A mobilidade do século XXI

Gestor público e especialista em mobilidade urbana falam de ações que contribuem no dia a dia das metrópoles.

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Carlos, gestor da Lapa, explica principais características da região. (crédito da imagem: Susana Sarmiento)

“De quem é a responsabilidade de manter as calçadas em bom estado? As pessoas ainda mantêm de acordo com seus interesses e elas não são planas”, afirma o jornalista e idealizadora da Envolverde, Dal Marcondes, na abertura do debate A mobilidade do século XXI na Unibes Cultural, organizado pela Envolverde e Carta Capital. Todos os meses uma vez por mês ocorrem encontros sobre temas de sustentabilidade nesse espaço na zona oeste de São Paulo.

A ideia foi debater com especialistas sobre a tendência da mobilidade urbana no Brasil no atual século. Para isso, participaram: Lincoln Paiva, mestre em urbanismo e especialista em mobilidade urbana; e Carlos Fernandes, prefeito regional da Lapa, em São Paulo.

Carlos trabalhou quatro anos na SPTrans e já iniciou afirmando que é preciso melhorar muitas coisas. “Por dia o transporte de ônibus ajuda a levar de três a quatro milhões de pessoas, que atravessam a cidade”. Ele ainda comenta que a Prefeitura de São Paulo tem seu papel no crescimento desordenado e ainda a cidade é muito marcada pela cultura do carro.

Ele lembra que no último ano da gestão do ex-prefeito Kassab a prioridade foi o pedestre nas políticas públicas de mobilidade. “Essa é uma preocupação com as questões relacionadas em segurança das ciclovias”.

Ele mostra ainda dados gerais da região da Lapa, com 305.526 habitantes, área de 4010 ha e mais de 356 mil postos de trabalho. Um bairro localizado entre vias importantes, como Castelo Branco, Raposo Tavares, entre outros. Também oferece eventos nas casas noturnos localizadas ali, como Villa Country, Audio, Casa das Caldeiras, Allianz Parque, The Week Brazil e D. Edge. Inúmeros hospitais e centros de compra também são características do bairro.

O prefeito de Lapa explicou as estações de ônibus e de trem. Compartilhou ainda a mobilidade da pirâmide em que o primeiro andar é formado mais por pessoas que caminham, depois os ciclistas e em terceiro lugar estão os carros. Dessa forma, o gestor mostrou as ações de acessibilidade nas calçadas feito na Biblioteca Mario Schenberg, estações da CPTM e outros locais. Essa lógica inclui as necessidades de cadeirantes e crianças que circulam no bairro. Por isso, saiu o projeto chamado Lapa 21, com o envolvimento de vários atores e começaram a implantar calçadas acessíveis, prioridade aos pedestres e proposta de ampliação da malha cicloviária.

O gestor observa que o mundo está em transição e surge uma nova mentalidade. Antes o automóvel era visto como bem e atualmente é enxergado para usar somente. Ao mesmo tempo a bicicleta aparece como meio de locomoção. “A indústria automobilística está debatendo isso”. Também incluiu na discussão o problema de carros abandonados e o investimento público nesse processo.

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O pesquisador fala do caso de Denver nos Estados Unidos, que valoriza espaços de ocupação pública. (crédito da imagem: Susana Sarmiento)

Já o especialista em mobilidade Lincoln mostrou primeiro uma imagem do desenho Jetsons, um desenho da década de 1960 e remetia o futuro, as pessoas se locomoviam por naves. Depois compartilhou imagens do filme De Volta para o Futuro II e os carros, nesse caso, voavam. Ele quis mostrar que não se pensa na melhoria da cidade. Depois compartilhou imagens de um site com reflexões sobre o futuro das cidades, as imagens estão relacionadas com o viário. “O que todos nós queremos? Viver bem. Amanhã já é o futuro”.

O palestrante ainda falou do caso da cidade de Portland (EUA), que sua população não quis a construção e vias expressas e atualmente é um dos locais mais arborizados do país.
“A cidade é reflexo do que nós somos, uma transformação do que nós pensamos e como mudar isso?” O especialista trouxe essa reflexão de um professor universitário para mostrar que não é somente o gestor que muda. Para ele, a sociedade está bem dividida. Em sua opinião: “quanto mais pessoas nas ruas, melhor, porque terá mais segurança”. Para exemplificar, ele citou o caso Cozinha São Paulo – Gastronomia Comunitária que contribuiu para a redução de violência na praça.

O pesquisador ainda relata que o espaço destinado ainda para carros e vias é 80% das cidades e 20% ficam para construção de praças, hospitais e locais de lazer. “Acredito que as cidades precisam criar seus planos de calçadas A Prefeitura precisa trazer para sua responsabilidade as calçadas. Toronto fez esse tipo de ação e observou que 20% das cidades não tinham calçadas”.

Reinaldo Canto, jornalista que atua com assuntos de sustentabilidade e colunista da Carta Capital, comenta que o carro ganhou o papel do vilão como passou o cigarro no século passado. A questão de se buscar soluções sustentáveis contribuiu nas mudanças reais para a vida se tornar melhor. “Estou há 16 anos sem carro. Não precisava mesmo. Temos que mudar a forma de se deslocar para opções mais baratas, mais rápidas e mais limpas”. E ainda defendeu que todos têm direito à mobilidade confortável.

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