A fusão de ensino médio e técnico pode ser saída inteligente para atualidade

A conversa envolveu empreendedor, coordenadora de projetos educacionais, docente e alunos do Senac São Paulo para mostrarem importância de formação conectada com demandas do mercado de trabalho.

Ilustração de mão com celular e caderno e café.
De forma descontraída, o empreendedor Luiz deu várias dicas ao jovem Amilton, inclusive para buscar a startups Descola, de São Paulo. (crédito da imagem: Uliana Rom/AdobeStock)

“Qual o papel da escola hoje? É mais do que formar técnicos. Hoje as escolas precisam desenvolver comportamentos e trazer o ensino médio para o técnico é fundamental ao ambiente de aprendizagem. Aprender para aplicar, seja em ambientes presenciais ou abstratos. As escolas precisam formar ‘resolvedores’ de problemas cada vez mais complexos”, refletiu Luiz Fernando Gomes, matemático, head do Overdrives, hub de inovação e aceleradora de startups baseado em Recife, e fundador da Lotebox. Ele foi um dos participantes da live O que se Espera no Trabalho e que se Aprende na Escola, promovida pelo Conecta Escola Senac ao Vivo, entre os dias 15 e 18 de setembro pelo Senac São Paulo.

O Conecta Escola Senac ao Vivo reuniu diferentes pessoas de diversas áreas para integrar seus conhecimentos e experiências em busca de um mundo mais diverso, justo e igualitário. Com o tema Todo Mundo Junto e Misturado, a programação contou com a participação de personalidades, como o cantor Emicida, além de profissionais renomados em diferentes áreas de atuação, que vão conversar com estudantes e professores do Senac sobre cultura, ciência, tecnologia, sustentabilidade, mercado de trabalho e vários outros assuntos.

Neste bate-papo, Luiz compartilhou sua atuação na aceleração de startups e como a educação é essencial para desenvolver competências fundamentais para atuar com responsabilidade socioambiental e empreendedorismo, alinhado com as demandas do mercado atual.

Primeiro o matemático contextualizou como funcionam as aceleradoras. Resumidamente, ele definiu que são estruturas de suporte das startups, um espaço que elas podem se arriscar e contam com quatro itens importantes: investimento financeiro, acompanhamento e rede de mentoria e conexões com potenciais clientes. Em geral, as aceleradoras pegam de cinco a 10 startups. Ele já participou de duas acelerações: uma no Vale do Silício e outra na Holanda.

Luiz desejava ser designer para produzir desenhos animais, mas quando prestou vestibular não tinha o curso na universidade pública em sua cidade. A matemática era seu hobby e por isso optou por ela. Deu aula durante sete anos. Depois se direcionou para a tecnologia, um tema que sempre gostou também. Ele uniu a matemática com tecnologia vendo que poderia ser um ‘resolvedor’ de problemas em ambientes complexos. “Sou um gastrônomo de números, que me ajuda a pensar em modelagens nos produtos digitais. Eu crio métodos de aceleração, que geram resultados”.

Fernanda Yamamoto, pós-doutoranda em Educação na Faculdade de Educação (USP), coordenadora de projetos educacionais do Senac São Paulo, comentou sobre a reforma no ensino médio e formação profissional com inúmeras possibilidades de diversidade no itinerário. No caso do Senac, ela explica que o acompanhamento dos cursos se dá de forma integral e emancipadora. O projeto de vida, por exemplo, mostra o interesse do aluno e possibilitam ver as transformações dos alunos. “Não basta somente a formação técnica, são muitos itens para serem desenvolvidos ali”.

A coordenadora compartilhou que a instituição realizou uma pesquisa feito com muitos jovens de 17 a 24 anos e a maioria não se enxergava o ensino médio e preparação da vida como algo conectado. “Dessa forma, faz sentido uma proposta de ensino integrado com uma formação integral e colaborativa, com uma condição básica e indispensável de qualidade e que atenda as expectativas dos jovens em relação sua vida profissional e pessoal. Queremos mostrar a diversidade de assunto para esses jovens, respeitando a individualidade de cada um. A ideia é mostrar que não existe um caminho único e que ele construa seu projeto de vida”.

Thaís Góes, mestre em Ciências dos Materiais e licenciada em Química pela UFSCar Sorocaba, aluna especial de doutorado pelo Programa Interunidades em Ensino de Ciências (USP) e professora do Ensino Médio Técnico no Senac Sorocaba, explica que o projeto de vida é focado em interdisciplinaridade e consegue integrar bem as diferentes áreas. O aluno é estimulado a ter que resolver um problema, que envolve, entre outros temas, questões socioambientais. “Temos muitas atividades em grupo e ele precisa respeitar a opinião dos colegas para desenvolver os trabalhos. Isso ajuda a moldar para o futuro, saber se relacionar com pessoas diferentes, além de conseguir apresentar soluções. Na área de empreendedorismo social, costumo falar aos estudantes sempre pensarem como isso vai impactar o outro e pensar com esse foco, não somente de ganhar visibilidade. Olhar com empatia e conectar com o outro e o cuidado com o projeto”.

Além das sugestões da cultura empreendedora, Luiz defendeu que as escolas precisam formar alunos com capacidade para solucionar problemas. Ele compartilhou uma pesquisa feita pelo Fórum Econômico Mundial sobre os pilares transversais na educação e cita o desenvolvimento da capacidade empreendedora, conhecidos como soft skills, que são habilidades comportamentais essenciais no dia a dia e precisam ser aprendidas. “Estamos em um momento que várias portas estão abertas à diversidade e precisamos aprender sobre isso, saber se conectar ao mercado. Escolas e faculdades têm papeis fundamentais para desenhar futuros. Hoje falamos muito de inteligência artificial, máquinas inteligentes e isso muitas vezes assusta. A tecnologia só vai evoluir. Você terá que aprender a conviver com tudo isso, ou sofrerá um bocado”.

Amilton Oliveira Sousa, aluno do Ensino Médio Técnico em Informática no Senac Nações Unidas, desenvolve um projeto de conteúdo sobre educação financeira nas escolas, abordando diferentes assuntos como investimentos, sucesso financeiro, entre outros. “Tem pessoas que gostam de arriscar mais, outras são mais moderadas. Queremos compilar conteúdos e vemos que é interessante abordar o que a pessoa pode fazer com suas finanças”, disse o jovem. O grupo de Amilton está focado no desenvolvimento deste conteúdo em um aplicativo.

Os interessados em conhecer o Ensino Médio Técnico Senac podem acessar o site: http://www1.sp.senac.br/hotsites/sites/ensinomedio/

Para conferir a live na íntegra, clique aqui no Youtube do Senac São Paulo: https://bit.ly/3kE1nlU