1 em cada 4 meninas no Brasil se casa antes dos 18 anos, segundo pesquisa da ONU

No final de junho, relatório chama atenção para as práticas nocivas contra mulheres e meninas, como o casamento infantil.

Ilustração com fundo de rosto de menina gritando e texto: Logo da UNFPA Situação da População Mundial 2020 Contra Minha Vontade - Desafiando as Práticas que Prejudicam Mulheres e Meninas, e Impedem a Igualdade.
O índice de casamento infantil é medido a partir da proporção de mulheres entre 20 e 24 anos que se casaram antes dos 18 anos, em todo o mundo e no Brasil. (crédito da imagem: divulgação)

O Fundo de População da ONU lança, relatório global sobre a Situação da População Mundial, que destaca a desigualdade de gênero e as práticas nocivas contra mulheres e meninas, como a mutilação genital feminina, a preferência por filhos do sexo masculino e o casamento infantil. Segundo o relatório, 1 a cada 4 meninas se casa antes dos 18 anos no Brasil, um índice de 26%. A média mundial é de 20% (1 a cada 5 meninas).

O índice brasileiro de casamento infantil está muito próximo da média da América Latina: 25%. Juntamente com a África subsaariana e a Ásia, as três regiões lideram o número de casos de casamento infantil no mundo. Em média, de acordo com o documento da agência, 650 milhões de meninas se casam antes dos 18 anos em todo o mundo.

Meninas, e não meninos, são as principais vítimas dos casamentos precoces. Valores patriarcais, como a necessidade de preservar a virgindade de meninas, sua capacidade de reprodução e de contribuir com o trabalho doméstico, influenciam esta realidade e são apresentadas entre as tantas razões que tornam essa prática nociva uma triste realidade ao redor do mundo.

Ilustração de gráfico sobre morte materna e mostra o mundo com 211 casos, Brasil com 60 e América Latina com 74.
Essa razão é medida pela quantidade de mulheres que morreram a cada 100 mil nascidos vivos em um período de tempo. (crédito da imagem: divulgação)

O estudo ainda indica uma relação entre pobreza e acesso à educação, uma vez em que meninas com apenas o ensino primário têm duas vezes mais chances de se casar ou viver em união conjugal do que as com ensino médio ou superior.

Uma das consequências do casamento infantil é a gravidez, e consequentemente o parto, precoce. Sem estar prontas física, emocional, intelectualmente ou mesmo financeiramente para assumirem a maternidade tão cedo, é mais provável que essas meninas e jovens morram devido a complicações na gravidez e no parto, e é mais provável que seus primeiros filhos sejam natimortos ou morram no primeiro mês de vida.

Segundo o relatório, o custo para eliminar de uma vez por todas o casamento infantil em todo o mundo seria de US$ 35 bilhões de dólares (aproximadamente R$ 187 bilhões) em dez anos. Programas de erradicação das uniões precoces e de empoderamento de meninas, no entanto, também podem ser impactados pela COVID-19. A estimativa é que as interrupções causadas pela pandemia resultem em 13 milhões de casamentos precoces adicionais entre 2020 e 2030.

O documento defende a necessidade de eliminar a discriminação de gênero de sistemas sociais, jurídicos e econômicos, que são a raiz de violações de direitos, como o casamento infantil, a mutilação genital feminina, a preferência por filhos homens e a violência baseada em gênero.

Acesse aqui estudo na íntegra no site da UNFPA: https://bit.ly/321VdG1