defende a vida dos oceanos e mares para a sobrevivência da espécie humana.

A Terra é azul
Crédito susana sarmiento

“Se pudéssemos ser transportados para a parte mais azul, vemos o planeta cheio de vida. Nós não estamos sós. Nós, humanos, temos o dom de explorar e conhecer”, afirma a bióloga marinha, Sylvia Earle, exploradora e escritora, lança o livro best-seller A Terra é azul  no auditório da Fiesp em São Paulo.

A publicação é um relato pessoal, junto com ensaio científico e resumo histórico sobre a impossibilidade de continuar a ignorar o impacto da extração e da exploração marítima em nosso planeta. Ele foi escrito após o derramamento de petróleo no golfo do México em 2010 e traz argumentos convincentes que é chegada a hora de uma mudança na relação entre os mares e a ação do homem, ignorada, diminuída e mascarada, especialmente pela indústria e os governantes.

No evento de lançamento, ela ainda comenta que se pudéssemos usar o que sabemos para manter os recursos naturais, não apenas para uso da economia e da vida pessoal, haveria muitos benefícios. “Todas as criaturas retiram coisas da terra. Nós prosperamos do que extraímos do mundo vivo”, ressalta. Ela comenta ainda que quando a população atingiu dois bilhões, esse consumo quadriplicou. “Há uma grande diversidade para uma época de esgotamento”.

A Terra é azul
Crédito da imagem: susana sarmiento

A escritora se lembra que num jantar com o ex-presidente dos Estados George W. Bush com mais seis pessoas teve a oportunidade de falar sobre os oceanos. O ex-presidente americano é pescador e foi nessa linha que ela conseguiu conversar e mostrar a importância da vida marinha: “Queremos ter pescadores e, para isso, temos que ter peixes. Precisamos pensar com eles e nos esforçar em como proteger as áreas de migração. Isso necessita ser feito aos peixes. Ainda falei da importância da manutenção dos santuários marinhos para a sobrevivência da pesca. Ele não sabia que havia esse declínio dos grandes peixes pelo seu consumo”.

Ela alerta que se a população não se preocupar de verdade na proteção desses ambientes vão esquecer de como eram. Diz ainda que gosta de ver imagens da década de 1930 e pensar se uma pessoa daquele período viesse para os dias de hoje, como uma viagem no tempo, observaria todas as consequências de suas decisões e poderia voltar a corrigir. “Não está tarde demais. O tesouro que temos está aqui. Se não há peixes, não terá pescadores. Nossa segurança, nossa saúde e acesso de toda vida depende da existência do mundo natural”.

A oceanógrafa ainda fala que antigamente as pessoas não sabiam dos riscos de suas ações. Agora não há mais desculpas para não agir em prol da defesa ambiental. “Estamos com um aquecimento global e isso é péssimo para as ostras. Antes não eram considerados maus hábitos, porque não sabíamos”.

A Terra é azul
Presidente da Fiesp assina em defesa dos oceanos do Brasil e destina para o presidente Michel Temer.

Sylvia explica que ser cientista é como uma criança que tem curiosidade em responder suas questões. “Nós, cientistas, olhamos para as evidências. E assim como as crianças, nós também queremos saber e conhecer as coisas”. Sinaliza que as crianças do futuro vão olhar para os adultos com desdém, porque eles sabiam que tinham que preservar o meio ambiente e não optaram por isso e vão trabalhar nesse sentido, impulsionando uma nova economia, com um cuidado na base.

“As coisas ficarão mais difíceis se continuarmos nessas tendências. Ela defende o conhecimento como ponto de virada e confessa que gostaria de mergulhar num Brasil mais azul. Deixou um recado ao público: “Não deixem a vida passar sem mergulhar no mar. Minha mãe fez isso com 81 anos”.

Título: A Terra é azul – Por que o destino dos oceanos e o nosso é um só?
Autora: Sylvia A. Earle
Editora: SESI-SP Editora
Preço sugerido: R$ 69,00

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