2/3 da população mundial vivem em regiões desiguais, segundo Relatório Social Mundial 2020

A Organização das Nações Unidas lança estudo que traz a inovação tecnológica, mudanças climáticas, urbanização e migração internacional são tendências.

O Relatório Social Mundial 2020: desigualdade num mundo que muda rapidamente, da Organização das Nações Unidas, mostra as diferenças de renda e falta de oportunidades. O estudo traz ainda que a inovação tecnológica, mudanças climáticas, urbanização e migração internacional estão afetando as tendências de desigualdade.

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), adotados pelos países em 2015, contêm uma meta específica para a redução da desigualdade. Esse levantamento identificou ainda que crescimento econômico ao longo das últimas décadas tem falhado em diminuir a profunda divisão dentro e entre os países.

O relatório ainda apresenta que as sociedades muito desiguais são menos efetivas na redução da pobreza, crescem mais vagarosamente, dificultam que as pessoas quebrem o ciclo da pobreza e perdem oportunidades para o avanço econômico e social. Além disso, o aumento da desigualdade reprime o crescimento econômico e contribui para o aumento da instabilidade política.

A migração também surge como fenômeno comum em regiões desiguais. Se ela for bem administrada, pode somente beneficiar os migrantes, mas também contribui na redução da pobreza e a própria desigualdade.

No Brasil, mais da metade da população mundial está vivendo em zonas urbanas. Mesmo esses locais serem cenários de inovação e prosperidade, muitos habitantes das cidades sofrem com a alta desigualdade.

Brasil, México e Argentina foram alguns dos países que reduziram a desigualdade nos últimos anos, mas recentemente voltaram a aumentar. O relatório traz que depende do que acontece nas cidades e as vantagens que elas oferecem podem não ser contínuas, se as altas desigualdades urbanas não forem reduzidas.

Outro dado notado é que as desigualdades concentram influência política entre os que estão em melhor situação, o que tende a preservar, ou mesmo aumentar as diferenças de oportunidade. Por exemplo: as alíquotas de imposto para as rendas mais altas têm diminuído em países desenvolvidos e em desenvolvimento, tornando os sistemas tributários menos progressivos. Em países desenvolvidos, as alíquotas para os mais ricos diminuíram de 66%, em 1981, para 43%, em 2018.

A conclusão do estudo sugere concretas recomendações políticas que podem promover acesso a oportunidades, permitindo que políticas macroeconômicas foquem na redução da desigualdade, enfrentando preconceito e discriminação. O documento contém análises e recomendações políticas para diálogos globais pela redução da desigualdade.

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