8º Fórum Mundial de Água encerra atividades com compromissos

Após quase uma semana de discussões, debates, rodadas de negociações e exposições de diferentes tecnologias, o evento conseguiu levantar temas e subtemas estratégicos dessa agenda.

Crédito da imagem: Susana Sarmiento

“Nossa geração está sentindo os efeitos com a falta de água”, afirmou um dos representantes do comitê brasileiro responsável pela organização do encontro e propôs uma emenda constitucional sobre o tema da água. Essa fala fez parte da cerimônia de encerramento do 8º Fórum Mundial de Água na manhã do último dia do encontro (23 de março), em que diversos representantes de vários países apresentaram os avanços e desafios nesse segmento. A próxima edição do evento será em 2021 em Dakar, no Senegal.

Alguns números do evento: 85 mil participantes de 172 países; 74,5 mil visitaram a Vila Cidadã e a Feira; e 10,5 mil foram congressistas que circularam pelas mais de 300 sessões temáticas do Centro de Convenções Ulysses Guimarães e visitaram a Expo. Ainda contou com a participação do judiciário, por incluir a Conferência de Juízes e Promotores com a presença de 83 juízes, promotores e especialistas de 57 países e emitiu documento final chamado Carta de Brasília. Já o Instituto Global do Ministério Público elaborou a Declaração do Ministério Público sobre o Direito à Água.

Jorge Werneck, co-presidente da comissão temática do Fórum, explicou os seis temas horizontais discutidos e três transversais e os resultados desses processos. Entre os temas estavam: clima, pessoas, desenvolvimento, urbano, ecossistema e financiamento.

Dos nove temas foram realizados 32 tópicos através de 95 sessões. Nesses dias foram realizados alguns documentos com resultados dos blocos anteriores., como a Agenda 2030, discussões da Corea e outros processos. Havia ainda um guia com as premissas do que deveria ter nos diferentes setores e atividades. Não foram aceitas sessões sem presença de mulher, por exemplo.

“As pessoas enfatizaram maneiras de reduzir os riscos sobre as infraestruturas, gestão de água e do solo, e como a comunidade científica tem impactado em situações de vulnerabilidade”, afirmou. Também comentou sobre a importância de ter profissionais de diferentes partes do mundo para falar sobre as ações de recursos hídricos, como a economia circular está contribuindo para os processos de reutilização da água e como esse tema tem sido levado para o ambiente urbano e buscar os recursos na natureza. Foi o primeiro Fórum a colocar o tema de oceanos dentro das discussões. Falamos de água em todos os aspectos: governança, investimento público e privado, ações práticas e compartilhamentos”.

As autoridades locais e regionais contribuíram na produção do Chamado para Ação de Governos Locais e Regionais sobre Água e Saneamento de Brasília. O evento ainda contou com a participação de 150 prefeitos, governadores e deputados estaduais.

Crédito da imagem: susana sarmiento

Além de defender políticas públicas específicas, o co-presidente da comissão ainda mostrou uma nuvem de expressões chaves, como: direitos humanos, participação, segurança hídrica, coordenação, integração, soluções baseadas na natureza, dados, monitoramento, infraestrutura verde, inovação, parcerias, capacitação, compartilhamento e governança.

Osward M. Chanda, presidente da Comissão do Processo Regional, falou da dinâmica dos dilemas do que estão nos dias de hoje. Vários coordenadores de diferentes países de distintas regiões do mundo participaram e fizeram parte desse processo. Havia pontos focais e foram endereçados a partir de um conjunto de perguntas.

Houve um esforço de engajamento para levantar as seguintes conquistas: oito comissários, 32 coordenadores regionais e sub-regionais; 36 pontos focais temáticos; 15 consultores; 76 coordenadores de sessões; mais de 380 organizações nas seis regiões; 59 sessões ordinárias; 16 sessões especiais e três painéis de alto nível; 78 instituições coordenadoras da sessão; cerca de 330 painelistas, relatores e moderadores de 101 países e 6765 espectadores.

Além das discussões, foram realizados relatórios desses debates e dos processos regionais e até dos preparatórios. As contribuições serão complementadas na parte de mensagens chaves que foram 60 respostas das sessões ordinárias e especiais e painéis de alto nível.

Marina Grossi, economista e presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds), convidou as autoridades para pensar sobre a questão da água. Ela representa o grupo de sustentabilidade e enfatizou a importância de ter tido uma equipe separada para promover atividades voltadas para esse tema para contribuir com a criação de políticas públicas. “Outra preocupação é trabalhar com agenda global e se manifestar localmente. Vamos conversar em julho em Nova York sobre esse tema”.

A empresária ainda defendeu que é fundamental atuar de forma transversal para questões importantes. Comentou que ajudou a elaborar o guia para organização das atividades e estimulou ações sustentáveis importantes para contribuir com um evento mais verde. “Conseguimos ainda construir processos de engajamento desse processo para que as empresas tenham compromissos com o tema da água. Nas atividades, participaram ações de setores de saneamento, químico e outros. Esses CEOs assinaram acordos e declarações de sustentabilidade”. Uma jovem indiana e outra senegalesa leram esse documento concluído pelo grupo de especialistas da área de sustentabilidade.

Já a jovem Tatiana Silva representou os profissionais e especialistas com menos de 35 anos e organizações que representam liderança jovem pelo seu esforço voluntário. Ainda se lembrou do 2º encontro preparatório ao Fórum Mundial da Água, em que contou com 25 declarações e mostrar o que deve ser prioridade. “Aqui os jovens mostraram seu profissionalismo e capacidade técnica. Em todas as seções tivemos pelo menos um jovem. Um em cada oito no mundo vivem nas regiões periféricas”.

A jovem ainda defendeu que cada um possui um rótulo por ser de um gênero, de uma faixa etária, área e por representar um grupo de vozes. “Façam bom uso de seu tempo, porque vocês representam um grupo”, aconselhou.

Premiação

Representantes do Japão entregaram um prêmio para uma comunidade de Togo (África) para reconhecer uma prática de ciência e tecnologia e prestigiar soluções para bem-estar da humanidade no fornecimento de água potável. Esse recurso da premiação ajudará três mil pessoas da comunidade Togo, de julho deste ano até julho de 2019, com a construção de cinco poços, 17 ecobanheiros, 40 locais de banheiro e de agua potável e fazer composta de urina.

O evento

O 8º Fórum Mundial foi organizado no Brasil pelo Conselho Mundial de Água (WWC) pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), representado pela Agência Nacional de Águas (ANA) e pelo governo do Distrito Federal, representado pela Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (Adasa). A Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base (Adib) é integrante do Comitê Organizador Nacional (CON). As sete edições anteriores foram realizadas em Marrakesh (Marrocos, 1997), Haia (Holanda, 2000), Kyoto (Japão, 2003), Cidade do México (México, 2006), Istambul (Turquia, 2009), Marselha (França, 2012) e Gyeongju e Daegu (Coreia do Sul, 2015).

Acesse os documentos e declarações produzidas no evento no site: http://www.worldwaterforum8.org/

 

 

 

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