A pesquisa do Ibope revela que 18% das pessoas vêem as ações de Responsabilidade Social como parte da missão da empresa

Para avaliar a percepção das classes A, B e C sobre assuntos ligados ao tema Sustentabilidade, o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope) realizou uma pesquisa com homens e mulheres, acima de 16 anos, dos maiores Estados brasileiros, entre os dias 20 e 28 de julho. O estudo também analisou a opinião da comunidade empresarial por meio de entrevistas com 537 executivos de 381 grandes empresas nacionais. O resultado desse levantamento, intitulado Sustentabilidade: Hoje ou Amanhã?, foi divulgado no II Fórum IBOPE – Negócios Sustentáveis.

A pesquisa revelou que 79% dos executivos e 55% dos cidadãos consultados já ouviram falar em Sustentabilidade Empresarial, mas esse conceito é compreendido de formas distintas por cada grupo. Enquanto os executivos associam Sustentabilidade, em ordem de importância, à Responsabilidade Social, preservação do meio ambiente, boa gestão, gerenciamento de recursos humanos, pesquisas e desenvolvimento, ética e respeito ao cliente; os cidadãos, antes de pensar em investimentos sociais e em respeito ao meio ambiente, acreditam que Sustentabilidade Empresarial refere-se a desenvolvimento de produtos, solidez, respeito e confiança e capacitação profissional.

Quase metade, 46% dos cidadãos acredita que as empresas, que fazem algo pela sociedade e pelo meio ambiente, praticam somente como ação de marketing. Para 31%, a maioria das organizações monitora o impacto ambiental de suas atividades e acham que esse comportamento soma valor à imagem da companhia. “Precisamos lembrar que o valor agregado à imagem de uma empresa se dá naturalmente quando a atuação responsável ocorre em longo prazo, de maneira consistente, ou seja, quando ela está incorporada no DNA da empresa”, disse a diretora de atendimento e planejamento do IBOPE Inteligência, Paula Sória.

Apenas 18% das pessoas avaliam as ações de Responsabilidade Social como parte da missão da empresa e 13% afirmam que a ação é resultado da conscientização, de que é preciso fazer alguma coisa pela sociedade. Já 9% dizem que as ações sociais são executadas por causa das isenções tributárias, 8% para autopromoção e 7%, porque a empresa se sente cobrada pela comunidade.

Para Paula, a pesquisa apresenta a existência da preocupação com a questão ambiental. “Metade da população declara preferir comprar produtos de fabricantes que não agridam o meio ambiente ainda que sejam mais caros”, alerta. Ela acrescenta ainda que 39% dos executivos acreditam que suas empresas deveriam investir mais em meio ambiente. “Mas sabemos que transpor a teoria e transformá-la em ação exige pensar de forma sistêmica e aliar responsabilidade individual à noção de respeito pelo outro. Isto só é possível a partir do momento em que a teoria se traduz em valor pessoal. É um processo, ainda não atingimos esse estágio.”

Enquanto 72% das pessoas mencionaram o fato de cumprir com as leis trabalhistas, apenas 37% falaram sobre coleta seletiva, 30% lembraram o incentivo do consumo consciente e 27% fizeram referência à necessidade na redução dos impactos na área onde a empresa atua. Mas, o levantamento aponta que 80% dos entrevistados destacaram a ética como um aspecto importante no cotidiano das companhias. “Observamos que os executivos se mostram menos suscetíveis a apelos de corrupção. Provavelmente porque a empresa privada e o próprio mercado de trabalho exercem uma vigilância constante através de mecanismos de detecção e controle, ressalta Paula.

Sobre o investimento a ser feito pelas empresas, nos próximos anos, as organizações responderam que meio ambiente não é prioridade em suas aplicações financeiras: O capital deve ser para melhorar a tecnologia (62%) e desenvolvimento de produtos (60%).

Quando o assunto é preservação ambiental, apenas 25% dos entrevistados afirmam que suas empresas investirão em projetos nessa área. “O que percebemos é que o estímulo a ações de Responsabilidade Social e Ambiental se dá ainda de forma incipiente e não faz parte da estratégia da maioria das empresas. Apenas um 1/3 tem políticas de não utilização de recursos naturais explorados ilegalmente, menos de um 1/3 capacita seus funcionários de forma contínua e os treina para respeitar os valores da comunidade em que atua”, informa Paula.

Quanto ao grau de consciência socioambiental do cidadão, a pesquisa mostra que ainda não há sintonia entre a informação que as pessoas têm e as ações de preservação ambiental. Por exemplo, 92% dos cidadãos concordam que separar lixo para a reciclagem é uma obrigação da sociedade, mas apenas 30% dos entrevistados separam o lixo em suas casas. Mais de 80% dos entrevistados sabem que pilhas e baterias são extremamente prejudiciais ao ambiente, mesmo assim, 32% deles assumem jogar esses resíduos em lixo comum, ao invés de separá-los e descartá-los de forma ecologicamente adequada.

Além disso, quando questionados sobre o que é um país de sucesso, os entrevistados apontaram o Brasil como um país que investe no desenvolvimento econômico (37%), e pouco no meio ambiente (15%). Tanto executivos e cidadãos apontaram a Suíça como exemplo de maior sucesso, pois ela equilibra desenvolvimento social, econômico e sustentável. No entanto, China e Estados Unidos foram reprovados no quesito preservação ambiental.

O título dessa pesquisa, Sustentabilidade: Hoje ou Amanhã?, avisa a necessidade de mais dedicação das empresas e da sociedade civil para garantir, a nós a às futuras gerações, um mundo saudável. “Para pensar o amanhã é preciso funcionar estrategicamente. Isso demanda um considerável esforço da direção das empresas, envolvendo todos os níveis hierárquicos. Um dado importante é que 55% dos executivos acreditam que, num futuro próximo, o consumidor brasileiro pensará mais na comunidade do que em si mesmo. Este cenário é bastante otimista!”, prevê a representante do Ibope.

Serviço:
Para consultar a pesquisa na íntegra, clique aqui.

Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística
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